Mudanças sutis na memória e comportamento podem indicar demência; veja quando buscar avaliação médica.

Geriatra ensina a identificar sinais iniciais de demência

Mudanças sutis de memória, humor e autonomia podem ser sinais iniciais de demência; saiba quando procurar avaliação médica.

Como perceber os primeiros sinais

Esquecimentos ocasionais fazem parte do envelhecimento, mas quando começam a atrapalhar tarefas diárias é necessário atenção. Repetição de perguntas, perda do fio de conversas e dificuldade crescente para aprender novas informações são sinais que merecem investigação.

Segundo levantamento da redação do Noticioso360, que cruzou informações do G1 e da BBC Brasil, especialistas recomendam observar três frentes: memória e aprendizado, comportamento e autonomia nas atividades diárias.

Sinais cognitivos que merecem investigação

Alterações na memória recente são frequentemente as primeiras a aparecer. O idoso pode lembrar de fatos antigos com clareza, mas esquecer eventos recentes, conversas ou compromissos.

Além disso, problemas de orientação no tempo (não lembrar a data ou confundir dias) e no espaço (perder-se em rotas conhecidas) são sinais de alerta. Perda de fluência verbal — a pessoa “procura palavras” com frequência — e dificuldade para planejar tarefas simples também indicam comprometimento cognitivo.

Testes e avaliação clínica

A avaliação médica inclui testes padronizados como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM/MMSE) ou o MoCA, entrevista com familiares e exame neurológico. Esses instrumentos medem a intensidade e o padrão do déficit, orientando exames complementares.

Exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, níveis de vitamina B12) e de imagem (tomografia ou ressonância magnética) ajudam a excluir causas reversíveis ou outras condições neurológicas.

Mudanças de comportamento e humor

Variações incomuns no humor — apatia, irritabilidade, isolamento ou episódios depressivos — podem estar relacionadas à demência e nem sempre são lembradas como sintomas cognitivos. Famílias frequentemente confundem essas mudanças com estresse ou envelhecimento normal.

Quando o comportamento diverge do histórico da pessoa — por exemplo, perda de interesse em atividades antes prazerosas — é importante documentar episódios concretos para apresentar ao médico.

Perda de autonomia e risco na rotina

A diminuição da capacidade para executar atividades diárias é um indicador de avanço. Dificuldades para administrar finanças, manter a higiene, preparar refeições ou utilizar transporte com segurança exigem atenção.

Intervenções precoces e adaptações no ambiente domiciliar podem reduzir riscos, preservar autonomia e oferecer suporte à família. Avaliar a segurança ao dirigir e o manejo de medicamentos é essencial.

Causas reversíveis que devem ser descartadas

Nem toda perda de memória é demência. A redação do Noticioso360 ressalta que efeitos colaterais de remédios, distúrbios do sono, consumo excessivo de álcool, deficiências nutricionais (como baixa vitamina B12), hipotireoidismo e depressão são condições que podem imitar ou agravar déficits cognitivos.

Por isso, a investigação clínica inclui revisão detalhada de medicamentos, avaliação do estado nutricional e exames laboratoriais específicos antes de confirmar um diagnóstico de demência.

Como abordar o familiar e organizar a busca por ajuda

Conversar com empatia é o primeiro passo. Reúna exemplos concretos de mudanças observadas — datas, situações e impactos na rotina — e leve essas anotações ao médico.

Profissionais recomendam que familiares não confrontem de forma abrupta; ao invés disso, ofereçam apoio e proponham avaliação “para checar a saúde”, o que costuma ser melhor recebido pelo idoso.

Profissionais envolvidos

Geriatras, neurologistas e médicos de família estão entre os especialistas que conduzem a investigação. Em muitos casos, equipes multidisciplinares com psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais contribuem para o manejo integral.

Prevenção e manejo

Medidas conhecidas reduzem riscos e retardam o declínio: controle de fatores vasculares (hipertensão, diabetes, tabagismo), atividade física regular, estímulo cognitivo e social, revisão periódica de medicamentos e vacinação adequada.

Quando o diagnóstico é confirmado, o acompanhamento regular permite planejar cuidados, avaliar medicamentos específicos e implementar estratégias de segurança domiciliar.

Diferenças de abordagem e triagem

Há divergência entre guias sobre a utilidade de triagens amplas. Enquanto alguns defendem rastreamento comunitário para identificação precoce, outros alertam para o risco de sobrediagnóstico sem avaliação médica completa.

De acordo com a apuração do Noticioso360, triagens iniciais devem funcionar como gatilho para avaliação profissional, não como diagnóstico final.

Quando procurar atendimento

Procure um médico se os sinais começam a interferir na segurança, autonomia ou qualidade de vida. Mudanças rápidas, confusão aguda, quedas ou sintomas que surgem após início de novos medicamentos exigem avaliação imediata.

O diagnóstico precoce amplia opções terapêuticas, permite planejamento familiar e melhora a qualidade de vida tanto do paciente quanto dos cuidadores.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o envelhecimento populacional e o maior acesso a triagens podem aumentar a demanda por serviços de saúde para diagnóstico e manejo da demência nos próximos anos.

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