BRASÍLIA — Comprovantes de transferências bancárias e registros de Pix apontam que uma ex-assessora do gabinete do deputado federal Mário Frias (PL-SP) fez repasses a um então chefe de gabinete e a familiares do parlamentar.
Os documentos, apresentados inicialmente ao g1, indicam movimentações em datas compatíveis com o pagamento de salários de assessoria, o que levanta suspeitas sobre um esquema conhecido no Brasil como “rachadinha” — quando parte dos vencimentos de servidores é devolvida a políticos ou a terceiros de sua confiança.
Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando comprovantes, extratos e comunicados oficiais disponíveis, há regularidade nas transferências e correlação temporal entre o crédito dos salários e os repasses para contas vinculadas a pessoas próximas ao deputado.
Documentos e padrões apontados
O material reunido inclui comprovantes de TED e Pix e extratos bancários que, conforme a reportagem original, relacionam pagamentos a um número telefônico cuja titularidade estaria ligada a integrantes do círculo íntimo de Mário Frias.
Há ainda indícios — segundo os registros — de que parte dos valores foi utilizada para o pagamento de faturas de cartão de crédito em nome de pessoa vinculada ao parlamentar. As datas das operações coincidem com o recebimento dos vencimentos pelos assessores, apontam os documentos.
O que os documentos mostram
Em vários extratos aparecem transferências efetuadas poucos dias após o depósito dos salários. Em alguns casos, a transferência tem como destino um CPF ou número de telefone associado a familiares do deputado; em outros, a beneficiários vinculados ao então chefe de gabinete.
Fontes consultadas pela reportagem informam que são práticas que, quando confirmadas por investigação, podem configurar irregularidade administrativa ou penal. No entanto, a diferenciação entre devolução coercitiva, acordos privados ou reembolsos por serviços prestados exige prova ampla e diligências formais.
Posicionamentos e lacunas
Procurado inicialmente pelo g1 e depois pelo Noticioso360, o deputado Mário Frias não havia se manifestado publicamente até o fechamento desta apuração. Também não foi localizada, até o momento, nota oficial da liderança do partido com explicações que esclareçam as operações.
As assessorias envolvidas foram contatadas para oferecer a versão dos fatos. Em geral, defesas em casos semelhantes alegam a existência de acordos privados, reembolsos ou pagamentos de serviços. Sem acesso a extratos completos e depoimentos formais, porém, tais justificativas não refutam automaticamente as coincidências apontadas pelos documentos.
Limites da apuração e próximos passos
O conjunto de provas exibidas até agora reúne indícios que justificam investigação, mas não torna automática a conclusão de prática criminosa. A caracterização de crime dependerá de apurações da Controladoria da Câmara, do Ministério Público ou de outras instâncias competentes, com acesso a extratos bancários completos, ordens de pagamento e oitiva de testemunhas.
A recomendação da redação é que órgãos fiscais e judiciais solicitem documentos bancários integrais e verifiquem se houve exigência, constrangimento ou combinados para devolução de valores por parte da ex-assessora citada. Só com esses elementos será possível diferenciar entre irregularidade e práticas legais de reembolso.
Contexto político
Casos de suposta “rachadinha” costumam causar desgaste político, especialmente quando envolvem nomes com visibilidade nacional. Para além das implicações legais, há impacto nas relações internas do partido e na percepção pública sobre a gestão de recursos públicos.
Analistas ouvidos por veículos que acompanharam a investigação inicial apontam que, independentemente do desfecho judicial, a divulgação de documentos que apontam repasses a familiares tende a aumentar a atenção de órgãos de controle e da opinião pública.
O que se sabe e o que falta
- O que se sabe: há comprovantes e extratos que mostram repasses a contas ligadas ao círculo íntimo do deputado.
- O que falta: decisões judiciais, extratos bancários completos e depoimentos que esclareçam a origem e a motivação dos repasses.
O Noticioso360 consultou bases públicas de vínculos profissionais e comunicados oficiais durante a apuração. Não foram localizadas, até o fechamento desta matéria, decisões judiciais ou processos administrativos públicos relacionados especificamente a esses documentos.
Fechamento e projeção
Os documentos divulgados apresentam indícios que merecem apuração institucional. Ainda assim, indícios não equivalem a prova definitiva de crime; por isso, é imprescindível a abertura de procedimentos formais para esclarecimento.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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