Em vestiários e grupos de mensagens, relatos e vídeos mostram homens tomando um comprimido de tadalafila antes do treino, na crença de que o remédio aumenta o fluxo sanguíneo, melhora o “pump” muscular e potencializa ganhos de massa. A prática, crescente em academias de diferentes cidades, mistura relatos pessoais, ofertas online e recomendações não médicas.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou depoimentos, anúncios em marketplaces e estudos científicos, a tendência tem base em plausibilidade fisiológica, mas carece de evidência clínica robusta para justificar o uso recreativo entre frequentadores jovens e saudáveis.
Como a tadalafila age e por que parece fazer sentido
A tadalafila é um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), aprovado para tratar disfunção erétil e, em doses específicas, hipertensão arterial pulmonar. O medicamento aumenta a ação do óxido nítrico, promovendo vasodilatação e relaxamento do músculo liso vascular.
Em teoria, maior vasodilatação poderia ampliar o fluxo sanguíneo para o músculo em atividade, realçando o chamado “pump” — sensação de músculos mais cheios durante e logo após séries intensas. É esse efeito fisiológico que sustentou a hipótese e motivou testes iniciais, observações anedóticas e o compartilhamento em redes sociais.
O que dizem os estudos
Revisões acadêmicas consultadas pela redação mostram que evidências sobre melhora de desempenho esportivo ou ganho de massa com tadalafila são escassas e inconclusivas. Muitos estudos são pequenos, focados em modelos animais ou em populações com condições clínicas específicas — como idosos ou pacientes com doenças vasculares —, o que limita a extrapolação para jovens saudáveis nas academias.
Algumas pesquisas apontam efeitos agudos na perfusão tecidual, mas resultados variam quanto à magnitude e à tradução prática em força, hipertrofia ou resistência. Em síntese: plausibilidade fisiológica existe, mas teoria não equivale a prova clínica.
Riscos e efeitos colaterais
Especialistas ouvidos por veículos internacionais e por publicações brasileiras alertam para riscos concretos. A tadalafila pode diminuir a pressão arterial — especialmente perigosa se combinada com álcool, suplementos que contenham nitratos ou medicamentos anti-hipertensivos.
Efeitos adversos comuns incluem cefaleia, tontura, rubor e congestão nasal. Em casos raros, há relatos de problemas visuais e priapismo — uma ereção persistente que exige atendimento médico imediato. Usuários que fazem uso sem orientação também correm o risco de interações medicamentosas não avaliadas.
Quem deve evitar
Pessoas com histórico de doenças cardiovasculares, uso de nitratos, pressão arterial baixa ou com prescrição regular de medicamentos para o coração devem evitar a automedicação. Especialistas recomendam consulta médica antes de qualquer uso off‑label.
Por que a moda se espalhou nas academias
Além da hipótese farmacológica, fatores sociais explicam a difusão. O acesso facilitado a genéricos e a oferta em lojas online reduz barreiras de compra. Nas redes sociais, influenciadores e frequentadores praticam e divulgam o consumo com relatos pessoais — um “hábito anedótico” que viraliza e é rapidamente imitado.
Há ainda a busca por soluções rápidas para melhorar a aparência do treino: um “before and after” mais evidente pode gerar validação social imediata, reforçando o comportamento entre pares.
Recomendações de especialistas
Médicos consultados nas fontes enfatizam três orientações práticas: evitar automedicação; consultar um médico antes de usar tadalafila; e priorizar estratégias comprovadas para ganho de massa — treino progressivo, alimentação adequada e descanso.
Profissionais de saúde também apontam a necessidade de fiscalizar a venda e a prescrição de medicamentos, educar o público sobre riscos e fiscalizar anúncios que sugiram indicações não aprovadas.
Contexto regulatório
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orienta sobre uso racional de medicamentos e alerta contra a automedicação. Até o momento desta apuração, não há normativas específicas direcionadas ao uso recreativo de inibidores de PDE5 em ambientes esportivos.
Fontes do mercado farmacêutico consultadas pela redação relatam aumento de vendas em alguns canais, mas não existem dados públicos consolidados sobre prescrições para esse fim.
Conclusão e projeção
O fenômeno combina um fundamento fisiológico plausível, difusão social acelerada e falta de investigação clínica consistente. A prática atual de usar tadalafila profilaticamente antes de treinos não tem respaldo científico claro e pode expor usuários a riscos evitáveis.
Se a tendência continuar, é provável que aumente a pressão por estudos clínicos mais amplos e por campanhas de esclarecimento público. Reguladores e sociedades médicas podem ser chamados a agir para coibir práticas inseguras e orientar o público.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e revisões científicas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode gerar demanda por regulamentação e educação sanitária nos próximos meses.
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