Empresário afirma ter transferido R$ 69 milhões ao fundo Havengate por solicitação de Daniel Vorcaro.

Delator diz ter feito 7 repasses ao fundo Havengate

Acordo de colaboração na PGR aponta sete remessas de cerca de R$ 69 milhões ao Havengate, atribuídas a orientações de Daniel Vorcaro.

Delator relata sete transferências ao fundo Havengate

O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou sete repasses ao fundo norte-americano Havengate em 2025, a pedido de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o relato consultado pelo Noticioso360, o total desses repasses chegaria a cerca de R$ 69 milhões, por meio de operações internacionais atribuídas a empresas interpostas.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base na comparação de documentos do acordo e reportagens publicadas, os trechos apontam datas, valores aproximados e trajetórias dos recursos entre contas no Brasil e entidades nos Estados Unidos. A apuração buscou confrontar essas informações com registros públicos e notas oficiais.

O que diz o acordo de colaboração

De acordo com os documentos mencionados, o colaborador descreve instruções diretas para que as remessas fossem feitas ao veículo financeiro identificado como Havengate, com atuação internacional. O acordo detalha, segundo fontes consultadas, datas e valores aproximados das operações, além de apontar empresas usadas como intermediárias nas transferências.

O relato atribui a iniciativa e a orientação dessas remessas a Daniel Vorcaro, mas não transforma automaticamente a narrativa em prova definitiva. A PGR confirmou a abertura de procedimento para análise das declarações, mas ainda não decidiu sobre indiciamentos ou medidas cautelares contra os citados.

Contraposição de versões e lacunas

Outras reportagens e fontes consultadas trazem versões divergentes. Enquanto o delator sustenta que agiu sob orientação do fundador do Banco Master, representantes ligados a Vorcaro e ao próprio banco, segundo apurações, apresentaram notas negando irregularidades ou esclarecendo que operações tiveram fins empresariais e de investimento.

Há, portanto, três pontos centrais de disputa entre as versões: a quantificação exata dos repasses (valores por operação versus montante agregado), a finalidade atribuída aos recursos (investimentos, pagamento por serviços ou outra destinação) e a reação das pessoas e empresas citadas.

Documentos e trajetos financeiros

O material examinado pelo Noticioso360 indica que as transferências teriam saído de contas vinculadas a empresas interpostas no Brasil e passado por rotas financeiras internacionais até chegar a entidades associadas ao Havengate nos Estados Unidos. Ainda assim, a origem precisa dos R$ 69 milhões exige confirmação documental adicional, como extratos bancários, registros cambiais e contratos.

Especialistas em compliance ouvidos pela reportagem destacam que a existência de remessas não comprova ilegalidade por si só, mas que a combinação de intermediários, instruções verbais e ausência de justificativas contratuais forma um quadro que demanda investigação aprofundada.

Reações institucionais e status na PGR

A Procuradoria-Geral da República recebeu o acordo e instaurou procedimento preliminar para verificar as declarações. Entre os passos previstos estão pedidos de cooperação jurídica internacional, diligências por meio de cartas rogatórias e solicitações de extratos e documentos bancários às jurisdições envolvidas.

Até o momento, não há sentença judicial definitiva ou medida que confirme responsabilização criminal das pessoas citadas. A investigação pode evoluir para indiciamentos caso sejam reunidas provas que corroborem o teor das alegações do colaborador.

O que já foi checado

O Noticioso360 cruzou trecho do acordo com reportagens do Poder360 e da Reuters, além de consultar registros públicos de duas jurisdições onde o Havengate figura como parte interessada. Nosso trabalho identificou coincidências em datas e estruturas societárias, mas também lacunas que só serão preenchidas se as autoridades locais compartilharem informações bancárias e contratuais.

Fontes próximas ao caso, ouvidas sob condição de anonimato, afirmaram que alguns dos documentos mencionados no acordo existem, mas que é preciso confirmar correspondência entre as movimentações e a finalidade alegada pelo colaborador.

Impactos e implicações

Se confirmadas, as alegações podem trazer repercussões para o grupo financeiro associado a Vorcaro, incluindo risco reputacional, investigações regulatórias e possíveis desdobramentos civis ou penais. Por outro lado, a inexistência de documentos que fundamentem as remessas ou a apresentação de justificativas contratuais pode enfraquecer a versão do delator.

Especialistas em direito empresarial consultados pela reportagem ressaltam que processos que envolvem transferências internacionais e fundos estrangeiros costumam demandar tempo e cooperação entre autoridades de diferentes países.

Próximos passos esperados

Analistas jurídicos preveem que a PGR deverá solicitar colaboração internacional para acessar extratos e contratos nos Estados Unidos, além de ouvir outros possíveis envolvidos e solicitar esclarecimentos formais ao Banco Master e a Vorcaro. A apuração do Noticioso360 permanecerá ativa para acompanhar diligências e eventuais manifestações das partes.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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