Dra. Ludhmila Hajjar afirma que formação médica virou uma “loteria” e pede medidas para qualificação.

Formação médica no Brasil: alerta de Ludhmila Hajjar

Ludhmila Hajjar diz que formação médica no Brasil se transformou em 'loteria'. Análise diferencia opinião, posições do CFM e MEC e o que diz a lei.

A cardiologista e intensivista Dra. Ludhmila Hajjar afirmou, em entrevista citada por fontes, que a formação médica no Brasil se transformou em uma “loteria” que pode prejudicar pacientes e pôr em xeque critérios de qualificação profissional.

Segundo a narrativa destacada, a crítica aponta para a heterogeneidade de qualidade entre cursos, a expansão rápida de novas faculdades e a oferta insuficiente de vagas em residência médica. Em tom de alerta, Hajjar associou esses fatores a riscos para a segurança do atendimento.

Em análise do Noticioso360, que cruzou documentos oficiais e elementos públicos disponíveis, é preciso distinguir claramente entre impressões pessoais, propostas institucionais e a norma legal vigente antes de tirar conclusões definitivas.

O que foi dito e o que falta comprovar

A afirmação de que a formação “virou uma loteria” é uma interpretação de caráter opinativo, própria de um especialista que aponta falhas percebidas no sistema educacional e regulatório.

No entanto, relatos que atribuem ao Conselho Federal de Medicina (CFM) a intenção inequívoca de “barrar” formandos exigem comprovação documental. Não há, na apuração preliminar do Noticioso360, evidência pública imediata de norma que impeça automaticamente a saída de diplomados para a prática clínica sem etapas adicionais previstas em lei.

Quais órgãos fazem o quê?

O CFM é o órgão de classe que supervisiona a atividade médica, orienta a conduta ética e emite resoluções que guiam a atuação dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Já o Ministério da Educação (MEC) é responsável pelo credenciamento e avaliação de cursos superiores e pela formulação de políticas públicas para a educação superior.

Assim, qualquer mudança que limite o exercício profissional de recém-formados dependeria de atos compatíveis com as competências legais de cada instituição e, em muitos casos, de alterações legislativas ou regulamentares claras.

O que diz a lei

A Lei nº 12.842/2013 — a chamada Lei do Ato Médico — e normas do MEC estabelecem o marco normativo para o exercício da Medicina e os contornos da formação. A lei define atos privativos do médico e assegura regras sobre o exercício profissional, mas não prevê, por si só, um mecanismo universal de “barrar” diplomados antes do registro no CRM.

Na prática, o primeiro registro profissional e o registro no CRM são condicionados à apresentação de diploma e ao cumprimento de exigências administrativas, não a uma prova nacional única obrigatória prevista na lei. Propostas para criar um exame nacional de habilitação já foram discutidas publicamente e politicamente, mas dependem de tramitação legislativa ou de regulamentação específica.

Debates e antecedentes

Há anos o país debate a qualidade da formação médica, sobretudo após a expansão acelerada de cursos em algumas regiões. Além disso, a oferta de vagas em residência médica é frequentemente apontada como insuficiente para absorver todos os formandos que desejam especialização, o que alimenta propostas por filtros complementares.

Propostas de avaliações nacionais ou critérios adicionais de regulação costumam enfrentar resistências jurídicas e políticas. Críticos apontam que medidas desse tipo podem conflitar com a autonomia universitária e com o papel do MEC no credenciamento dos cursos.

O que a apuração do Noticioso360 verificou

De forma transparente, a redação do Noticioso360 não localizou, no momento desta verificação inicial, comunicados ou portarias públicas do CFM que oficializem uma medida imediata para impedir a saída de formandos das faculdades para a prática clínica.

A apuração cruzou informações sobre competências institucionais, a legislação aplicável e o debate público. Identificou, também, lacunas que precisam de checagem adicional: a íntegra da entrevista citada (com data e contexto), eventuais rascunhos de resoluções internas do CFM, comunicados formais do MEC e projetos de lei em tramitação que tratem do tema.

Recomendações para verificação

  • Consultar a íntegra da entrevista de Dra. Ludhmila Hajjar, com data e contexto de publicação.
  • Buscar comunicados oficiais e resoluções do CFM em seu portal e publicações no Diário Oficial.
  • Verificar notas do MEC sobre credenciamento de cursos, avaliações e propostas de exame nacional.
  • Pesquisar reportagens e matérias em veículos como Reuters, BBC Brasil, G1, Folha e Estadão para cruzar cronologias e versões.

Impactos práticos e legais

Qualquer medida efetiva que restringisse automaticamente a atuação de formandos exigiria atuação coordenada entre órgãos reguladores e, possivelmente, mudança na legislação. Na ausência dessa articulação, decisões pontuais ou resoluções interpretativas podem criar confusão entre universidades, hospitais e futuros médicos.

Além disso, filtrar o acesso à prática clínica sem ampliar vagas de residência ou sistemas de supervisão pode agravar a escassez de profissionais em áreas mais carentes.

Possíveis desdobramentos

Se o tema ganhar tração política e midiática, é provável que propostas de exame nacional de habilitação voltem ao debate público. Parlamentares, conselhos profissionais e universidades devem participar ativamente das discussões, que podem resultar em projetos de lei ou em resoluções setoriais.

Por outro lado, mudanças concretas devem respeitar marcos constitucionais e o papel do MEC, sob pena de gerar ações judiciais e perda de segurança jurídica.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima