Estudos indicam que fórmulas AREDS/AREDS2 podem reduzir progressão da degeneração macular em grupos de risco.

Luteína e zeaxantina podem retardar perda de visão

Evidência clínica mostra que suplementos com luteína e zeaxantina reduzem progressão da degeneração macular em pacientes de risco; não é prevenção universal.

A suplementação com luteína e zeaxantina, quando usada em fórmulas padronizadas testadas em ensaios clínicos, pode reduzir a progressão da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) em pacientes considerados de risco. Os resultados vêm de grandes estudos randomizados que orientam a prática oftalmológica, mas não indicam que comprimidos vendidos livremente previnam a doença em toda a população.

O primeiro grande ensaio que serviu de referência foi o Age-Related Eye Disease Study (AREDS), publicado no New England Journal of Medicine em 2001. O estudo avaliou uma combinação de antioxidantes (vitamina C, vitamina E, beta‑caroteno) com zinco e cobre e mostrou redução de cerca de 25% no risco de progressão para perda visual significativa em participantes com DMRI avançada em um olho ou com alterações intermediárias.

Segundo análise da redação do Noticioso360, os dados do AREDS ajudaram a definir que a intervenção tem público‑alvo claro: pacientes com lesões retinianas intermediárias ou avançadas. Em pessoas sem alterações na retina, não há evidência robusta de benefício da suplementação.

O que acrescentou o AREDS2

Em 2013, o estudo AREDS2, também publicado no New England Journal of Medicine, testou alterações à fórmula original. Entre as principais conclusões estavam duas mensagens práticas: substituir o beta‑caroteno por luteína e zeaxantina mostrou‑se seguro e, em muitos casos, preferível — sobretudo para fumantes e ex‑fumantes, já que o beta‑caroteno foi associado a maior risco de câncer de pulmão nesse grupo.

Além disso, a adição de ácidos graxos ômega‑3 à fórmula não demonstrou redução consistente na progressão da DMRI nas análises principais do estudo. Esses achados ajudaram a consolidar versões atualizadas das fórmulas AREDS/AREDS2 usadas por oftalmologistas.

Quem pode se beneficiar

O benefício documentado aplica‑se, em linhas gerais, a pacientes com:

  • DMRI intermediária (lesões pigmentares e drusas grandes);
  • Doença avançada em um dos olhos (com risco de avanço no olho contralateral).

Para esses grupos, as fórmulas padronizadas podem reduzir a velocidade de perda visual e o risco de evolução para formas mais graves da doença. Por outro lado, a suplementação indiscriminada em pessoas sem sinais de DMRI não tem suporte consistente na literatura.

Diferença entre estudos e produtos comerciais

Uma advertência importante que surge da leitura dos ensaios é a diferença entre as formulações testadas e muitos produtos comercializados. As cápsulas usadas em AREDS/AREDS2 têm doses e combinações específicas de nutrientes (quantidade de luteína e zeaxantina, níveis de zinco etc.).

Produtos vendidos sem seguir exatamente essas dosagens não podem ser automaticamente equiparados às fórmulas do estudo. A variação de concentração e a presença de outras misturas ‘para a visão’ tornam inseguro extrapolar os resultados dos ensaios para qualquer suplemento rotulado como benéfico para a retina.

Riscos e contra‑indicações

Os estudos também ressaltaram que há riscos e efeitos adversos a considerar. O beta‑caroteno, por exemplo, aumenta o risco de câncer de pulmão em fumantes e ex‑fumantes, razão pela qual a substituição por luteína e zeaxantina é recomendada para esses pacientes.

Outros pontos a avaliar antes de começar suplementação incluem interações com medicamentos, histórico de saúde (doenças crônicas, alergias) e características individuais da dieta. Por isso, a decisão deve ser tomada em conjunto com um oftalmologista ou médico de confiança.

O que a prática clínica recomenda

O consenso entre especialistas, com base nos resultados de AREDS e AREDS2 e em guias clínicos, é que a indicação de suplementos deve ser criteriosa. Em linhas práticas:

  • Procurar avaliação oftalmológica completa antes de iniciar qualquer suplemento;
  • Utilizar produtos cuja composição e dosagem se aproximem das fórmulas testadas em ensaios controlados;
  • Evitar beta‑caroteno em fumantes ou ex‑fumantes e preferir formulações com luteína e zeaxantina;
  • Manter acompanhamento regular da retina para monitorar progressão e ajustar condutas.

Comunicação pública e riscos de interpretação

Na cobertura jornalística, manchetes sobre ‘pílulas que melhoram a visão’ podem dar impressão equivocada de que qualquer suplemento previne a DMRI. A apuração do Noticioso360 indica que a diferença entre população geral e grupos de risco nem sempre foi destacada em reportagens da época.

Essa imprecisão tem implicações práticas: pacientes podem adquirir produtos com doses inferiores às dos ensaios, ou misturas não testadas, e assim não obter o benefício documentado. Além disso, expectativas erradas podem postergar consultas oftalmológicas e tratamentos indicados.

Recomendações práticas para pacientes

Se você tem histórico familiar de DMRI, visão embaçada ou foi orientado por um oftalmologista, as recomendações são claras:

  • Faça avaliação de retina para confirmar estágio da doença;
  • Converse com seu médico sobre a indicação de uma fórmula AREDS/AREDS2; ele pode indicar produto com dose correta de luteína e zeaxantina quando indicado;
  • Informe seu histórico de tabagismo e uso de medicamentos;
  • Mantenha hábitos de vida saudáveis: dieta equilibrada, controle de pressão arterial e glicemia, proteção solar ocular e cessação de tabagismo.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que avanços em pesquisas nutricionais e melhores diretrizes de prescrição podem redefinir o manejo da degeneração macular nos próximos anos.

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