Um homem apresentou uma erupção cutânea pruriginosa e inflamatória cerca de um mês após iniciar uma dieta cetogênica, segundo relato clínico que motivou uma investigação sobre a possível relação entre estados de cetose e doenças de pele.
O quadro incluiu placas eritematosas e pápulas intensamente pruriginosas, que levaram o paciente a procurar atendimento dermatológico quando os sintomas não cederam com medidas domiciliares.
Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando literatura médica e relatos de caso, existem registros consistentes — embora incomuns — que associam a cetose a uma dermatose inflamatória conhecida como prurigo pigmentosa.
O que é prurigo pigmentosa?
O prurigo pigmentosa é descrito na literatura como uma dermatose inflamatória caracterizada por lesões eritematosas e pápulas que coçam e, com o tempo, podem evoluir para hiperpigmentação residual. A condição é mais frequentemente relatada em adultos jovens e tende a aparecer no tronco e no pescoço.
Embora a etiologia exata permaneça incerta, estudos e relatos clínicos apontam para uma associação com estados de cetose provocados por dietas muito pobres em carboidratos, jejuns prolongados e algumas situações pós-operatórias, incluindo cirurgia bariátrica.
Como os médicos identificam a relação com a dieta?
Na prática clínica, a temporalidade é um dado relevante: profissionais relataram que o início da dieta, seguido por sinais e sintomas compatíveis com cetose, antecedeu o surgimento da erupção em casos descritos.
Contudo, a sequência temporal não prova causalidade por si só. Para levantar a hipótese diagnóstica, dermatologistas consideram aspectos clínicos das lesões, exame físico, histórico alimentar e, quando necessário, biópsia de pele para excluir outras dermatoses inflamatórias ou reações medicamentosas.
Hipóteses fisiopatológicas
Especialistas mencionam algumas explicações plausíveis: alterações no metabolismo lipídico e na produção de corpos cetônicos podem desencadear respostas inflamatórias cutâneas em indivíduos predispostos.
Além disso, mudanças na microbiota cutânea e intestinal, bem como deficiências nutricionais transitórias (como em vitaminas do complexo B ou minerais), podem comprometer a barreira dérmica e favorecer inflamação.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Clinicamente, o prurigo pigmentosa manifesta-se por lesões muito pruriginosas, que podem formar placas confluentes e, ao cicatrizarem, deixar manchas escuras. O diagnóstico costuma ser clínico, apoiado por histologia quando necessário.
O manejo frequentemente combina modificação ou interrupção da dieta cetogênica, quando o vínculo temporal é sugerido, com terapia medicamentosa. Antibióticos da classe das tetraciclinas — como doxiciclina e minociclina — têm mostrado eficácia em muitos casos.
Terapias tópicas, cuidados com hidratação cutânea e medidas de suporte também são empregadas. Pacientes com lesões extensas ou prurido intenso devem ser encaminhados a um dermatologista para confirmação diagnóstica e exclusão de outras causas, como reações alérgicas, infecções ou dermatoses crônicas.
Risco real e recomendações práticas
Embora haja base plausível e relatos que vinculam cetose a erupções como o prurigo pigmentosa, a ocorrência é considerada rara. A maioria das pessoas em dietas cetogênicas não desenvolve lesões cutâneas.
Matérias de divulgação tendem a enfatizar casos dramáticos, enquanto revisões médicas caracterizam o fenômeno como incomum e dependente de fatores individuais. Assim, recomendações generalistas que contraindicam a dieta cetogênica para toda a população não encontram suporte robusto na literatura atual.
Para usuários da dieta: observe alterações na pele, relate a temporalidade do início da dieta ao profissional de saúde e não interrompa tratamentos prescritos sem orientação. Para médicos de atenção primária e nutricionistas: incluir o histórico alimentar na anamnese pode ajudar na identificação precoce de sinais compatíveis com prurigo pigmentosa.
O papel da vigilância e da pesquisa
Especialistas consultados pela apuração destacam a importância de registrar casos em séries ou relatos clínicos. A coleta sistemática de dados permitirá avaliar melhor a magnitude do risco e investigar mecanismos fisiopatológicos com mais precisão.
Além disso, a cooperação entre atenção primária, nutrição e dermatologia é essencial para manejo adequado e para gerar evidências que orientem condutas futuras.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e revisões médicas.
Fontes
- Reuters — 2020-06-15
- Journal of the American Academy of Dermatology — 2019-11-01
- PubMed (revisão sobre prurigo pigmentosa) — 2018-03-12
Analistas apontam que a integração entre especialidades e registros clínicos pode redefinir entendimentos sobre riscos cutâneos ligados a dietas alimentares nos próximos anos.
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