Empresa removeu contas que usavam vídeos falsos de celebridades para promover golpes de saúde no Brasil.

Meta processa deepfakes com Drauzio Varella

Meta afirma ter processado e removido contas que divulgaram deepfakes usados em golpes de saúde; apuração aponta uso da imagem de Drauzio Varella.

A Meta informou que identificou e tomou medidas contra contas que divulgavam vídeos falsos de celebridades usados para promover produtos e golpes relacionados à saúde no Brasil. A ação envolveu remoção de perfis e conteúdos classificados como deepfakes, além de medidas para limitar a disseminação das campanhas.

Em investigação local, reportagens apontaram o uso da imagem do médico Drauzio Varella em anúncios e vídeos fraudulentos que recomendavam tratamentos e produtos. De acordo com análise da redação do Noticioso360, a apuração cruzou informações do portal Tilt (UOL) e da Reuters, confirmando a existência de campanhas que misturavam rostos reais com modelos gerativos para criar falas falsas.

Como funcionavam os golpes

Os vídeos falsos exibiam rostos, trejeitos e movimentos labiais sincronizados a áudios fabricados, sugerindo que figuras públicas endorsavam produtos ou tratamentos. As peças vinham acompanhadas de chamadas diretas para compra ou cadastros, funcionando como isca para fraudes financeiras e coleta de dados pessoais.

Em muitos casos, as campanhas eram distribuídas em redes sociais e aplicativos de mensagens, onde a circulação rápida e o apelo de autoridade das personalidades usadas facilitavam a ação. Usuários menos atentos acabavam seguindo links, inserindo dados ou realizando compras em sites fraudulentos.

Técnicas utilizadas

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa e por nossa redação explicam que os ataques combinaram técnicas de síntese facial com edição automática. Modelos gerativos aplicados a imagens reais permitem criar expressões e movimentos labiais sincronizados a áudios falsos.

Segundo relatos técnicos, a qualidade dos deepfakes variava bastante. Alguns vídeos apresentavam artefatos e inconsistências que poderiam denunciar a falsificação a olhos treinados, enquanto outros eram suficientemente convincentes para enganar usuários comuns e sistemas automatizados de moderação.

Resposta da Meta e limitações

A Meta afirmou ter removido contas e conteúdos identificados e disse estar adotando medidas para conter a disseminação das fraudes. A empresa, porém, raramente divulga publicamente a lista completa de identidades afetadas, o que deixou lacunas na compreensão da dimensão total do problema.

Reportagens da Reuters destacaram que a plataforma bloqueou e processou contas associadas a campanhas de desinformação e golpes, mas que investigações complementares são necessárias para rastrear os responsáveis. Autoridades locais podem ser acionadas para requisitar dados e avançar em investigações criminais.

Diferenças na cobertura

Enquanto o portal Tilt (UOL) identificou casos que citam especificamente o uso da imagem de Drauzio Varella, outras coberturas internacionais adotaram abordagem mais genérica, reproduzindo apenas a posição oficial da Meta. A divergência editorial produziu variações sobre quem foi afetado e em que escala.

Impacto para vítimas e para o público

Além do dano à reputação das pessoas cujas imagens foram usadas, os golpes trazem risco direto aos consumidores: perda financeira, exposição de dados pessoais e tentativa de indução a tratamentos sem respaldo científico. Profissionais de saúde citados nas peças fraudulentas também podem enfrentar impactos éticos e legais.

Plataformas que hospedam conteúdo viral enfrentam um dilema entre remover rapidamente para proteger o público e preservar princípios de liberdade de expressão. A resposta mais recorrente tem sido a exclusão de contas que infringem políticas, seguida por investigações que podem envolver solicitações legais de dados.

Como se proteger

Especialistas consultados recomendam medidas práticas para reduzir riscos:

  • Verificar a origem do vídeo; buscar o material em canais oficiais da personalidade;
  • Desconfiar de mensagens que pedem cadastro imediato ou pagamento por links enviados em redes sociais;
  • Checar inconsistências no áudio e no padrão de fala; observar artefatos visuais;
  • Usar fontes confiáveis para checagem e, quando possível, denunciar o conteúdo à plataforma.

Plataformas também são cobradas a aprimorar ferramentas automáticas de detecção e a publicar relatórios de transparência que detalhem ações de remoção e os métodos identificados.

Curadoria e cruzamento de apurações

A curadoria do Noticioso360 privilegiou o cruzamento entre a apuração do Tilt, que identificou o uso da imagem de Drauzio Varella, e a cobertura da Reuters sobre as medidas adotadas pela Meta. Ao comparar as fontes, constatamos convergência na existência das campanhas com deepfakes e divergência quanto à lista pública de vítimas nominadas.

Essa abordagem de curadoria editorial busca oferecer ao leitor uma visão equilibrada: confirmar ações da plataforma enquanto expõe limitações nas divulgações públicas e lacunas nas investigações sobre os operadores das campanhas.

Projeção futura

Especialistas em segurança digital afirmam que os casos recentes podem acelerar a pressão por regras mais claras e por melhorias nas ferramentas de detecção de conteúdo sintético. Há expectativa de maior colaboração entre plataformas, autoridades e pesquisadores para combater golpes cada vez mais sofisticados.

Ao mesmo tempo, analistas advertem que atores maliciosos tendem a adaptar técnicas, o que exigirá atualização contínua de políticas, tecnologia e campanhas de educação digital voltadas ao usuário comum.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir a forma como plataformas e autoridades lidam com fraudes digitais nos próximos meses.

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