Matheus Menezes, 25, foi desclassificado por não atingir 1,65 m na impulsão horizontal do TAF.

Candidato com nanismo é eliminado do concurso da PC-MG

Candidato com nanismo foi eliminado do concurso da Polícia Civil de MG após não atingir a marca mínima no teste físico; entidade questiona parâmetro.

Um candidato com nanismo foi eliminado do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais após não atingir a marca mínima exigida em um dos testes do Exame Biofísico (TAF).

Segundo o material recebido, a desclassificação ocorreu porque o concorrente não alcançou a marca mínima de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal. O nome divulgado é Matheus Menezes Matos, 25 anos, que participou das etapas físicas previstas no certame.

De acordo com a curadoria da redação do Noticioso360, há divergências entre o parâmetro adotado para a impulsão horizontal e as características antropométricas de pessoas com nanismo. A análise compilou dados públicos e documentos internos fornecidos ao portal, que apontam ausência de parametrizações específicas para candidatos com formas de nanismo.

O que diz o material apurado

O edital do concurso prevê etapas padronizadas para aferir força, resistência e impulsão. A impulsão horizontal, especificamente, tem a finalidade de avaliar capacidade de projeção corporal e força explodida, critérios geralmente associados à aptidão física para atividades operacionais.

No entanto, as informações recebidas indicam que não houve indicação de adaptação do teste nem menção a critérios alternativos para candidatos com déficits antropométricos. Fontes internas ao processo disseram que o candidato compareceu aos exames, realizou todas as provas, mas teve desempenho inferior ao mínimo estabelecido.

Argumentos da defesa de acessibilidade

Representantes da chamada Instituição Nacional de Nanismo afirmam que a exigência de 1,65 m na impulsão horizontal é incompatível com as medidas corporais típicas de pessoas com nanismo, o que tornaria o critério excludente.

“Parâmetros físicos padronizados podem não refletir a aptidão para o exercício das atribuições investigativas, que dependem também de raciocínio, conhecimento jurídico e técnicas de investigação”, disse um representante da entidade em nota obtida pela apuração.

Ausência de pronunciamento formal

Até o momento, não foi anexada ao material recebido qualquer declaração pública da banca organizadora ou da Polícia Civil de Minas Gerais detalhando os critérios técnicos adotados para aplicação do TAF no caso de candidatos com nanismo.

Essa ausência dificulta confirmar se houve tentativa de adaptação do teste, se o candidato foi informado previamente sobre possíveis incompatibilidades ou se ele apresentou recurso administrativo com fundamento em condição física especial.

Aspecto jurídico e direitos

Especialistas consultados na apuração destacam que pessoas com deficiência ou condições físicas atípicas têm direito a adaptações razoáveis em concursos públicos, desde que estas não comprometam a essência das atribuições do cargo.

“A exigência de desempenho mínimo deve ter justificativa técnica que comprove relação direta com as atividades do cargo. Caso contrário, tem-se risco de discriminação”, explicou uma advogada especializada em concursos e direito administrativo, ouvida sob condição de anonimato.

O que falta esclarecer

Para completar a investigação factual e normativa, faltam ao conjunto de documentos: o posicionamento oficial da Polícia Civil de Minas Gerais, o parecer técnico da banca organizadora sobre adaptação de provas, eventual recurso apresentado pelo candidato e laudos técnicos que fundamentem a exigência da marca mínima de impulsão.

Noticioso360 buscou registros oficiais e solicitou esclarecimentos às partes envolvidas. Até a conclusão desta matéria, não houve retorno com documentação que comprove a adoção de critérios diferenciados ou a motivação técnica da marca de 1,65 m.

Implicações práticas

Além da contestação sobre isonomia, o caso levanta dúvidas sobre a proporcionalidade entre requisitos físicos e atribuições de delegado, cargo que inclui atividades de investigação, gestão de equipes e tomada de decisões estratégicas. Em muitas situações, a aptidão intelectual e técnica tem peso igual ou superior à aptidão física.

Por outro lado, autoridades de segurança costumam defender que padrões físicos ajudam a garantir preparo para situações de esforço e risco operacional. A falta de documentos públicos que correlacionem o parâmetro ao exercício das funções impede uma avaliação técnica conclusiva.

Próximos passos recomendados

A cobertura recomenda obtenção do edital completo e de eventuais laudos técnicos que embasaram a marca exigida na impulsão. Também é importante acompanhar eventual recurso administrativo do candidato e a resposta oficial da Polícia Civil de Minas Gerais e da banca organizadora.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Bloco de sugestões (veja mais)

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o episódio pode motivar debates sobre acessibilidade e critérios técnicos em concursos públicos nos próximos meses.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima