Governo pretende levar à Conitec pedido para incorporar cabotegravir injetável à PrEP do SUS.

Ministério pedirá inclusão do cabotegravir no SUS

Ministério enviará à Conitec proposta para incluir cabotegravir injetável no SUS como alternativa de PrEP para populações com dificuldade de adesão à terapia oral.

Ministério anuncia pedido à Conitec para oferta do cabotegravir

O Ministério da Saúde informou que deve protocolar, na próxima semana, pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para incorporar o cabotegravir de longa ação como opção de profilaxia pré-exposição (PrEP) no Sistema Único de Saúde.

O medicamento, administrado por via intramuscular a cada dois meses, já é adotado em outros países sob o nome comercial Apretude e tem eficácia comprovada em estudos clínicos para prevenir a infecção pelo HIV em pessoas não infectadas.

Segundo interlocutores do ministério, a proposta trará dossiê técnico com estudos de eficácia e segurança, avaliação de custo-efetividade e critérios de indicação. Haverá também negociações com fabricantes para reduzir o preço e garantir logística de distribuição e capacitação de equipes de saúde para aplicação bimestral.

Apuração e curadoria

A apuração do Noticioso360 confirma que o pedido seguirá o rito padrão da Conitec e que a decisão final dependerá do parecer técnico da comissão. A reportagem cruzou informações de veículos como G1 e Agência Brasil e ouviu fontes oficiais do ministério e especialistas em saúde pública.

Por que a opção injetável é relevante

O cabotegravir de longa duração reduz a necessidade de um comprimido diário, principal barreira apontada por parte das pessoas que poderiam se beneficiar da PrEP. Estudos clínicos demonstraram taxa elevada de proteção contra o HIV quando o regime intramuscular é seguido conforme o calendário bimestral.

Além disso, a alternativa injetável pode aumentar a adesão em populações-chave que enfrentam dificuldades com a rotina diária de medicação — entre elas, pessoas trans, homens que fazem sexo com homens e outros grupos com vulnerabilidade social.

Aspectos técnicos que serão avaliados

Fontes oficiais informaram que a documentação a ser enviada à Conitec contemplará:

  • Revisão de estudos de eficácia e segurança comparando cabotegravir injetável e PrEP oral (tenofovir disoproxil fumarato + emtricitabina ou formulações análogas).
  • Análise de custo-efetividade e impacto orçamentário para oferta em larga escala no SUS.
  • Critérios de indicação clínica e de faixa etária, além de protocolos para monitoramento e seguimento.

Desafios orçamentários e logísticos

Uma das principais questões para incorporação é o custo. Interlocutores do ministério afirmam que haverá negociação com a indústria para redução de preço, condição considerada fundamental para viabilizar a oferta pública.

Do ponto de vista operacional, a introdução do cabotegravir exige adaptações na rede de atenção: avaliação prévia dos beneficiários, infraestrutura para aplicação intramuscular, cronogramas de retorno bimestrais e sistemas para controle e rastreamento de doses.

Visão dos especialistas

Especialistas consultados destacam que os relatórios da Conitec deverão incluir comparativos diretos entre a proteção conferida pelo cabotegravir e a PrEP oral, bem como projeções do impacto na incidência do HIV em populações-chave.

“A decisão técnica precisa ponderar eficácia, adesão e custo. Em ambientes onde a adesão ao comprimido é baixa, a injeção pode significar ganho epidemiológico relevante”, afirmou um pesquisador em saúde pública ouvido pela reportagem.

Contexto internacional e recomendações

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu o cabotegravir de longa ação como uma opção eficaz de prevenção, recomendação que tende a reforçar o argumento técnico para incorporação em países com capacidade de financiamento e logística.

No entanto, a adoção em sistemas públicos envolve análise local de custo, prioridades de saúde e capacidade operacional. Em alguns países, a incorporação foi precedida de negociações de preço e de campanhas de sensibilização voltadas às populações-alvo.

Quem pode se beneficiar

O ministério destaca foco em grupos com maior vulnerabilidade e em quem apresenta dificuldade de manter o esquema diário de comprimidos. Entre os beneficiados previstos estão pessoas trans, homens que fazem sexo com homens e outras populações-chave, dependendo do cenário epidemiológico regional.

Se a Conitec emitir parecer favorável, a proposta deverá apresentar cronograma de implementação e estratégia de priorização, contemplando primeiras etapas de oferta em serviços especializados antes de uma expansão geográfica.

Próximos passos e tramitação

O pedido formal ao Conitec deve incluir o dossiê técnico e aguardar a avaliação da comissão. A decisão passa por consulta pública e análise dos pareceres técnicos e de custo-efetividade. A inclusão no rol do SUS só ocorrerá após deliberação final da Conitec, que pode estabelecer restrições por faixa etária, perfis de risco ou situações clínicas específicas.

Até a definição, o ministério prevê negociação com fornecedores e planejamento logístico para garantir que, em caso de aprovação, a oferta ocorra com segurança e controle adequado de uso.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário de prevenção ao HIV no país nos próximos meses.

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