Ato em Coromandel (MG) rejeita cobrança em trechos não duplicados da BR-365 após série de acidentes.

Moradores protestam contra pedágio sem obras na BR-365

Moradores de Coromandel protestam contra instalação de pedágio na BR-365 em trechos ainda não duplicados; autoridades e concessionária divergem.

Protesto em Coromandel acende alerta sobre cobrança sem obras

Moradores de Coromandel (MG) promoveram, nesta sexta-feira, um protesto contra a implantação de praças de pedágio na BR-365 em trechos que, segundo a população, ainda não foram duplicados e permanecem perigosos.

O ato reuniu motoristas, familiares de vítimas e lideranças locais que rejeitaram a cobrança antes da conclusão de obras previstas em contrato. Participantes afirmaram que pagar por uso da via seria injusto enquanto não há garantias claras de redução do risco de novas tragédias.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a mobilização ganhou força após uma sequência de acidentes graves na rodovia, o que alimentou a insatisfação local e a cobrança por transparência nos cronogramas de obras.

Motivações e relatos

De acordo com moradores ouvidos no local e relatos compilados por reportagens locais, somente em janeiro houve ao menos cinco ocorrências que resultaram em doze mortes. Testemunhas apontaram trechos de pista simples e curvas sem proteção como fatores que aumentam o risco.

“A estrada corta nossa cidade e é usada por trabalhadores, estudantes e caminhoneiros. Não dá para pagar pedágio agora, quando ainda morrem pessoas aqui”, disse um dos manifestantes, identificando-se como motorista local.

Posições oficiais e da concessionária

Em nota republicada por veículos locais, a concessionária responsável pelo trecho afirmou que a cobrança está prevista em contrato e que os investimentos para duplicação e melhorias de segurança ocorrem conforme etapas pactuadas com o poder concedente.

A empresa também afirmou que parte dos recursos do pedágio é destinada à manutenção e à execução das obras, quando aplicável, e que os cronogramas contratuais preveem etapas longas, dependentes de estudos de viabilidade e de desembolso de recursos.

Por outro lado, representantes da prefeitura de Coromandel e da Associação de Moradores relataram ao Noticioso360 a ausência de consulta pública ampla sobre o desenho final do sistema de pedágio e criticaram a falta de um cronograma claro e acessível sobre quando cada trecho será duplicado ou receberá intervenções imediatas de segurança.

Contratos, fiscalização e pontos de conflito

Técnicos consultados destacaram que a implementação de praças de pedágio costuma seguir contratos e estudos de viabilidade econômica que contemplam compensações e prazos longos. No entanto, alertaram que a efetividade das promessas depende de fiscalização rigorosa, cláusulas contratuais claras e do acompanhamento por órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Especialistas reforçam que contratos públicos de concessão podem prever obras vinculadas a marcos de tráfego ou desembolso e que a inexistência de um cronograma público único amplia a percepção de descaso por parte da população.

Transparência e fiscalização

Uma das principais críticas levantadas pelos moradores e por especialistas foi a dificuldade de acesso a um calendário atualizado das obras. Sem documentos públicos acessíveis que detalhem prazos e metas, a confiança na execução diminui e o conflito entre concessionária, poder público e usuários se intensifica.

Impactos humanos e sociais

Além da cobrança financeira, os manifestantes enfatizaram o impacto humano das tragédias recentes. Familiares de vítimas participaram do ato e relataram que a sensação de insegurança se agravou com a sequência de acidentes.

Movimentos sociais locais já anunciaram novas mobilizações caso não haja avanços concretos na fiscalização e em prazos transparentes, o que pode elevar a pressão política sobre autoridades e sobre a concessionária responsável.

Lacunas na apuração

A apuração do Noticioso360 cruzou relatos de testemunhas, notas oficiais e documentos públicos relacionados ao contrato de concessão, levando em conta a cobertura do G1 e da Agência Brasil. Foram identificadas, contudo, lacunas importantes: não foi possível confirmar publicamente um cronograma único e atualizado que detalhe quando cada trecho será duplicado ou quando as praças de pedágio entrariam em operação de forma definitiva.

Há, portanto, uma diferença substantiva entre o calendário contratual alegado pela concessionária e a percepção de urgência manifestada pela população — uma tensão que condiciona o debate público e a resposta institucional.

Medidas emergenciais recomendadas

Especialistas consultados sugeriram medidas de mitigação imediata enquanto as obras não são concluídas. Entre elas: reforço na sinalização horizontal e vertical, limpeza e ampliação de acostamentos, instalação de dispositivos de contenção em pontos críticos e campanhas educativas voltadas a condutores locais e motoristas de longa distância.

Também foi recomendada a publicação de um cronograma consolidado e de fácil acesso, com metas físicas e financeiras, bem como a criação de um canal permanente de diálogo entre moradores, prefeitura, concessionária e agências reguladoras para monitoramento e prestação de contas.

O que esperar a curto e médio prazo

No curto prazo, o cenário tende a permanecer tenso. Sem prazos públicos e ações emergenciais perceptíveis, novos protestos são prováveis e a pressão social sobre gestores e concessionária pode intensificar-se.

Por outro lado, especialistas ouvidos pelo Noticioso360 afirmam que revisões contratuais, ajustes em cronogramas ou ações emergenciais de segurança podem ser adotadas para reduzir riscos, desde que haja vontade política e capacidade de execução por parte das autoridades competentes.

Conclusão e projeção

O conflito em Coromandel expõe um dilema recorrente em concessões rodoviárias: como conciliar obrigações contratuais de longo prazo com a demanda imediata por segurança e transparência por parte das populações afetadas.

Se não houver avanços palpáveis — cronogramas públicos, medidas emergenciais de segurança e fiscalização ativa —, a tendência é que a mobilização local se mantenha e ganhe apoio regional, pressionando por respostas mais rápidas das instâncias reguladoras e do poder público.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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