MPRJ investiga venda de imóveis atribuídos a Adriano; parte do patrimônio teria ido a deputado federal.

MPRJ rastreia bens de Adriano e aponta venda a deputado

MPRJ identificou venda de imóveis avaliados em R$3,5 milhões atribuídos a Adriano da Nóbrega, com transferência à viúva e a um parlamentar.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou movimentações patrimoniais que remontam à massa de bens atribuída a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como líder de milícia. Segundo a investigação, imóveis avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões foram vendidos após a morte do ex-policial, em 2020, e parte do patrimônio chegou a ser transferida a terceiros, entre eles um parlamentar federal identificado nas apurações como Juninho do Pneu.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em certidões de registro de imóveis, declarações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e documentos do próprio MPRJ, há sinais que motivaram medidas cautelares e pedidos de bloqueio em procedimentos correlatos.

Investigação e rastreamento

Promotores e investigadores concentraram a atuação em rastrear a origem das propriedades e o caminho das transações realizadas após 2020. O trabalho inclui a comparação de escrituras, registros em cartório e cruzamento de movimentações financeiras que podem indicar tentativa de ocultação de patrimônio.

Fontes oficiais consultadas pelo Noticioso360 afirmam que a venda de parte dos imóveis foi formalizada pela viúva de Adriano, Julia Lotufo. Em seguida, documentos sugerem que uma das propriedades foi registrada — direta ou indiretamente — em nome do deputado federal Juninho do Pneu.

Documentos e indícios

O relatório preliminar do MPRJ, segundo promotores ouvidos, reúne certidões de matrícula, contratos de compra e venda, além de movimentações bancárias acompanhadas por relatórios do Coaf. Laudos de avaliação anexados ao inquérito apontaram o valor estimado dos imóveis em cerca de R$ 3,5 milhões.

Promotores descrevem uma sequência de atos que, na visão da investigação, pode configurar blindagem patrimonial por meio de terceiros próximos à família. Ainda assim, parte das negociações aparece documentada e registrada, o que complica um enquadramento jurídico imediato sem provas complementares.

Posicionamentos e defesa

O deputado Juninho do Pneu, citado nas investigações, negou irregularidades em nota enviada a veículos. Segundo a defesa, todas as aquisições foram realizadas legalmente e com origem lícita dos recursos. O parlamentar afirmou ainda que colocará documentos à disposição das autoridades para comprovar a lisura das operações.

A família de Adriano também divulgou posicionamento, afirmando que vendas realizadas pela viúva são atos privados e que não há condenação definitiva que vincule terceiros às práticas atribuídas ao ex-policial. Advogados consultados destacaram o princípio da presunção de inocência enquanto os processos não transitarem em julgado.

Discrepâncias e cuidados na apuração

Levantamentos comparativos entre boletins e peças processuais mostram divergência sobre a extensão da participação de intermediários e o momento exato das transferências. Enquanto promotores apontam indícios de ocultação, documentos acessados pela redação registram negociações formalmente documentadas.

Investigadores ressaltam que a vinculação entre imóveis e o patrimônio de Adriano foi inicialmente feita com base em laudos e declarações de testemunhas. A confirmação da origem criminosa dos recursos exigirá etapas adicionais, como quebras de sigilo bancário, novos relatórios periciais e diligências cartoriais.

Medidas cautelares e próximos passos

O conjunto de provas reunido pelo MPRJ já motivou pedidos de bloqueio de bens e outras medidas cautelares em procedimentos correlatos, segundo os autos. Entre as próximas diligências previstas estão pedidos de novas quebras de sigilo, audiências, representação por crimes financeiros e inspeções em cartórios do estado.

Promotores não descartam que, com comprovações adicionais, sejam apresentadas denúncias por lavagem de dinheiro ou improbidade administrativa, caso a origem ilícita dos recursos seja confirmada.

Contexto político e judicial

A possível vinculação de um parlamentar federal a ativos ligados a um investigado por milícia tem potencial para gerar repercussões políticas. Até o momento, porém, não existe condenação definitiva que relacione formalmente o deputado a práticas criminosas; existem apenas procedimentos em curso.

Analistas ouvidos pela redação ressaltam que processos dessa natureza costumam avançar de forma fragmentada, com fases de perícia e medidas cautelares que antecedem ações penais. A tramitação judicial e eventuais recursos poderão alterar a velocidade e a visibilidade do caso.

Metodologia da apuração

A reportagem do Noticioso360 cruzou reportagens, comunicados do MPRJ, certidões de propriedade e notas oficiais das partes. Em casos de divergência entre fontes, foram registrados os posicionamentos opostos.

O portal também consultou documentos públicos e peças processuais disponíveis, mantendo cautela editorial para não antecipar conclusões judiciais. A materialidade apresentada até agora sustenta medidas de investigação, mas não implica veredito sobre responsabilidade penal de terceiros.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima