A atriz Fernanda Montenegro publicou em suas redes sociais denúncia de que sua voz e imagem foram utilizadas sem autorização em uma peça publicitária que divulga um suposto medicamento com promessa de cura milagrosa voltada a pessoas idosas.
Segundo o relato divulgado pela própria artista em 13 de julho de 2026, ela não autorizou participação em qualquer campanha comercial relacionada a esse produto. A peça, que circulou em redes sociais e aplicativos de mensagens, traz trechos de áudio e imagens que sugerem depoimento da atriz sobre os efeitos do tratamento.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, cruzando publicações, posts públicos e registros de reenvio em plataformas, há indícios de uso indevido de material de terceiros e de manipulação de conteúdo audiovisual. Ainda assim, a checagem inicial não confirma, de forma definitiva, a origem do áudio nem a autoria da montagem.
O que foi apurado
A apuração do caso seguiu três eixos principais: autenticação do conteúdo audiovisual, investigação da cadeia de veiculação e verificação das alegações sobre o produto junto às autoridades sanitárias.
Especialistas em mídia consultados pelo Noticioso360 explicam que tecnologias de síntese de voz e imagem (conhecidas como deepfakes) permitem a criação de peças que parecem autênticas. Além disso, trechos de entrevistas podem ser recortados e remontados fora de contexto, dando a impressão de que uma pessoa participou de um anúncio quando, na prática, não participou.
Autenticação técnica
Peritos forenses indicam caminhos para verificar a autenticidade de um material: análise dos metadados dos arquivos originais, comparação espectral do áudio, busca por edições e checagem de inconsistências visuais. No caso em questão, nossa equipe identificou diferenças entre versões difundidas e não teve, até o momento, acesso a arquivos brutos que possibilitem perícia conclusiva.
Fontes técnicas afirmam que, em campanhas fraudulentas, os autores costumam reutilizar trechos de arquivos públicos ou de entrevistas antigas, aplicando processamento para ajustar tom e entonação. Esse procedimento dificulta a identificação imediata da origem sem exames periciais.
Veiculação e responsabilização
O material circulou por redes sociais e grupos de mensagens, canais que permitem rápido alcance entre públicos vulneráveis, como idosos e seus familiares. A apuração do Noticioso360 mapeou páginas e perfis que reproduziram o anúncio para solicitar transparência sobre a origem e, quando possível, a remoção do conteúdo.
Do ponto de vista jurídico, o uso da imagem e da voz sem autorização configura violação dos direitos de personalidade e pode ensejar reparação civil e responsabilização criminal, conforme entendimento consolidado na jurisprudência nacional. A exploração comercial da imagem de pessoa idosa, ainda mais em contexto de saúde, agrava a questão.
O produto anunciado e a regulação
Publicidade de medicamentos e promessas de cura são reguladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por normas de publicidade que proíbem alegações terapêuticas sem comprovação científica. Se a peça publicitária anuncia efeitos milagrosos, há a possibilidade de infração administrativa e risco sanitário para consumidores.
O Noticioso360 protocolou pedidos de esclarecimento junto à Anvisa e ao Ministério Público para apurar se o produto possui autorização para comercialização e se a publicidade observou as normas em vigor. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta formal das autoridades consultadas.
Riscos ao público idoso
Pelo caráter sensível do público-alvo, especialistas em defesa do consumidor alertam que promessas de cura sem base científica podem levar à descontinuidade de tratamentos prescritos e a gastos desnecessários. Familiares são orientados a buscar orientação médica antes de adquirir qualquer produto e a desconfiar de publicidade que prometa resultados rápidos.
Organizações de proteção ao idoso e centros de referência em saúde mental ressaltam que a desinformação sobre tratamentos pode resultar em danos físicos e emocionais, e pedem medidas rápidas de retirada de conteúdo quando identificado uso indevido de imagem ou informação falsa.
Próximos passos da apuração
A redação do Noticioso360 continuará a solicitar às plataformas digitais informações sobre quem contratou e produziu o conteúdo, bem como cópias das versões originais do arquivo veiculado. Também serão buscados posicionamentos dos responsáveis pelos perfis que compartilharam o anúncio e, se identificados, dos fabricantes ou distribuidores do produto.
Caso haja indícios de infração sanitária ou de publicidade enganosa, o caminho inclui notificação à Anvisa e ao Ministério Público para abertura de investigação formal. Paralelamente, a defesa de direitos de personalidade pode mover medidas de urgência para remoção do conteúdo e reparação de danos.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Recomendações para leitores
Se você recebeu o anúncio, não compartilhe. Procure verificar a origem do conteúdo e consultar profissionais de saúde antes de considerar tratamentos. Denuncie publicações suspeitas nas plataformas e, quando possível, salve evidências (prints, links e datas) para auxiliar investigações.
Fontes
Especialistas alertam que casos assim podem levar a mais fiscalização e mudanças nas regras de publicidade de medicamentos, com impacto na forma como plataformas monitoram anúncios e na proteção de públicos vulneráveis.
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