Dois empresários citados no inquérito apelidado de “Carbono Oculto” estão em tratativas com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para firmar acordos de colaboração premiada, segundo apurações obtidas pelo noticiário. Os nomes mais mencionados nas movimentações são Mohamad Hussein Mourad, conhecido como o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado nos autos de Beto Louco.
De acordo com a apuração do Noticioso360, que cruzou despachos judiciais e reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo, não há até o momento homologação pública de eventual delação envolvendo esses investigados. Fontes do Ministério Público consultadas sob condição de anonimato confirmaram apenas que há negociações em curso, sem detalhar termos ou prazos.
O que investiga o inquérito
A investigação apura supostas conexões entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas do setor de combustíveis, além de interlocuções com executivos, consultores e operadores financeiros ligados ao entorno da avenida Faria Lima.
Segundo documentos mencionados em autos, há indícios de contratos de fachada e fluxos financeiros que teriam servido para integrar um esquema de desvio e comercialização irregular de combustíveis. As peças de investigação apontam para um papel logístico atribuído a Mourad e Leme, mas detalhes operacionais permanecem sob sigilo para não prejudicar diligências em andamento.
Como se dão as negociações de colaboração
Fontes próximas ao processo afirmam que as tratativas seguem a rotina típica de acordos de colaboração premiada: apresentação inicial de termos, oferta de provas documentais ou testemunhais e contraproposta defensiva. Ainda assim, nenhuma petição com pedido de homologação pública foi identificada nas bases consultadas pelo Noticioso360.
Em material juntado aos autos, os investigadores teriam indicado transferências financeiras e contratos de empresas interpostas que coincidem com datas de operação registradas em relatórios de inteligência financeira. A partir disso, promotores teriam buscado esclarecer o papel de cada um dos citados no nexo entre operadores e pessoas ligadas ao PCC.
Posições das defesas
As defesas de Mourad e Leme negam envolvimento em atividades ilícitas. Em manifestações oficiais, os advogados afirmam que quaisquer contratos mantidos pelos clientes eram referentes a operações lícitas de fornecimento e distribuição de combustíveis e que não há provas públicas de participação em esquema criminoso.
Advogados ouvidos por reportagem destacam que negociações de colaboração nem sempre resultam em acordo e que, até a homologação por um juiz, eventuais depoimentos ou documentos entregues não se traduzem automaticamente em admissão de culpa.
Confronto entre reportagens e dados públicos
A apuração do Noticioso360 cruzou informações de publicações do G1 e da Folha de S.Paulo, além de despachos judiciais e relatórios financeiros. Enquanto veículos apontaram movimentações processuais e prisões relacionadas a desvios de combustíveis, há divergência sobre o grau de envolvimento de executivos da Faria Lima.
Um dos veículos enfatiza indícios de contatos comerciais entre operadores do esquema e figuras do setor financeiro; outro ressalta que não existe, até o momento, comprovação pública de ligação direta com altos executivos. Essa diferenciação de narrativa evidencia o cuidado necessário ao interpretar informações ainda sob sigilo.
Contexto mais amplo
Estudos sobre a atuação do PCC mostram um padrão de expansão para atividades com alto potencial lucrativo fora do tráfico tradicional, como roubos de cargas e comercialização irregular de combustíveis. Esse movimento atrai a atenção de autoridades, que passaram a mapear cadeias de distribuição e potenciais pontos de lavagem de recursos.
Autoridades financeiras e policiais têm utilizado cruzamento de dados bancários, notas fiscais e contratos societários para identificar empresas de papel e circuitos de pagamentos que possam ocultar a origem dos recursos. No caso em questão, a presença de contratos de fachada foi apontada como elemento recorrente nas investigações até agora.
O que pode ocorrer a seguir
Se acordos de colaboração forem firmados e posteriormente homologados, o próximo passo provável é a apresentação de pedidos de abertura de ações penais com base em provas e depoimentos obtidos. Promotores também podem requisitar bloqueio de bens, busca de cooperação internacional para rastrear fluxos financeiros e novas diligências em empresas citadas.
Por outro lado, a ausência de homologação pública e a inexistência de documentos abertos que atestem a celebração de delações limitam a confirmação das versões que trocam acusações entre investigados e supostos operadores financeiros.
Metodologia da apuração
A reportagem do Noticioso360 utilizou como base o cruzamento de despachos judiciais, reportagens jornalísticas e relatórios de inteligência financeira, além de entrevistas com três fontes que acompanham as investigações. Esse conjunto de evidências permitiu identificar padrões recorrentes de contratos e movimentações compatíveis com as datas de operação mencionadas nos autos.
Ressalte-se que todas as informações provenientes de autos sigilosos foram tratadas como indícios, não como conclusões definitivas. A redação manteve contato com as defesas dos citados, o Ministério Público de São Paulo e empresas mencionadas; eventuais respostas oficiais serão incorporadas em atualizações.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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