O pai de Henry, Leniel Borel, prestou depoimento nesta fase do julgamento contra o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e a ex-produtora Monique Medeiros. Em audiência simbólica para o caso, Leniel disse ter temido pela segurança do filho e se emocionou ao falar do último registro em vídeo que guarda como lembrança.
Segundo o relato, a fala de Leniel incluiu detalhes sobre a rotina do menino, sinais de insegurança e episódios que, na visão do pai, indicavam risco iminente. Em determinados trechos, o depoente chorou e interrompeu a narrativa para recuperar a compostura, o que provocou reação visível na sala do júri.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, que cruzou informações de agências e veículos locais, o depoimento reforça pontos já levantados nas fases anteriores da investigação — como relatos sobre convivência conturbada na casa e indícios de lesões anteriores. A curadoria editorial procurou preservar trechos que contextualizam decisões familiares antes do desfecho trágico.
O que disse Leniel no tribunal
Leniel descreveu momentos de apreensão quando observava mudanças no comportamento de Henry. Ele relatou episódios em que a criança demonstrou medo em voltar para o convívio com a mãe e com integrantes da residência onde vivia anteriormente.
“Eu via no olhar dele que não estava bem”, disse o pai, segundo relatos publicados por veículos presentes à audiência. Em mais de uma ocasião, Leniel afirmou que sofreu pressões para devolver o filho à mãe, incluindo, conforme seu depoimento, tentativas de influência por parte de familiares e advogados de Monique e de Jairinho.
Acusações de coação
O ponto da coação foi registrado em ata e entrou na discussão sobre o ambiente familiar até o episódio da morte. Leniel declarou que havia sido pressionado a aceitar acordos e condutas que, no seu entendimento, colocavam Henry em situação de risco.
As defesas de Monique e Jairinho refutam essa narrativa. Em notas oficiais, os advogados alegam que a disputa pelas decisões parentais era complexa e que interpretações públicas podem distorcer conflitos familiares.
Reações na audiência e contexto probatório
Além do relato pessoal, o depoimento contou com perguntas da juíza sobre por que o pai chegou a permitir o retorno de Henry à mãe — ponto que tem gerado divergências nas coberturas jornalísticas. Algumas matérias enfatizaram o aspecto emocional; outras focaram nas questões técnicas do processo.
Perícias e laudos apresentados até agora constam nos autos e são elementos que o tribunal deverá pesar em conjunto com depoimentos como o de Leniel. Do ponto de vista probatório, o pai reafirmou observações que já figuravam em investigações anteriores, como supostas marcas e alterações de comportamento da criança.
Último vídeo e lembranças
Um dos momentos mais comentados do depoimento foi quando Leniel mencionou o último registro em vídeo que possui de Henry. Ele descreveu o material como uma memória que o acompanha e que o fez temer pelo bem-estar do filho.
O impacto emocional desses trechos suscitou silêncio e comoção entre jornalistas e presentes na sala. Para a acusação, relatos dessa natureza ajudam a reconstruir a rotina e a relação da criança com adultos do convívio; para a defesa, são interpretações que não comprovam, isoladamente, a ocorrência de crime doloso.
Duelo entre versões e checagem editorial
O Noticioso360 adotou triagem de fontes nesta apuração, confrontando relatos publicados pela Reuters e por veículos locais. A redação priorizou a verificação de nomes, datas e trechos formais do depoimento, evitando reproduzir falas de maneira truncada e preservando contexto.
Há, entre veículos, divergência sobre a ênfase do depoimento: algumas coberturas destacam o choro e o tom emocional; outras privilegiam perguntas técnicas e o escrutínio judicial sobre decisões parentais.
Implicações jurídicas
Legalmente, cabe ao tribunal estabelecer a correlação entre os fatos narrados e a responsabilidade penal dos réus. A instrução já reúne perícias, laudos e outros depoimentos que serão avaliados em conjunto com a fala de Leniel.
Promotores sustentam que condutas e omissões criaram risco à integridade da criança. A defesa, por sua vez, nega participação deliberada em agressões que teriam causado o óbito e questiona a interpretação de ações familiares como elementos probatórios definitivos.
Projeção e próximos passos
O julgamento segue com a oitiva de testemunhas e eventual apresentação de provas periciais complementares. Espera-se, nas próximas sessões, novas oitivas tanto da acusação quanto da defesa, com possibilidade de laudos suplementares que possam alterar o quadro de interpretação dos fatos.
Também é provável que advogados das partes apresentem impugnações pontuais e pedidos de diligências. Esses movimentos processuais serão fundamentais para que o juiz e o júri possam, ao final, formar convicção sobre a materialidade e autoria dos crimes imputados.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o desdobramento do caso pode influenciar debates sobre proteção à infância e responsabilidades parentais nos próximos meses.
Veja mais
- Ex-ministro José Eduardo Cardozo critica como ‘inaceitável’ a rotulagem dos grupos como terroristas pelos EUA.
- Cabeleireira depôs que ouviu Henry dizer, em chamada, que o ‘tio’ lhe deu uma ‘banda’.
- No tribunal, ex-empregada apresentou contradições; promotoria exibiu mensagens trocadas após a morte de Henry.



