A apuração verifica se Flávio Dino usou pesquisa do Datafolha para comparar rejeição entre Mendonça e Moraes.

Dino citou Datafolha em defesa de Moraes? Checagem

Apuração do Noticioso360 não encontrou registros públicos nem pesquisa que comprovem a citação atribuída a Flávio Dino; declaração fica pendente de confirmação.

Apuração sobre fala atribuída a Flávio Dino no STF

Há circulação de um resumo atribuindo ao ministro Flávio Dino, em sessão do Supremo Tribunal Federal, o uso de dados do Instituto Datafolha para comparar índices de rejeição entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O material inicial — que chegou à redação como um resumo assinado pela OESTE.IA — cita um percentual de 34% favorável ao afastamento como evidência a favor de Moraes.

Segundo análise preliminar da redação do Noticioso360, a alegação merece verificação cuidadosa: falta confirmação pública do trecho da sessão e da existência de uma pesquisa pública com o recorte exato apresentado. A ausência de documentos primários impede, por enquanto, a confirmação da narrativa.

O que foi verificado

1. Registro da sessão do STF

Procuramos confirmar se houve sessão plenária em 15 de setembro de 2026 e se há registro oficial (ata, transcrição ou vídeo) contendo a fala atribuída a Dino. O portal do STF centraliza atas e transmissões pelo canal TV STF; contudo, dentro da base de dados disponível até o corte de coleta desta apuração, não há como acessar arquivos posteriores a junho de 2024.

Por isso, não encontramos transcrição oficial nem gravação pública que permita checar a frase específica ou o contexto em que supostamente teria sido citada a pesquisa do Datafolha. Recomendamos consultar diretamente a página de sessões do STF e a TV do STF para localizar a gravação e a ata da data mencionada.

2. Existência da pesquisa do Datafolha

O Instituto Datafolha costuma publicar fichas técnicas, questionários e planilhas que permitem verificar o texto exato das perguntas e o recorte amostral. Na documentação disponível até junho de 2024 não localizamos levantamento com o recorte específico indicado no resumo (um índice de 34% que apoiaria o afastamento, comparando Mendonça e Moraes).

Isso não significa, automaticamente, que tal pesquisa não exista: pode ter sido feita ou publicada após a data-limite da nossa base de verificação. Porém, sem acesso ao questionário, às tabelas de resultados e à ficha técnica, não é possível assegurar que o percentual citado se refira a uma pergunta direta sobre “afastamento” ou a um recorte restrito da amostra.

3. Repercussão em veículos jornalísticos

Também cruzamos buscas por reportagens em grandes redações e agências — como G1, Folha, Estadão, CNN Brasil, Reuters e BBC Brasil — que pudessem reproduzir a fala baseada em registro oficial ou na íntegra da pesquisa do Datafolha. Na nossa base de verificação não havia registros que confirmassem a circulação amplamente verificada dessa declaração.

Isso não prova inexistência de cobertura posterior, mas evidencia que a narrativa, tal como circulou no resumo inicial, carece de confirmação por múltiplas fontes independentes.

Análises sobre o uso do dado

Há razões para cautela ao replicar índices isolados. Um número — por exemplo, “34%” — pode derivar de várias formulações: perguntas com alternativas múltiplas, recortes por segmento de público, condicionamentos no enunciado ou perguntas que combinam fatores.

Sem a pergunta exata, a margem de erro, o período de coleta e o universo pesquisado, a interpretação do percentual pode ser enviesada. Além disso, a comparação direta entre dois ministros exige que a mesma pergunta tenha sido aplicada de forma idêntica para ambos os nomes, o que nem sempre é o caso em levantamentos eleitorais ou de opinião pública.

O que falta para confirmar

Para uma checagem plena são necessários — no mínimo — os dois documentos primários: (1) a gravação ou a ata da sessão plenária do STF onde a fala teria sido proferida; e (2) a ficha técnica, o questionário e as tabelas de resultados do Datafolha que contenham a pergunta e o recorte mencionados.

Também é recomendável solicitar posicionamento formal ao Instituto Datafolha e buscar reportagens ou verificações independentes publicadas por grandes redações e serviços de fact‑checking.

Possíveis interpretações e omissões

Na avaliação editorial, há indícios de que o resumo inicial pode omitir contexto relevante. Um dado isolado tende a ganhar significado distorcido quando sacado do conjunto da pesquisa ou quando apresentado sem as opções de resposta e sem a explicação do universo amostral.

Se, por exemplo, 34% referirem-se a uma alternativa específica entre várias, não será correto interpretar o número como “maioria” ou como um apoio automático a medidas drásticas sem considerar enquadramento e margem de erro.

Recomendações da redação

A redação do Noticioso360 recomenda cautela na reprodução da afirmação até que sejam apresentados os documentos primários. Passos imediatos sugeridos:

  • Consultar o portal do STF e a TV do STF para localizar a ata e a gravação da sessão de 15/09/2026;
  • Solicitar ao Datafolha a ficha técnica e o questionário do eventual levantamento citado;
  • Verificar se agências de checagem independentes ou grandes veículos publicaram apurações sobre o mesmo conteúdo.

Conclusão provisória

Há relato atribuindo a Flávio Dino o uso de dados do Datafolha para comparar rejeição entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Entretanto, dentro das fontes acessíveis a esta apuração, não foi possível localizar a fala em registro oficial nem a pesquisa do Datafolha com o recorte citado.

Portanto, a alegação deve ser considerada pendente de confirmação até que se consultem os documentos originais. Recomendamos que jornalistas e leitores busquem os registros primários antes de replicar o dado isolado.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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Analistas apontam que o episódio, se confirmado com documentos primários, pode ganhar repercussão e influenciar o debate público sobre a confiança institucional nos próximos meses.

Fontes

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