Ruga diagonal no lóbulo já foi associada a doença coronariana, mas não prevê infarto sozinha.

Sinal de Frank: o que a dobra no lóbulo revela

O sinal de Frank tem vínculo estatístico com doença coronariana, mas baixa especificidade e forte ligação à idade limitam seu valor clínico.

Uma ruga diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como “sinal de Frank”, voltou a ganhar atenção pública após relatos em redes sociais ligados a mortes súbitas. A ideia de que essa marca externa poderia antecipar um ataque cardíaco circula há décadas e reaparece sempre que casos trágicos entram em pauta.

O sinal foi descrito pela primeira vez na literatura médica no início dos anos 1970 e, desde então, foi tema de dezenas de estudos observacionais que buscaram relacioná-lo a obstruções nas artérias coronárias. Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e da BBC Brasil, meta-análises indicam um aumento relativo no risco, embora a magnitude varie entre trabalhos e populações estudadas.

O que a pesquisa mostra

Em pesquisas que compararam pacientes com e sem a ruga diagonal, alguns grupos encontraram associação estatisticamente significativa entre o sinal e achados de angiografia, eletrocardiograma ou eventos cardiovasculares. Em termos práticos, pessoas com a marca teriam maior probabilidade, em média, de apresentar doença coronariana.

No entanto, a literatura médica ressalta que a presença do sinal não é um diagnóstico. A maioria dos estudos é observacional e sujeita a vieses. Metanálises apontam um aumento relativo de risco, mas com variabilidade — ou seja, o efeito observado depende do desenho dos estudos, do tamanho das amostras e do ajuste para outros fatores.

Idade e confundidores: o problema central

A principal limitação ressaltada por especialistas é a forte correlação entre o sinal de Frank e o envelhecimento. A pele e a gordura do lóbulo mudam com a idade, e esses processos podem gerar a dobra diagonal independentemente de alterações vasculares.

Além disso, fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes e histórico familiar de doença cardíaca — mais comuns em faixas etárias mais elevadas — aparecem como potenciais confundidores. Em muitos estudos, o ajuste estatístico por essas variáveis reduz a força da associação.

O que dizem os cardiologistas

Cardiologistas consultados em reportagens nacionais descrevem o sinal como um dado observacional de baixa especificidade. “É um achado curiosíssimo, mas isoladamente pouco útil para decisões clínicas”, afirma um especialista cardiologista. Na prática, a presença da ruga pode aumentar a atenção do médico, mas não altera automaticamente condutas sem outros indícios.

Aplicabilidade clínica e triagem

Alguns pesquisadores defendem que, em contexto de triagem inicial e em locais com recursos limitados, a observação do lóbulo pode somar informação quando combinada com exame clínico e história do paciente. Mesmo assim, essas propostas não transformam o sinal em um teste diagnóstico.

Exames como eletrocardiograma, dosagem de marcadores cardíacos (por exemplo, troponina), exames laboratoriais e, quando indicado, angiografia ou angiotomografia coronariana continuam sendo os meios adequados para avaliar risco e confirmar doença coronariana.

Como lidar com a informação nas redes

A cobertura em plataformas sociais tende a simplificar e, por vezes, exagerar as evidências. Vídeos curtos e publicações podem afirmar que a orelha “prevê” infartos, omitindo limitações metodológicas dos estudos e confundindo correlação com causalidade.

A apuração do Noticioso360 identificou postagens que extrapolam resultados científicos e alimentam ansiedade. Em contrapartida, reportagens em veículos de grande circulação explicam a controvérsia e citam estudos científicos, ajudando a contextualizar as descobertas.

Situação no Brasil e recomendações práticas

Na prática clínica brasileira, a descoberta da ruga no lóbulo costuma ser registrada como um achado observacional. Em pacientes com sintomas sugestivos — dor torácica, falta de ar, sudorese — ou com fatores de risco conhecidos, o recomendado é procurar avaliação médica imediata.

Se houver suspeita de evento isquêmico, os profissionais devem recorrer a exames objetivos: eletrocardiograma, dosagem de enzimas cardíacas e, conforme o caso, testes de imagem. Para prevenção, as medidas permanecem centradas em controle de pressão, glicemia, colesterol, cessação do tabagismo e atividade física.

Situações em que a observação pode ser útil

  • Triagem rápida em ambientes sem acesso imediato a exames — como campanhas básicas de saúde.
  • Quando combinada com história clínica e fatores de risco conhecidos.
  • Como gatilho para orientar o paciente a buscar avaliação médica, não como diagnóstico.

Em suma, o sinal de Frank é uma curiosidade anatômica com respaldo estatístico parcial, mas de baixa especificidade clínica. Mensagens que transformam a marca no lóbulo em um “diagnóstico” único devem ser vistas com ceticismo e confrontadas com informação qualificada.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Especialistas e revisões científicas continuam investigando o tema. Em termos práticos, observar o lóbulo pode servir como alerta para cuidados, mas não substitui exames e avaliação clínica especializada.

Analistas apontam que a maior visibilidade do tema pode redefinir prioridades de prevenção cardiovascular nos próximos meses.

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