Thayná Ferreira afirmou ter mentido antes e descreveu pressão e episódios ligados a Jairinho no julgamento.

Babá pede para sair e chora durante depoimento no caso Henry

Thayná Ferreira relatou contradições, pressões e episódios envolvendo Jairinho durante depoimento sobre a morte de Henry; sessão teve momentos tensos.

Depoimento tenso no tribunal

Em um dos momentos mais emotivos do julgamento pela morte do menino Henry Borel, a testemunha e babá Thayná de Oliveira Ferreira pediu para deixar a sala durante seu depoimento, afirmando: “Preciso sair daqui, eu não estou bem”. O pedido ocorreu em meio a lágrimas e interrompeu a sequência de perguntas do juiz e das partes.

O relato da testemunha trouxe à tona episódios que, segundo a acusação, reforçam a versão de agressões físicas atribuídas ao então vereador Dr. Jairinho e aponta possíveis tentativas de orientação de testemunhas após o ocorrido.

Curadoria e cruzamento de informações

Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou trechos declinados em diferentes sessões e reportagens especializadas, o depoimento de Thayná contém elementos novos e contradições com declarações anteriores prestadas à polícia.

Em juízo, a babá admitiu ter prestado informações divergentes em fases iniciais da investigação e disse que chegou a mentir em depoimentos feitos pouco depois da morte de Henry. Ela relatou ter sofrido pressões para falar de forma favorável ao casal nas semanas seguintes ao acontecimento.

O que foi dito no plenário

Thayná descreveu episódios em que, segundo ela, presenciou comportamentos agressivos do casal e momentos em que teria sido orientada sobre o que declarar às autoridades. A testemunha também detalhou contradições entre as versões apresentadas à polícia na fase investigatória e o que relatou em juízo.

Esses trechos serviram à promotoria para reforçar a tese de que as declarações anteriores, consideradas omissas ou contraditórias, foram corrigidas com o avanço das investigações e com a pressão das provas técnicas reunidas pela perícia.

Defesa questiona memória e credibilidade

Do outro lado, a defesa buscou contextualizar lapsos e inconsistências, questionando a memória da testemunha. Advogados ressaltaram diferenças em datas, descrições e na sequência dos fatos, tentando demonstrar que tais variações abalam a credibilidade do depoimento.

Em alguns momentos, o clima no tribunal obrigou a interrupção do depoimento. O juiz interveio para garantir que as respostas fossem dadas sem pressão e para preservar a integridade da testemunha, permitindo breves pausas para que Thayná se recompusesse.

Provas físicas versus relatos testemunhais

Técnicos e peritos presentes ao julgamento discutiram o alcance probatório de relatos testemunhais frente a laudos e evidências materiais. Em termos processuais, especialistas consultados pelo Noticioso360 afirmam que depoimentos emotivos têm papel relevante, mas precisam ser triangulados com documentos, registros eletrônicos e laudos periciais para adquirir peso definitivo.

Essa dicotomia marcou boa parte das intervenções: enquanto a acusação busca integrar as declarações ao conjunto pericial, a defesa tenta isolar inconsistências para fragilizar a narrativa adversária.

Linhas centrais da acusação

O depoimento de Thayná reforçou duas linhas centrais da acusação: a alegação de agressões físicas feitas por Jairinho e a suposta omissão ou tentativa de influenciar testemunhas por parte de pessoas próximas ao caso. A testemunha trouxe relatos que, se corroborados, ajudam a reconstruir a dinâmica doméstica nas horas anteriores ao óbito.

A promotoria já apontou que ajustes em depoimentos são esperados durante investigações complexas, especialmente quando surgem novas evidências técnicas. Para os promotores, as correções feitas pela testemunha não invalidam, necessariamente, o valor probatório das novas declarações.

Possíveis desdobramentos

No plenário, houve consenso sobre a necessidade de ouvir outras testemunhas que possam corroborar pontos sensíveis do depoimento de Thayná, sobretudo sobre eventuais tentativas de influenciar familiares e conhecidos. Entre os próximos passos do processo estão a oitiva dessas testemunhas e a análise contínua de provas periciais já reunidas.

Juízes e analistas consultados ressaltam que relatos subjetivos, ainda que com forte carga emotiva, só ganham peso definitivo quando confrontados com provas materiais. Por isso, a fase probatória seguirá intensa nos próximos meses.

Contradições e impactos no julgamento

Divergências permanecem em pontos-chave, como datas exatas, natureza das pressões relatadas e detalhes dos episódios alegados. A defesa explorou essas diferenças para questionar a confiabilidade das versões modificadas ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, a acusação sustentou que a evolução das declarações é compatível com o processo de descoberta da verdade, especialmente quando a perícia técnica e documentos corroboram novas informações.

O contexto humano do depoimento

O episódio expôs a sensibilidade do caso. A cena da testemunha pedindo para sair e chorando teve forte repercussão entre advogados, juízes e público. Para muitos, momentos como esse atestam o impacto emocional que processos dessa natureza causam em quem conviveu com a vítima.

Especialistas em psicologia forense ouvidos pelo Noticioso360 observam que o estresse pós-óbito e tentativas de proteção de familiares podem interferir na memória e na disposição de testemunhar com precisão.

Bloco de sugestões (veja mais)

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o desenrolar das próximas oitivas e a integração de provas periciais podem redefinir trechos centrais do caso nos próximos meses.

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