Michael Davis afirma que só enviará arquivos à PF mediante ordem judicial americana.

Sócio da Go Up condiciona entrega de documentos à ordem dos EUA

E-mail do sócio majoritário da Go Up diz que documentos só serão repassados à Polícia Federal com ordem dos EUA; PF não se manifestou.

Requerimento de ordem americana trava envio de documentos à PF

Michael Davis, sócio majoritário da produtora Go Up Entertainment LLC, afirmou por e-mail que só fornecerá documentos à Polícia Federal mediante uma ordem judicial dos Estados Unidos. A mensagem, datada de 2 de setembro de 2026 e obtida pela redação, nomeia contratos, extratos bancários e comprovantes de pagamento relacionados à produção do filme “Dark Horse”.

Segundo apuração do Noticioso360, o pedido da Polícia Federal mira rastrear fluxos financeiros e eventuais pagamentos a fornecedores e intermediários ligados à obra. O material anexado à comunicação indica preocupação da produtora em cumprir uma requisição estrangeira sem autorização das autoridades judiciais americanas.

O teor do e-mail e os documentos solicitados

No e-mail, atribuído a Davis, a Go Up destaca que parte dos contratos e contas envolvidos na produção estariam sob jurisdição dos Estados Unidos, o que, em sua visão, justificaria a apresentação de uma ordem expedida por tribunal norte-americano para que o repasse ocorra de forma regular.

O documento anexo à apuração aponta que a Polícia Federal requisitou, entre outros itens, contratos de prestação de serviços, extratos bancários e comprovantes de pagamento relacionados à produção de “Dark Horse”. Esses tipos de registros são comumente usados em apurações para mapear origem de recursos e destinos de transferências.

Argumentos da produtora

Na mensagem, Davis argumenta que o repasse de documentos sem uma autorização competente poderia implicar violações contratuais, cláusulas de confidencialidade e riscos de compliance internacional para a Go Up e seus parceiros. Ele também invoca procedimentos de cooperação jurídica internacional como caminho apropriado para transferências de dados e materiais com elementos transnacionais.

Em linhas gerais, a posição declarada no e-mail é a de uma disposição à cooperação, condicionada porém a salvaguardas legais e a uma ordem judicial emitida nos Estados Unidos que autorize o envio dos arquivos.

Procedimentos internacionais e alternativas legais

Especialistas consultados pela reportagem ressaltam que, em casos com elementos internacionais, é comum que empresas exijam garantias formais antes de remeter documentos sensíveis. A cooperação entre autoridades costuma ocorrer por meio de cartas rogatórias, pedidos formais de assistência jurídica internacional ou solicitações por via de tratados e acordos entre países.

Se os contratos e contas estiverem registrados nos EUA ou controlados por entidades americanas, as ordens de um tribunal daquele país podem ser, de fato, consideradas necessárias por quem detém a documentação. Por outro lado, se partes relevantes do material estiverem sediadas no Brasil, a Polícia Federal tem mecanismos para requerer informações localmente.

Possíveis implicações investigativas

A exigência de contratos e extratos financeiros é consistente com investigações que buscam rastrear origem de recursos e pagamentos a fornecedores. Esses documentos permitem identificar intermediários, quantias transferidas e eventuais cláusulas contratuais que possam indicar desvio ou ocultação de recursos.

Além disso, a existência de cláusulas de foro e confidencialidade nos contratos pode dificultar o compartilhamento imediato de determinados documentos, especialmente quando há normas de proteção de dados ou obrigações contratuais em outras jurisdições.

O que falta para confirmar as alegações

No material entregue ao Noticioso360 não há cópias de decisões judiciais americanas nem comunicações formais entre a Polícia Federal e autoridades dos Estados Unidos. Também não foi registrada resposta oficial da PF sobre o teor do pedido ou sobre eventual interlocução com órgãos estrangeiros.

Sem documentos que comprovem a existência de uma ordem judicial norte-americana, não é possível atestar se a exigência apresentada por Davis tem amparo legal nos Estados Unidos ou se se trata de uma estratégia para ganhar tempo enquanto a defesa organiza respostas e preserva direitos contratuais.

Posição da investigação

Fontes ligadas ao caso consultadas pela reportagem indicam que a Polícia Federal tem buscado elementos que permitam identificar fluxos financeiros relacionados à produção de “Dark Horse”, um filme que, segundo a investigação, recebeu aporte financeiro de diferentes origens.

Até o fechamento desta reportagem, a PF não havia fornecido posicionamento oficial sobre o pedido ou sobre eventuais contatos com autoridades americanas. A reportagem também buscou esclarecimentos junto à Go Up; não houve retorno formal que confirmasse ou refutasse integralmente as alegações contidas no e-mail atribuído ao sócio majoritário.

Impactos jurídicos e próximos passos

Especialistas em direito internacional e compliance ouvidos pelo Noticioso360 explicam que as implicações jurídicas dependem de fatores ainda não apresentados: natureza dos contratos, local de registro das sociedades, cláusulas de confidencialidade e eventual existência de ordens judiciais nos Estados Unidos relacionadas aos mesmos fatos.

Do ponto de vista processual, caso a Polícia Federal entenda haver indícios suficientes para uma medida mais incisiva, a cooperação jurídica internacional permite pedidos formais a autoridades americanas. Alternativamente, a PF pode buscar documentos por vias locais, caso parte das provas esteja sob jurisdição brasileira.

Risco reputacional e compliance

Além das possíveis consequências legais, a condição colocada pela produtora pode ter efeitos reputacionais. Empresas envolvidas em disputas ou investigações preferem, muitas vezes, evitar exposições que possam afetar contratos comerciais ou a imagem de parceiros e investidores.

Para estruturas de compliance, a apresentação ordenada de documentos por canais oficiais é um passo importante para demonstrar boa-fé e transparência. No entanto, a negociação sobre formalidades processuais também faz parte das estratégias de proteção patrimonial e de cumprimento de obrigações contratuais.

Conclusão provisória

O material reunido pelo Noticioso360 aponta que a remessa de documentos da Go Up à Polícia Federal foi condicionada, por seu sócio majoritário, à apresentação de uma ordem judicial dos Estados Unidos. A alegação foi feita por e-mail em 2 de setembro de 2026.

Até o momento não há confirmação pública da existência de ordem judicial americana ou de comunicação formal entre a Polícia Federal e autoridades dos EUA. A reportagem continuará a acompanhar os desdobramentos e a buscar documentos que permitam confirmar a sequência completa dos fatos.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir a forma como autoridades brasileiras e empresas tratam pedidos transnacionais de documentos nos próximos meses.

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