SLS que lançará Artemis 2 reaproveita motores e boosters dos ônibus espaciais, gerando debate sobre custos e inovações.

Artemis 2 usa tecnologia herdada dos ônibus espaciais

Artemis 2 se apoia no SLS, que mistura motores RS-25 e boosters derivados dos ônibus espaciais; escolha traz previsibilidade e críticas.

A missão Artemis 2, prevista para levar astronautas em um sobrevoo lunar, será lançada pelo Space Launch System (SLS), um foguete cuja arquitetura combina soluções modernas e componentes com longa genealogia técnica.

Segundo análise da redação do Noticioso360, o SLS incorpora elementos que remontam ao programa dos ônibus espaciais e a projetos do início do século XXI, adaptados para as exigências atuais de segurança e desempenho. A estratégia da NASA foi projetar um sistema híbrido — parte legado, parte atualizado — para reduzir riscos em voos tripulados rumo à Lua.

Raízes históricas: motores e boosters

Os motores RS-25, que impulsionam o núcleo do SLS, são evoluções das SSME (Space Shuttle Main Engines), concebidos nas décadas de 1970 e 1980. Embora tenham passado por modernizações e revisões de manufatura, sua arquitetura fundamental deriva desses projetos originais.

Além disso, os propulsores de combustível sólido do SLS derivam diretamente dos boosters usados pelos ônibus espaciais. Para a família SLS, esses boosters foram adaptados para um formato de cinco segmentos — em oposição aos quatro segmentos do ônibus — e receberam atualizações em materiais, técnicas de fabricação e instrumentação.

Contratantes e adaptação tecnológica

Empresas como Boeing, Aerojet Rocketdyne e Northrop Grumman estiveram à frente da adaptação desses sistemas históricos. A Boeing trabalhou no núcleo estrutural, enquanto a Aerojet Rocketdyne atualizou os motores, e a Northrop Grumman forneceu os boosters sólidos sob contratos que integraram peças testadas ao novo projeto.

Segundo comunicados e reportagens cruzadas pela nossa redação, a opção por reaproveitar tecnologias conhecidas buscou diminuir incertezas técnicas e reduzir a curva de aprendizado em missões tripuladas. Em termos práticos, reutilizar conceitos e componentes testados no tempo pode acelerar cronogramas e reduzir o risco de falhas catastróficas em voos com tripulação.

Críticas sobre custo e inovação

Por outro lado, a estratégia atrai críticas de especialistas e parte da comunidade aeroespacial. Relatos das fontes consultadas apontam que a reutilização de tecnologia antiga pode elevar custos e perpetuar dependências industriais.

Há também um debate técnico: sistemas concebidos para um veículo diferente podem não ser, mesmo modernizados, os mais eficientes em termos de razão massa/empuxo ou custo por quilo lançado. Críticos afirmam que apostar em soluções herdadas pode ter privilegiado contratos e prazos políticos, em detrimento de alternativas comerciais emergentes, como foguetes pesados desenvolvidos por empresas privadas, que competem em custos e cadência de lançamentos.

Impacto orçamentário

Reportagens citadas pelas fontes indicam que o desenvolvimento do SLS implicou custos elevados e revisões orçamentárias. A complexidade de atualizar motores projetados originalmente para outro sistema, somada à integração de componentes diversos, contribuiu para aumentos de preço e cronogramas estendidos.

A crítica financeira também envolve o custo de manutenção industrial: manter linhas de produção, centros de teste e fornecedores especializados para peças históricas pode ser dispendioso quando comparado ao uso de plataformas comerciais amplamente escalonadas.

Por que a NASA defende o SLS?

Em resposta às críticas, autoridades da NASA têm ressaltado que a decisão foi técnica e de segurança. A agência argumenta que usar motores e conceitos que passaram por testes extensivos reduz a probabilidade de falhas inesperadas em missões tripuladas à Lua.

Além disso, a escolha do SLS é vista internamente como uma forma de garantir uma capacidade própria de acesso profundo ao espaço, sem depender exclusivamente de fornecedores comerciais. Para a NASA, há um equilíbrio entre manter expertise industrial estratégica e fomentar o mercado comercial.

Histórico institucional

O desenvolvimento formal do SLS foi consolidado no início da década de 2010, após o cancelamento do programa Constellation. Essa continuidade institucional explica por que muitos componentes do SLS têm gênese em projetos anteriores: aproveitar soluções comprovadas foi, em parte, uma resposta a limitações políticas e orçamentárias da época.

O que está confirmado na apuração

A verificação de fatos cruzou reportagens e comunicados da Reuters e da BBC Brasil. Entre os pontos confirmados estão: a origem dos RS-25 nas SSME das décadas de 1970–80; a consolidação do SLS na primeira metade da década de 2010; e o fato de que os boosters sólidos do SLS são evoluções dos usados pelos ônibus, com modificações para aumentar desempenho.

Esses elementos não significam que a tecnologia seja usada “como era” nos anos 1970 — há modernizações importantes em materiais, processos e controles. Ainda assim, a herança técnica é clara e visível na arquitetura do sistema.

Consequências para Artemis 2 e além

Para Artemis 2, a escolha do SLS traz benefícios de previsibilidade e uma base técnica com histórico de desenvolvimento extenso. Porém, também mantém o programa sujeito a críticas sobre custo e adaptabilidade diante de avanços tecnológicos recentes.

Especialistas ponderam que o caminho seguido pela NASA pode garantir segurança e continuidade, mas que o sucesso de longo prazo da iniciativa lunar dependerá também da integração com sistemas comerciais e da capacidade de controlar custos operacionais nas missões subsequentes.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

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Analistas apontam que a decisão sobre arquitetura de lançadores pode redesenhar prioridades orçamentárias e industriais nos próximos anos.

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