Brenda Maia, 32 anos, morreu após procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Justinópolis, em Ribeirão das Neves, no dia 6 de junho. Segundo relato enviado à redação, a família afirma que ela foi atendida inicialmente, recebeu orientação de que se tratava de dor muscular e, após piora, acabou evoluindo para óbito.
De acordo com a apuração da redação do Noticioso360, que cruzou as informações fornecidas pela família com checagens em fontes públicas disponíveis, as narrativas sobre o atendimento apresentam lacunas que exigem verificação documental. Até o momento não foi possível localizar nota oficial da Prefeitura de Ribeirão das Neves, da direção da UPA Justinópolis ou da Secretaria de Saúde estadual nos materiais recebidos pela reportagem.
O relato da família
Parentes de Brenda relatam surpresa e indignação diante da rapidez com que o quadro clínico se agravou. Segundo o depoimento enviado ao portal, ela buscou a UPA sentindo dor e foi atendida. Depois desse atendimento inicial, a família diz que houve piora significativa e, em seguida, o óbito.
Os familiares afirmam não ter recebido explicações claras sobre exames realizados, condutas adotadas ou documentação que registrasse a evolução do caso. Por isso, cobram acesso ao prontuário, ao cartão de atendimento e a quaisquer laudos ou registros que detalhem intervenções médicas ou eventuais procedimentos de emergência.
O que a apuração identificou
A checagem do Noticioso360 encontrou lacunas: não havia, nos materiais compartilhados com a reportagem, documentos oficiais que confirmassem horário de entrada, classificação de risco, sinais vitais medidos ou pedidos e resultados de exames laboratoriais e de imagem. Também não foi possível confirmar, no trecho analisado, a existência de nota da unidade de saúde explicando a sequência de atendimento.
Essas ausências deixam abertas questões centrais para entender o caso, entre elas: havia registro de triagem com classificação de risco? Foram anotados sinais vitais? Há prontuário eletrônico ou físico que descreva a evolução clínica e intervenções? Foi emitido relatório de atendimento e houve comunicação formal à família sobre a causa do óbito?
Perguntas que precisam de resposta
Para que as diferenças entre as versões sejam esclarecidas, autoridades e gestores de saúde deveriam responder, de forma objetiva, aos seguintes pontos:
- Existe prontuário com registro da chegada de Brenda e da triagem? Qual a classificação de risco atribuída?
- Quais sinais vitais foram aferidos e em que horários?
- Foram solicitados exames laboratoriais ou de imagem? Há resultados registrados?
- Quais profissionais atenderam Brenda e quais intervenções foram feitas?
- Foi emitido laudo de óbito ou necropsia e a família recebeu explicação formal sobre a causa da morte?
Protocolos e responsabilidades
Unidades de urgência como as UPAs têm protocolos que incluem acolhimento com classificação de risco, registro detalhado do atendimento e comunicação com familiares. Se, como relata a família, houve orientação inicial de que se tratava de “dor muscular”, a administração da UPA precisa esclarecer se essa foi uma hipótese diagnóstica preliminar registrada em prontuário, um comentário informal do acolhimento ou resultado de uma avaliação clínica parcial.
Por outro lado, é importante distinguir relatos emocionais e imediatos — comuns em situações de perda — de documentos médicos e laudos oficiais. A conclusão sobre a causa da morte depende, em última instância, de registros clínicos e, quando aplicável, do laudo médico-legista ou necropsia.
Medidas recomendadas pela reportagem
Diante das lacunas identificadas na apuração, a reportagem recomenda uma sequência de ações para a família e para as autoridades:
- Requisição imediata do prontuário e do cartão de atendimento de Brenda pela família, por meio de requerimento formal à UPA ou à Secretaria Municipal de Saúde.
- Pedido oficial de informações à Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão das Neves sobre horários de atendimento, profissionais envolvidos e documentação do caso.
- Solicitação de imagens de circuito interno da unidade, caso existam, e autorização para perícia se necessário.
- Verificação sobre a existência de sindicância interna, investigação pela Corregedoria de Saúde ou ação do Ministério Público.
Transparência como ferramenta
A transparência institucional costuma reduzir ambiguidades e ajudar familiares a compreender o que ocorreu. Divulgação de um relatório sucinto sobre os fatos e procedimentos realizados, com indicação de documentos e responsáveis, é uma prática que pode contribuir para a elucidação de episódios como este.
Se forem identificadas falhas documentais ou irregularidades no atendimento, a família tem o direito de buscar assistência jurídica e exigir investigação formal. Procedimentos administrativos e, quando cabível, criminais, são instrumentos previstos para apurar responsabilidades.
O papel da imprensa e do acompanhamento
A cobertura jornalística tem papel de acompanhamento: pedir documentos, cobrar respostas e registrar a versão oficial. A apuração do Noticioso360 segue em busca de nota da UPA, da Secretaria Municipal de Saúde e de eventual laudo médico-legista que explique com precisão a sequência de atendimento e a causa do óbito.
Publicaremos atualizações assim que forem obtidos documentos oficiais ou posicionamentos institucionais que complementem ou corrijam as informações aqui apresentadas.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que maior transparência e documentação adequada dos atendimentos de urgência podem reduzir conflitos entre famílias e unidades de saúde e aperfeiçoar protocolos nos próximos meses.
Veja mais
- Automedicação com corticoides pode aumentar a pressão intraocular e causar danos irreversíveis ao nervo óptico.
- NOVA, da USP, classifica alimentos por processamento; ultraprocessados têm relação observada com hipertensão e eventos cardíacos.
- Presunto e salame fornecem proteína, mas não devem ser a principal fonte diária.



