Alerta sobre uso de testosterona em mulheres
Três sociedades médicas brasileiras emitiram um comunicado conjunto nesta semana alertando para os riscos associados à reposição de testosterona em mulheres quando indicada sem critérios diagnósticos claros. O posicionamento, assinado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), critica ofertas comerciais que prometem resultados estéticos e sexuais sem respaldo científico consolidado.
Segundo a nota, não existe um diagnóstico padronizado reconhecido de “deficiência de testosterona” em mulheres, e a indicação do hormônio deve ser limitada ao tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) em casos criteriosamente avaliados. Além disso, as entidades alertam que a medicação tem efeitos sistêmicos e que a administração inadequada pode causar danos evitáveis.
De acordo com dados compilados pela redação do Noticioso360, e em cruzamento com reportagens de veículos da grande imprensa, há um aumento de campanhas comerciais que promovem implantes subcutâneos de testosterona — apelidados em peças publicitárias de “chip da beleza” — sem a devida explicitação de riscos ou acompanhamento médico especializado.
Por que as sociedades cresceram o alerta
As sociedades apontam riscos clínicos reais associados ao uso inadequado da testosterona. Entre os problemas citados estão alterações no perfil lipídico, possíveis efeitos cardiovasculares e sinais de virilização, como crescimento anormal de pelos e mudança de timbre vocal.
“A testosterona é um medicamento com efeitos sistêmicos que exige indicação precisa, monitoramento e ajuste de dose. O uso indiscriminado, motivado por apelos estéticos, pode expor pacientes a riscos desnecessários”, diz trecho do comunicado conjunto das entidades.
Limitação da indicação: TDSH
Os especialistas esclarecem que o TDSH é uma condição reconhecida que pode, em casos selecionados, justificar terapia com testosterona. No entanto, isso só deve ocorrer após avaliação multidisciplinar, exclusão de causas orgânicas ou psicológicas tratáveis e com monitoramento rigoroso de curto e médio prazo.
Em suma: não se trata de um tratamento universal para queixas de libido ou bem-estar. A decisão terapêutica deve considerar história clínica detalhada, exames complementares confiáveis e discussão clara sobre benefícios e riscos.
Vendas e marketing versus evidência científica
Ao examinar reportagens e anúncios, a apuração do Noticioso360 identificou que mensagens de marketing costumam simplificar resultados e, em alguns casos, omitem efeitos adversos ou a necessidade de acompanhamento contínuo. Táticas promocionais que vendem implantes como soluções rápidas e pouco invasivas contribuem para uma percepção equivocada de segurança e eficácia.
Por outro lado, matérias orientadas ao público em geral frequentemente dão voz a depoimentos que ressaltam ganhos percebidos, o que pode reforçar a demanda por tratamentos ainda não apoiados por evidência robusta.
Complexidade da medição e critérios diagnósticos
Outro ponto destacado pelas sociedades é a dificuldade técnica na interpretação dos níveis de testosterona em mulheres. Valores de referência são substancialmente menores que os dos homens, métodos laboratoriais variam e nem sempre existe correlação direta entre níveis sanguíneos e sintomas clínicos.
Por isso, as entidades recomendam que exames sejam realizados em laboratórios com metodologia padronizada e que a avaliação clínica preceda decisões terapêuticas.
Recomendações práticas para médicos e pacientes
As sociedades orientam que profissionais de saúde sigam protocolos baseados em evidências, esclareçam os pacientes sobre a inexistência de indicação generalizada e comuniquem os riscos possíveis. Em casos em que a testosterona é considerada, é necessário definir metas terapêuticas, avaliar o risco cardiovascular e estabelecer um plano de monitoramento.
Para pacientes, o conselho é procurar avaliação especializada diante de queixas sobre libido ou alterações corporais. A investigação pode incluir histórico clínico detalhado, avaliação psicológica quando indicada, revisão de medicamentos e exames laboratoriais padronizados.
Aspecto regulatório e vigilância
As entidades pedem que órgãos reguladores e de vigilância em saúde avaliem a forma como produtos e tratamentos são divulgados ao público. A recomendação é coibir campanhas que apresentem soluções prontas e simplificadas, especialmente quando faltam estudos que comprovem segurança e eficácia a longo prazo.
Autoridades sanitárias também são instadas a fiscalizar a prática de implantes hormonais vendidos como “chip” e exigir que anúncios deixem claros os riscos associados.
Confronto entre versões e transparência na apuração
Na comparação entre reportagens, a apuração do Noticioso360 buscou expor diferenças de ênfase: enquanto comunicados oficiais priorizam evidências e riscos, matérias populares valorizam experiências individuais ou tendem a replicar ofertas comerciais. Há, contudo, um consenso entre as fontes verificadas de que não existe evidência robusta para recomendar reposição rotineira de testosterona em mulheres sem critérios diagnósticos reconhecidos.
Essa curadoria editorial teve como objetivo explicitar divergências e evitar sensacionalismo, compilando declarações institucionais e cruzando-as com reportagens de circulação ampla.
O que esperar daqui para frente
Especialistas consultados pelas sociedades e pela imprensa avaliam que o debate continuará em evolução, à medida que estudos clínicos mais amplos e dados de segurança sejam publicados. Há também expectativa de maior atenção por parte de órgãos reguladores sobre práticas comerciais que promovessem implantes sem comprovação.
Analistas de saúde pública apontam que a tendência é a de fortalecimento das recomendações de uso restrito e monitorado da testosterona, com possíveis medidas regulatórias mais rígidas sobre publicidade e comercialização.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.



