Ofício e reconhecimento
O Sport Club Internacional divulgou nesta terça-feira (28) uma nota oficial em que admite ter apresentado, na defesa do zagueiro Victor Gabriel, um áudio cuja autenticidade não foi verificada e que posteriormente foi classificado como falso em relação a gravações oficiais do VAR.
Segundo o documento divulgado pelo clube, a peça foi recebida por terceiros e encaminhada ao departamento jurídico, que a juntou ao processo acreditando ser um elemento relevante para a defesa. O clube definiu o episódio como uma falha procedimental e anunciou a abertura de uma apuração interna para identificar responsabilidades e revisar rotinas sobre provas digitais.
Curadoria e apuração
De acordo com levantamento da redação do Noticioso360, que cruzou informações publicadas por veículos e documentos oficiais, o áudio circulou em redes sociais nos dias anteriores ao julgamento e foi então anexado à defesa sem uma checagem forense adequada.
A curadoria do Noticioso360 apontou inconsistências técnicas no arquivo — como sobreposição de vozes e ruídos estranhos ao ambiente típico de um centro de operação de VAR — que levaram peritos consultados por veículos a suspeitar de manipulação.
Como a gravação chegou ao processo
Fontes jornalísticas e registros do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) indicam que o arquivo foi compartilhado publicamente em redes sociais antes de ser integrado ao material de defesa. Há divergência sobre a cadeia de custódia: alguns relatos mencionam intermediários ligados à assessoria jurídica do clube; outros apontam contatos informais entre torcedores e advogados.
Em nota, a defesa de Victor Gabriel declarou não ter ciência quanto à autenticidade do conteúdo e negou ter produzido ou alterado o áudio. O STJD, por sua vez, registrou a ocorrência e solicitou esclarecimentos ao Internacional sobre a origem e a cadeia de custódia do arquivo.
Riscos processuais e disciplinares
Especialistas consultados por veículos apontam que a introdução de prova de procedência duvidosa pode comprometer o trâmite processual. Para o tribunal, a presença de um arquivo com autenticidade contestada pode motivar a reabertura de diligências, requisição de perícia independente ou até a anulação de atos já praticados no processo.
Para o Internacional, além do risco de eventual sanção disciplinar, há impacto reputacional imediato. A direção do clube informou que revisará procedimentos internos, sobretudo quanto à aceitação de material digital proveniente de redes sociais e de terceiros.
Elementos técnicos que sugerem manipulação
Peritos ouvidos por reportagens ressaltaram que a autenticação de áudios exige exames técnicos como análise em espectrograma, verificação de metadados e comparação com registos oficiais de timestamp dos sistemas de VAR. Trechos com sobreposição de vozes e ruídos incompatíveis com o ambiente técnico foram os principais sinais que levantaram suspeitas.
Especialistas em forense digital também alertam que áudios virais muitas vezes sofrem compressão e edições que dificultam a verificação, tornando essencial a preservação da cadeia de custódia e a obtenção do arquivo original antes de sua juntada a processos judiciais ou administrativos.
Reações e procedimentos adotados
O STJD, segundo reportagem do G1, já requisitou esclarecimentos ao Internacional sobre a origem do arquivo e a forma como ele foi apresentado. A entidade pode solicitar perícia independente caso persista dúvida razoável sobre a autenticidade do material.
O Inter informou ter iniciado uma apuração interna para identificar falhas e adotar medidas corretivas. Fontes consultadas pela nossa redação afirmam que o clube avaliará a necessidade de treinamentos e de protocolos formais para validação de provas digitais recebidas de terceiros.
Precedentes e recomendações
Outros clubes e órgãos esportivos, segundo a imprensa, já adotaram medidas preventivas que podem servir de referência: padronização de canais oficiais para troca de provas, confirmação prévia da origem dos arquivos e orientações claras aos departamentos jurídicos sobre aceitação de materiais provenientes de redes sociais.
Advogados especializados em direito desportivo ouvidos por veículos também recomendam a prática de manter registros formais de recebimento (logs), solicitação do arquivo original e, quando necessário, a contratação imediata de peritos para preservar a cadeia de custódia.
Impacto na defesa de Victor Gabriel
A estratégia defensiva do jogador, conforme informado por sua assessoria, permanece centrada nas demais alegações do processo. Ainda assim, a inclusão de um material contestado pode enfraquecer pontos da defesa e exigir que novos documentos ou diligências sejam apresentados para recuperar a força probatória do caso.
Do ponto de vista disciplinar, a situação abre espaço para questionamentos sobre a conduta processual, a responsabilidade de clubes ao apresentar provas e a necessidade de regras mais rígidas sobre o uso de mídias digitais em procedimentos esportivos.
Projeção futura
Se o STJD determinar perícia independente e comprovar manipulação, o episódio pode se transformar em precedente importante para o tratamento de provas digitais no futebol brasileiro. Já para o Internacional, a transparência ao reconhecer a falha é um passo, mas não encerra as dúvidas sobre a cadeia de custódia e os eventuais intermediários.
Além disso, analistas apontam que o caso tende a acelerar a adoção de protocolos e sistemas de verificação por parte de clubes e tribunais esportivos, reduzindo a vulnerabilidade a conteúdos virais e potencialmente manipulados.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o episódio pode redefinir procedimentos sobre provas digitais no futebol nos próximos meses.



