Nêspera pode beneficiar fígado e intestino, dizem estudos

Pesquisas pré-clínicas indicam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias da nêspera, mas evidência clínica é limitada.

A nêspera (Eriobotrya japonica) é uma fruta pouco comum nas feiras brasileiras que reúne compostos bioativos apontados por pesquisas experimentais como possivelmente benéficos ao fígado e ao intestino.

Segundo levantamento e análise da redação do Noticioso360, a maior parte da evidência disponível vem de estudos pré-clínicos e revisões farmacológicas que avaliaram extratos concentrados da planta, especialmente de folhas e sementes.

O que a ciência mostra até agora

Em modelos animais e estudos in vitro, extratos de nêspera demonstraram reduzir marcadores de estresse oxidativo e de inflamação. Compostos como polifenóis, flavonoides e ácidos triterpênicos, identificados principalmente nas folhas e sementes, foram associados a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.

Além disso, pesquisas em roedores sugerem que alguns extratos podem proteger o fígado contra agressões químicas, diminuindo níveis de enzimas hepáticas e melhorando achados histológicos. No intestino, os mesmos mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes mostraram potencial para reduzir citocinas pró-inflamatórias e melhorar a integridade da mucosa em modelos animais.

Limitações das evidências

É importante destacar que a maior parte dos estudos utilizou extratos concentrados ou administrações controladas em laboratório, o que não equivale ao consumo despreocupado da fruta fresca. Resultados promissores em animais e células não se traduzem automaticamente em benefícios clinicamente relevantes para pessoas.

Segundo revisão de literatura compilada pelo Noticioso360, faltam ensaios clínicos randomizados que testem doses, formas de preparo e segurança em humanos. A variação na composição dos extratos e a ausência de padronização dificultam comparações entre estudos e a extrapolação de resultados.

Nutrição e consumo

Do ponto de vista nutricional, a nêspera fornece vitaminas (como A e algumas do complexo B), fibras e açúcares naturais. Incluir a fruta em uma dieta variada pode contribuir com fibras e antioxidantes, o que é geralmente benéfico para a função intestinal e para o metabolismo hepático.

Por outro lado, os efeitos farmacológicos observados em laboratório dependem de concentrações e formas de preparo que nem sempre são alcançadas ao consumir a polpa ocasionalmente. Produtos fitoterápicos e extratos concentrados exigem avaliação de segurança e eficácia específicas antes de serem recomendados como tratamento.

Segurança e interações

Até o momento não há relatos amplos de toxicidade associados ao consumo moderado da fruta fresca. No entanto, riscos específicos podem ocorrer com o uso de extratos concentrados, consumo excessivo de sementes ou interação com medicamentos.

Pesquisadores alertam para a necessidade de estudos que avaliem interações farmacológicas, possíveis efeitos adversos em humanos e a segurança em populações vulneráveis, como gestantes, crianças e pessoas com doença hepática avançada.

Como interpretar as evidências

Para o público geral, a conclusão prática é moderada: incluir nêspera na alimentação é uma forma de variar a dieta e obter fibras e antioxidantes naturais, mas não há comprovação clínica suficiente para recomendá-la como terapia para doenças hepáticas ou intestinais.

Profissionais de saúde consultados pela reportagem lembram que medidas já comprovadas para proteger o fígado continuam sendo fundamentais — controle do consumo de álcool, alimentação balanceada, controle de peso e acompanhamento médico quando há risco de doença hepática.

O que falta pesquisar

Pesquisadores ouvidos e revisões científicas indicam que o caminho para transformar achados pré-clínicos em recomendações clínicas passa por ensaios clínicos randomizados em humanos. É preciso testar doses, identificar quais partes da planta concentram os compostos ativos (polpa, folha ou semente) e padronizar extratos para avaliar eficácia e segurança.

Também é relevante investigar formas de preparo que preservem os compostos bioativos e avaliar se efeitos observados em modelos animais se repetem em estudos com participantes humanos, com desfechos clínicos relevantes.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Especialistas apontam que, com mais estudos clínicos, a compreensão sobre os efeitos da nêspera pode evoluir e influenciar recomendações nutricionais e fitoterápicas nos próximos anos.

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