O vereador Salvino Oliveira (PSD) deixou nesta sexta-feira a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, após decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que revogou a prisão temporária decretada durante uma operação policial. Testemunhas relatam que, ao sair da unidade prisional, ele proferiu a frase: “Não pense que vai ficar assim”.
Segundo a decisão judicial comunicada nos autos, a revogação considerou argumentos da defesa sobre a fragilidade de elementos que justificavam a manutenção da custódia temporária e apontamentos formais relacionados ao ato processual. A soltura, no entanto, não encerra a apuração nem afasta a possibilidade de novas medidas cautelares.
De acordo com levantamento da redação do Noticioso360, que cruzou informações de fontes judiciais e policiais, a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público continuam a investigar possíveis ligações entre o parlamentar e o grupo criminoso conhecido como Comando Vermelho (CV).
Decisão judicial e o alcance da revogação
O Tribunal avaliou elementos apresentados pela defesa e entendeu que não estavam preenchidos, naquele momento, os requisitos legais para manutenção da prisão temporária. A prisão temporária tem prazo determinado e está vinculada à necessidade de investigação; sua revogação pode decorrer tanto da insuficiência de provas quanto de irregularidades formais no decreto prisional.
Advogados de Salvino sustentaram, nos autos, a ausência de indícios robustos que justificassem a restrição da liberdade e reiteraram a disposição do cliente em colaborar com as apurações dentro dos limites legais. Do lado das autoridades, delegados apontaram que a medida inicial se baseou em interceptações e apreensões relacionadas à operação que motivou as prisões.
Investigação e diligências em curso
Fontes oficiais consultadas pelo Noticioso360 indicam que as investigações prosseguem. A Promotoria pode pleitear medidas como quebras de sigilo bancário e telefônico, além de ouvir testemunhas e aprofundar a produção de prova sobre eventual intermediação de recursos ou facilitação logística para organizações criminosas.
Como alternativa à prisão, as autoridades podem adotar medidas cautelares menos gravosas, tais como acompanhamento judicial, proibição de contato com investigados, entrega de passaporte ou apresentação periódica em juízo. Essas medidas visam a continuidade das investigações sem o caráter de privação de liberdade.
Interceptações e apreensões
De acordo com relatos obtidos pela reportagem, a operação que levou à decretação da prisão temporária teve como base interceptações telefônicas e apreensões de documentos e materiais em endereços relacionados a investigados. A defesa questionou a interpretação desses elementos e sua suficiência para manter a custódia.
Implicações jurídicas
Especialistas em direito penal consultados afirmam que a revogação da prisão temporária não configura absolvição. Ela apenas reflete uma avaliação processual sobre a necessidade e a legalidade da custódia naquele estágio investigativo.
“A liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares, não impede a retomada de prisões caso surjam novos indícios robustos”, explica um criminalista ouvido pela reportagem. Por outro lado, defensores dos direitos individuais ressaltam a importância de requisitos legais estritos para decretar prisões, sob pena de nulidade e responsabilização por excesso.
Repercussão política
No plano político, aliados de Salvino comemoraram a soltura e enfatizaram a presunção de inocência. O grupo de defesa do vereador promoveu nota afirmando que a decisão judicial demonstra a fragilidade das acusações e que ele estará à disposição para esclarecer fatos.
Adversários, por sua vez, classificaram a decisão como insuficiente para afastar suspeitas e exigiram que as investigações prossigam com transparência. A Câmara municipal poderá analisar pedidos de apuração interna dependendo do avanço das provas e dos desdobramentos processuais.
Convergência e divergência na cobertura
Houve divergência no uso de termos por veículos de imprensa: alguns órgãos noticiaram prisão “preventiva”, outros usaram “temporária”. A distinção é relevante para o público e para o processo, pois a prisão preventiva possui caráter mais amplo e pode ser estendida, enquanto a temporária é limitada e vinculada às necessidades investigativas.
A apuração do Noticioso360 priorizou a verificação de nomes, locais e a sequência processual comunicada por fontes judiciais e policiais. Sempre que houve contradição entre relatos, expusemos as diferentes versões e identificamos pontos sem conclusão.
O que vem a seguir
Com Salvino em liberdade provisória, a expectativa é de que a Polícia Civil e o Ministério Público intensifiquem diligências, busquem aprofundar quebras de sigilo e ouçam testemunhas que possam confirmar ou afastar os indícios iniciais.
Se novos elementos probatórios surgirem, não se descarta a reclassificação das medidas cautelares, inclusive a decretação de nova prisão, desde que demonstrados os requisitos legais. Do contrário, o caso pode evoluir para arquivamento ou para oferecimento de denúncia, dependendo da produção de prova.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro — 2026-03-14
- Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro — 2026-03-14
- Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — 2026-03-14
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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