A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou, ao fim de uma rodada de negociações encerrada no sábado, 29, uma proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários que prevê a correção salarial de 100% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescido de 0,6 ponto percentual de ganho real para 2026, com a intenção de repetir a mesma fórmula em 2027.
Segundo levantamento e curadoria da redação do Noticioso360, a oferta integra também cláusulas sobre emprego, banco de horas e benefícios, embora os detalhes finais dependam de ajustes entre as partes. A proposta foi apresentada pela Fenaban em material informado à imprensa e discutida em rodada negocial, conforme cópia do comunicado recebida pela nossa redação.
O que prevê a proposta
A proposta enviada pela Fenaban tem duas frentes principais: a recomposição pela inflação oficial medida pelo INPC e um adicional fixo de 0,6 ponto percentual como ganho real. Na prática, os salários seriam corrigidos pelo INPC acumulado no período referente à negociação e, em seguida, haveria um acréscimo linear de 0,6% sobre o valor corrigido.
Fontes ligadas às negociações informaram ao Noticioso360 que a intenção de repetir a mesma fórmula em 2027 visa criar previsibilidade e reduzir a volatilidade das negociações salariais no setor bancário. A Fenaban, por sua vez, destaca que a proposta considera a necessidade de preservação de empregos e a sustentabilidade das instituições financeiras.
Reação sindical e pontos de discórdia
Representantes sindicais consultados afirmam que, ainda que reconhecerem a recomposição pela inflação como um ponto positivo, o percentual de ganho real de 0,6% é insuficiente para recuperar perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Para várias entidades, a oferta não contempla avanços significativos em termos de poder de compra real, especialmente em segmentos com salários abaixo da média do setor.
“O INPC corrige a inflação, mas o ganho real tem de refletir recomposições históricas e a dinâmica do custo de vida”, disse um dirigente sindical que pediu anonimato. Sindicatos também ressaltam que, sem garantias adicionais por faixa salarial, os trabalhadores de menores remunerações tendem a ser os mais prejudicados.
Itens não salariais
Além do reajuste, o texto em negociação inclui cláusulas sobre manutenção de emprego, banco de horas e benefícios. Fontes indicam que algumas dessas cláusulas são centrais para o acordo, pois podem mitigar impactos econômicos em momentos de contração do mercado e são frequentemente usadas como moeda de troca nas negociações coletivas.
Por que a Fenaban propõe repetir a fórmula
A aposta em repetir a mesma fórmula em 2027 tem duas motivações principais, segundo interlocutores do setor: previsibilidade e contenção de pressões inflacionárias sobre as folhas. Reajustes que replicam uma fórmula composta por índice de preços mais parcela fixa buscam equilibrar a recomposição do poder de compra com limites orçamentários das empresas.
Por outro lado, críticos alertam que essa padronização pode travar avanços salariais em anos de recuperação econômica, já que a parcela fixa — por sua própria natureza — não cresce com o ritmo do crescimento econômico ou com ganhos de produtividade setoriais.
Contexto macro e histórico das negociações
Negociações entre bancos e sindicatos historicamente oscilam entre propostas que privilegiam recomposição inflacionária e demandas por ganho real. Em cenários de inflação elevada, o INPC assume papel central na mesa de negociações; em cenários de desaceleração, a disputa se concentra na definição de ganho real que reflita perdas passadas.
Especialistas em direito trabalhista e economia consultados pelo Noticioso360 dizem que a adoção de uma fórmula fixa por dois anos pode reduzir a probabilidade de greves e paralisações, ao mesmo tempo em que torna mais previsível o custo trabalhista para as instituições financeiras.
Próximos passos e possíveis desdobramentos
Com a proposta oficializada pela Fenaban, caberá aos sindicatos avaliar a aceitação — integral ou parcial — e considerar contrapropostas. Caso as entidades representativas entendam que o ganho real é insuficiente, há espaço para negociações suplementares, mobilizações e até assembleias entre bancários para deliberar sobre adesão ou rejeição.
Se houver rejeição por ampla maioria, o processo pode avançar para mediação, intensificação de greves ou busca por alternativas jurídicas e políticas. A direção que o movimento tomará dependerá da capacidade de articulação sindical e do clima de mobilização entre os trabalhadores.
Metodologia e limitações
Esta matéria foi elaborada a partir do conteúdo fornecido pela Fenaban e de material compilado pela redação do Noticioso360. Não foi possível, no momento desta publicação, acessar todas as gravações integrais das reuniões ou as contrapropostas formais dos sindicatos.
Por isso, a apuração indica as partes consultadas e recomenda conferir os comunicados oficiais para detalhes da redação final do acordo. A redação buscou contrastar versões e mantiveram-se disponíveis documentos institucionais para embasar as informações apresentadas.
Consequências esperadas
Analistas apontam que a proposta tende a reduzir incertezas imediatas sobre custos salariais para os bancos, mas a reação sindical e a evolução da inflação podem modificar o rumo das negociações ainda no curto prazo.
Além disso, a adoção de um ganho real fixo modesto em dois anos consecutivos pode amplificar discussões sobre perda de poder aquisitivo em segmentos mais vulneráveis do setor bancário, pressionando debates sobre cláusulas por faixa salarial ou pagamento de abonos compensatórios.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário das negociações trabalhistas do setor bancário nos próximos meses.
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