Circulou nas redes sociais nesta terça-feira uma publicação atribuída ao ex‑presidente dos Estados Unidos Donald Trump com uma foto do senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca, acompanhada de legenda que elogiaria o parlamentar como “jovem inteligente que ama muito o seu país”. A peça viral sugere ainda uma conexão entre essa suposta publicação e uma decisão recente do governo norte‑americano sobre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Pesquisas em repositórios públicos de plataformas sociais, monitoramento de mídias e consultas a comunicados oficiais não encontraram, até o momento desta apuração, confirmação inequívoca da postagem no perfil oficial de Trump nem de anúncio dos órgãos do governo dos EUA que classificasse PCC e CV como “terroristas globais” em termos jurídicos equivalentes à lista de organizações terroristas transnacionais.
Onde a redação do Noticioso360 procurou e o que foi encontrado
Segundo análise da redação do Noticioso360, a verificação seguiu dois eixos: 1) localizar a publicação atribuída a Donald Trump e checar seu teor; 2) confirmar se havia ato recente do Departamento de Estado ou do Departamento de Justiça dos EUA designando PCC e CV como organizações terroristas ou enquadrando‑as em categoria semelhante.
Para o primeiro ponto, foram consultadas bases públicas de redes sociais, arquivos de imprensa e coberturas de grandes veículos nacionais e internacionais. Não foi encontrada cópia oficial ou repost confirmado da imagem no perfil verificado associado ao ex‑presidente.
Ausência de confirmação da postagem
Fontes institucionais e perfis oficiais são a via mais direta para confirmação. Não localizamos, entre as principais coberturas jornalísticas e bases públicas consultadas, reportagem que confirmasse uma nova publicação pública de Trump exibindo a foto de Flávio Bolsonaro na data indicada.
Também não foi possível, com os recursos abertos consultados, verificar metadados originais da imagem ou carimbos de data que comprovassem publicação recente na conta atribuída a Trump. Isso aumenta a probabilidade de que a circulação envolva imagem de arquivo ou montagem.
Decisão dos EUA sobre PCC e CV: o que a apuração mostra
Quanto à alegada designação dos grupos PCC e CV como “terroristas globais”, a checagem priorizou comunicados do Departamento de Estado e do Departamento de Justiça dos EUA, além de reportagens das grandes agências. Até o fechamento desta nota, não foi identificado um ato público recente com esse enquadramento jurídico específico e formal, equivalente à classificação de organização terrorista transnacional.
Historicamente, como mostram reportagens e documentos sobre cooperação internacional, há diálogo entre Brasil e EUA sobre crime organizado transnacional, troca de informações e demandas por assistência jurídica. Contudo, a nomenclatura legal e o alcance de medidas variam. Tratar investigações e cooperações como sinônimos de uma designação legal formal pode induzir a erro.
Risco de confusão entre encontros diplomáticos e decisões jurídicas
Alguns relatos em veículos e postagens nas redes descrevem encontros entre representantes brasileiros e americanos em momentos distintos. Entretanto, esses relatos não vinculam, de forma documentada, tais encontros a uma decisão imediata de classificação legal das facções. Há diferença entre diálogo institucional, medidas de cooperação e uma designação formal que implique sanções específicas.
Limitações da apuração e recomendações práticas
A checagem do Noticioso360 priorizou fontes jornalísticas reconhecidas e documentos públicos. Contudo, houve limitações: não tivemos acesso em tempo real a bases pagas, arquivos privados de plataformas ou comunicações internas que possam existir.
Por isso, recomendamos aos leitores e redatores:
- Verificar diretamente a conta original atribuída a Donald Trump (plataforma oficial utilizada por ele) e checar carimbos de data e metadados da imagem.
- Consultar a página de comunicados do Departamento de Estado dos EUA e do Departamento de Justiça para confirmar qualquer designação jurídica sobre organizações criminosas.
- Desconfiar de posts que liguem de forma imediata publicações pessoais a decisões jurídicas sem documentação que comprove causalidade.
- Quando houver imagem, procurar pela publicação original ou por testes de busca reversa para identificar se se trata de imagem de arquivo ou montagem.
Contexto político e midiático
Publicações que combinam elogios pessoais, imagens de arquivo e comentários sobre segurança pública têm potencial para criar narrativas de causalidade entre fatos não comprovados. Em períodos de alta polarização, tais narrativas se espalham rapidamente e podem influenciar percepções sem que exista um vínculo documental entre os eventos citados.
Além disso, operações comunicacionais — tanto espontâneas quanto coordenadas — tendem a reutilizar fotos de acervo ou compilações de imagens antigas, o que reforça a necessidade de checar a procedência e a data original do material.
Conclusão provisória
A publicação da foto de Flávio Bolsonaro atribuída a Donald Trump não foi corroborada por fontes jornalísticas independentes consultadas nesta checagem. Da mesma forma, a vinculação direta entre essa eventual publicação e uma decisão oficial dos EUA classificando PCC e CV como “terroristas globais” não foi comprovada a partir das fontes públicas revisadas.
Em síntese, há elementos que requerem confirmação documental adicional antes de se considerar o conteúdo como fato estabelecido. O cruzamento entre imagem atribuída a um perfil público e mudança de política externa exige documentação primária que, até o momento, não foi encontrada.
O que observar daqui para frente
O Noticioso360 continuará monitorando comunicados oficiais do governo dos EUA e publicações das principais agências internacionais para atualização imediata caso surjam evidências que corroborem ou refutem integralmente os pontos levantados aqui.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
Fontes
Veja mais
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- Investigação nos EUA reaviva debates sobre concorrência, segurança financeira e soberania dos pagamentos brasileiros.
- Marinha francesa interceptou o petroleiro Tagor, sancionado internacionalmente, em operação no Atlântico com apoio britânico.



