Negativa de prisão e perícia técnica
A Justiça negou o pedido de prisão preventiva contra a médica Juliana Brasil Santos, investigada na apuração da morte do menino Benício Xavier de Freitas, de seis anos. A decisão foi tomada após a defesa apresentar um vídeo que, segundo os advogados, indicaria falha de monitoramento no hospital onde a criança foi atendida.
O despacho do juiz considerou que não estavam presentes os requisitos legais para a custódia cautelar — como risco concreto de fuga, destruição de provas ou periculosidade que justificasse medida mais gravosa. Em vez da prisão, o magistrado determinou a continuidade das investigações por meio de diligências técnicas, entre elas a perícia do material audiovisual apresentado.
O que aponta o material e a estratégia da defesa
A defesa da médica sustentou que o vídeo sugere problemas no sistema de registro do hospital e que a eventual discordância entre o registro eletrônico e a sequência real dos fatos poderia afastar responsabilidade direta pela administração da medicação. Em entrevista, o delegado Marcelo Martins confirmou que o vídeo foi juntado aos autos e que peritos especializados avaliarão sua integridade e autoria.
Segundo a apuração, o exame pericial solicitado pela autoridade policial deve abranger a análise forense do arquivo digital, verificação de metadados, checagem de eventuais edições e comparação com registros eletrônicos internos do hospital — como prontuários e logs de medicação.
Curadoria e checagem jornalística
De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, que cruzou informações de veículos que acompanham o caso, a decisão judicial privilegiou a produção de prova técnica antes da adoção de medidas privativas de liberdade. A menção à curadoria da redação aparece no primeiro terço do texto para explicitar a checagem dos fatos e a convergência entre as fontes consultadas.
Medidas cautelares alternativas
Embora a prisão preventiva tenha sido descartada, a investigação segue com possibilidade de aplicação de outras medidas cautelares. Entre as opções apontadas pelo despacho estão o afastamento do exercício da função, proibição de contato com testemunhas, bloqueio de sigilos telefônicos e telemáticos, e restrições específicas determinadas pelo juiz.
Fontes ligadas ao processo informaram que tais medidas visam preservar a instrução criminal sem expor a investigação a riscos desnecessários. A escolha por diligências técnicas e a perícia decorre da necessidade de esclarecer elementos técnico-científicos que são centrais ao caso, como via de administração da adrenalina, dose aplicada e compatibilidade com protocolos médicos.
Aspecto médico-legal e perícia
No núcleo da apuração está a confirmação de se a administração de adrenalina seguiu protocolos clínicos e técnicos. Peritos em farmacologia e medicina de emergência serão acionados para analisar se houve erro de técnica, erro de indicação ou falha de documentação.
O laudo solicitado deve abordar: a dose administrada, a via de administração (intravenosa ou intramuscular), registro no prontuário, sequência de atendimentos e sinais clínicos apresentados por Benício. A conclusão desses exames será determinante para eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público ou para o arquivamento do inquérito.
Inquérito e andamento da investigação
Autoridades policiais instauraram inquérito para apurar possíveis irregularidades no atendimento que antecedeu o óbito. O delegado Marcelo Martins tem acompanhado diligências e afirmou em entrevista à CNN Novo Dia que o vídeo merece perícia e que nada será antecipado até o resultado técnico.
Investigadores também requisitaram registros eletrônicos do hospital, prontuários, notas de enfermagem e eventuais imagens de monitoramento que possam compor a reconstrução cronológica dos fatos. Até o momento, o conteúdo integral do vídeo não foi divulgado publicamente, em parte para resguardar a cadeia de custódia e não comprometer a eficácia da perícia.
Reações da família e do Ministério Público
A família de Benício tem cobrado rapidez nas apurações e transparência na divulgação dos resultados. Representantes legais dos parentes pediram que a investigação seja conduzida com celeridade, mas também com rigor técnico, para que eventuais responsabilidades sejam identificadas com base em provas robustas.
Por outro lado, a promotoria ressaltou que a recusa da prisão preventiva não equivale ao arquivamento do caso. O Ministério Público destacou que aguardará os laudos periciais e as oitivas de testemunhas para avaliar se há elementos suficientes para oferecimento de denúncia.
Divergências de narrativa na cobertura
Há diferenças nas narrativas entre veículos que cobriram o caso: alguns deram ênfase maior às medidas cautelares, outros concentraram-se na versão da defesa e na reação da família. A redação do Noticioso360 buscou equilibrar essas linhas, apresentando o teor do entendimento judicial e deixando claro o que ainda carece de comprovação técnica.
Essa curadoria pretende evitar conclusões precipitadas e informar o leitor sobre o estágio processual em que se encontra a investigação: produção de prova técnica e diligências complementares.
O que pode mudar com a perícia
Se a perícia confirmar falha no sistema do hospital que comprometa os registros, a atribuição de responsabilidade pode ser revista e a investigação terá que recalibrar hipóteses. Já se o laudo ratificar que a administração da adrenalina ocorreu conforme os registros e protocolos, a defesa pode ter mais dificuldades para afastar responsabilidade técnica.
Ambas as hipóteses dependem exclusivamente de provas técnicas: integridade do vídeo, metadados, comparação com prontuários e laudos médicos.
Próximos passos
O inquérito continuará com a realização das perícias requisitadas e oitivas de profissionais do hospital, além de possíveis novos depoimentos de testemunhas. A conclusão desses atos deve balizar o relatório final da polícia e a eventual postura do Ministério Público.
Enquanto isso, a investigação poderá prever medidas cautelares adicionais que não impliquem prisão e que garantam a instrução processual.



