O Banco do Brasil afirmou, em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre, que a inadimplência no segmento agroindustrial permanece em nível elevado, apesar das medidas adotadas para mitigar risco.
Na apresentação a analistas, a presidenta Tarciana Medeiros destacou que o banco intensificou a exigência de garantias em novas operações e ampliou instrumentos de renegociação para produtores em dificuldade. “Cerca de 70% das novas operações vinculadas ao Plano Safra passaram a contar com alienação fiduciária como garantia”, disse a executiva.
Curadoria e origem dos dados
De acordo com dados compilados pela redação do Noticioso360, que cruzou comunicados oficiais e declarações da administração do banco, a adoção da alienação fiduciária tem crescido como resposta à maior exposição do setor a choques climáticos e de preço.
A curadoria do Noticioso360 confirmou que o percentual de 70% refere‑se às novas contratações no período recente do Plano Safra e não pode ser extrapolado para toda a carteira agro do banco. Fontes oficiais do BB e trechos divulgados na teleconferência serviram de base para a apuração.
Medidas do Banco do Brasil para reduzir perdas
Segundo a direção, a estratégia combina medidas preventivas e reativas. Na ponta preventiva, o uso ampliado da alienação fiduciária — em que o bem financiado permanece em garantia até a quitação — busca aumentar a recoverability em eventuais execuções.
“Estamos fortalecendo o monitoramento das carteiras e ampliando os instrumentos de renegociação para apoiar produtores que enfrentam dificuldades temporárias”, afirmou Medeiros durante a teleconferência.
Na prática, o BB tem revisado critérios de concessão, endurecido padrões de garantias em novas operações e intensificado análises por safra, região e cultura. Além disso, a instituição tem reportado provisões mais detalhadas por prazo e tipo de produto em seus relatórios trimestrais.
Renegociação e gestão de risco
Em complemento à garantia física, o banco tem priorizado acordos extrajudiciais e reestruturações que permitam ao tomador manter a atividade produtiva. Essas soluções, segundo a diretoria, reduzem perdas imediatas e preservam o vínculo comercial com o produtor.
O papel da MP 1.376
Medeiros citou a Medida Provisória 1.376 como um instrumento que pode facilitar a recuperação de créditos e trazer segurança jurídica às operações garantidas por alienação fiduciária.
De acordo com a apresentação, a MP prevê ajustes que podem acelerar procedimentos extrajudiciais e clarificar regras sobre garantias agropecuárias. A expectativa do banco é que essas mudanças reduzam tempo e custo na recuperação de ativos, tornando a garantia mais efetiva.
No entanto, o impacto da norma dependerá do texto final e da forma como será implementada na prática: velocidade de registro, interoperabilidade dos cadastros e capacidade das instâncias administrativas e judiciais em processar as ações são fatores determinantes.
Riscos e limitações da estratégia
Especialistas ouvidos pelo mercado lembram que alterar a composição das garantias em novas contratações não elimina de imediato o risco acumulado em carteiras originadas antes das mudanças contratuais. Operações mais antigas continuam sujeitas a choques de safra, preço e clima.
Além disso, a eficácia da alienação fiduciária está condicionada a aspectos práticos, como a correta identificação e registro dos bens, a rapidez de execução em caso de inadimplência e a capacidade do mercado de absorver ativos retomados sem destruição substancial de valor.
Analistas ressaltam ainda que, em momentos de crise setorial, a liquidez para venda de equipamentos ou terras pode ser reduzida, comprimindo preços e elevando perdas potenciais mesmo quando há garantia formal.
Transparência e acompanhamento
O Banco do Brasil informou que manterá a divulgação trimestral de dados detalhados sobre provisões, inadimplência por prazo e segmentação por produto, o que permitirá acompanhar a evolução do risco no setor.
Observadores do mercado recomendam atenção às séries históricas de atrasos por safra, ao volume de operações renegociadas e à velocidade com que eventuais mudanças normativas, como a MP 1.376, forem implementadas.
Conclusão e projeção
O Banco do Brasil reconhece um patamar de inadimplência elevado no segmento agro e aponta ações concretas — adoção ampla da alienação fiduciária em novas operações e expectativa em torno da MP 1.376 — como elementos para reduzir perdas no médio prazo.
Por outro lado, especialistas advertem que a normalização dos indicadores exigirá tempo, condições favoráveis de mercado e execução eficiente das novas regras. A combinação entre garantias mais robustas, reestruturações e maior transparência nos dados será determinante para observar melhora sustentável.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e comunicados oficiais.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário do crédito rural nos próximos trimestres.
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