Circula nas redes sociais a história de um homem identificado como “Carlos” que teria declarado sentir prazer ao comer insetos vivos diariamente em um episódio atribuído à sétima temporada do programa My Strange Addiction, do canal TLC.
O relato viral reacendeu dúvidas sobre a origem da gravação e sobre a veracidade das declarações, além de provocar preocupação em leitores sobre riscos à saúde. A peça editorial a seguir reúne checagem, contexto clínico e recomendações para quem encontra casos semelhantes na internet.
Segundo análise da redação do Noticioso360, não foi possível localizar confirmação pública do episódio com essas características em catálogos oficiais ou em veículos de grande circulação consultados.
O que a apuração encontrou
A investigação do Noticioso360 cruzou reportagens, catálogos de episódios, pesquisas em bases públicas de programação e buscas em portais de notícias nacionais e internacionais.
Não houve confirmação, nas fontes consultadas, sobre a existência de um participante chamado “Carlos” em um episódio recente da sétima temporada. Também não foi possível localizar registro oficial do episódio nas bases públicas do TLC nem em listas de episódios acessíveis em serviços de streaming e portais que indexam a série.
Algumas versões da história circulam sem link direto para o episódio e apresentam variações no nome do participante e na frequência do comportamento (diária, ocasional, ou passada), o que reduz a confiabilidade da narrativa quando divulgada sem fontes primárias.
Sobre a série
My Strange Addiction é um programa produzido pelo TLC conhecido por expor comportamentos atípicos e dependências. Ao longo dos anos, a atração exibiu casos que envolvem ingestão de substâncias ou práticas consideradas extremas, o que ajuda a explicar por que uma história sobre consumo de insetos pode viralizar rapidamente.
Por outro lado, a circulação intensa de conteúdos virais nem sempre equivale a confirmação editorial. A reprodução de trechos sem checagem às vezes amplia boatos e distorce o contexto original.
Entomofagia, pica e a diferença que importa
É importante distinguir dois fenômenos que costumam ser confundidos nas redes:
- Entomofagia: prática de consumir insetos como alimento. Em várias culturas, insetos são parte tradicional da dieta e, hoje, são debatidos como alternativa proteica e sustentável.
- Pica: transtorno caracterizado pelo consumo persistente de substâncias não alimentares ou comportamentos de ingestão incomuns. Quando associado a prazer intenso e repetitivo, pode configurar quadro clínico que exige avaliação médica.
Comer insetos vivos por prazer pode envolver elementos culturais (entomofagia) ou clínicos (pica ou outro transtorno), e a avaliação correta depende de contexto, frequência e avaliação profissional.
Riscos à saúde
A ingestão de insetos vivos traz riscos documentados: exposição a parasitas, bactérias, toxinas, reações alérgicas e risco de asfixia. A procedência dos insetos, seu estado sanitário e a forma como são ingeridos influenciam esses riscos.
Especialistas apontam ainda que narrativas sensacionalistas podem incentivar comportamentos imitativos sem alertar para perigos reais.
O que dizem os médicos
Profissionais de saúde mental e infectologia consultados em literatura e reportagens ressaltam a necessidade de diferenciarmos práticas culturais de sinais de possível transtorno. Quando há compulsão, prejuízo à saúde ou isolamento social associado ao comportamento, recomenda-se encaminhamento a serviços de saúde mental.
Como verificamos
A apuração do Noticioso360 verificou três pontos centrais: a existência do participante identificado como “Carlos”; a alegação de que a sétima temporada estreou em janeiro com esse episódio; e o conteúdo do depoimento (ingestão diária por prazer).
Foram cruzadas buscas em sites de notícias nacionais (G1, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Agência Brasil) e internacionais (Reuters, BBC, DW), além de consultas a catálogos públicos e bancos de dados de séries. Não localizamos cobertura com esses detalhes nas fontes selecionadas nem registro do episódio nas bases consultadas.
Também se observou a ausência de links diretos às plataformas oficiais do canal produtor em muitas postagens virais, e discrepâncias nos nomes e frequência relatadas nas versões compartilhadas.
Recomendações para leitores e veículos
- Procure o episódio na grade oficial do produtor (TLC) ou em catálogos de episódios do serviço de streaming que exibe a série.
- Solicite confirmação ao canal responsável ou ao departamento de imprensa do programa antes de repercutir a história como fato.
- Consulte especialistas em saúde mental para enquadramento clínico quando o comportamento envolve possíveis transtornos.
- Evite sensacionalismo que possa estigmatizar pessoas com transtornos alimentares ou comportamentais.
Projeção
Nos próximos meses, é provável que a circulação de relatos sensíveis em redes sociais continue demandando checagens rápidas. Plataformas e redações precisarão combinar verificação de conteúdo com contextualização clínica para reduzir danos e desinformação.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que a verificação de episódios virais será cada vez mais necessária para proteger a saúde pública e a integridade jornalística.
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