Pesquisa sugere caminhos, mas solução não está comprovada
Estudos laboratoriais recentes reacenderam o interesse sobre o potencial do Polygonum multiflorum — conhecido na medicina tradicional chinesa como He Shou Wu — no combate à calvície androgenética. Em modelos in vitro e em animais, extratos da raiz demonstraram promover vias celulares associadas ao crescimento capilar e reduzir inflamação perifolicular.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou relatórios da Reuters e uma revisão científica indexada no PubMed, há mecanismos biológicos plausíveis, mas a translação desses achados para benefício clínico em humanos ainda é incerta.
O que dizem os estudos pré-clínicos
Pesquisas de laboratório apontam que compostos extraídos de He Shou Wu podem aumentar a expressão de fatores de crescimento, como VEGF, proteger células da papila dérmica contra estresse oxidativo e modular sinais hormonais relacionados ao metabolismo de andrógenos.
Além disso, análises fitoquímicas identificam polifenóis e terpenoides na raiz, substâncias conhecidas por propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes em outros contextos. Em modelos animais, essas ações se traduziram em maior proliferação de queratinócitos e maior atividade em folículos pilosos.
Mecanismos relevantes para a calvície androgenética
Os estudos destacam três frentes que justificam o interesse:
- Aumento de fatores de crescimento que favorecem a sobrevivência dos folículos;
- Redução do dano oxidativo nas células da papila dérmica;
- Inibição parcial de enzimas envolvidas no metabolismo dos andrógenos.
Esses efeitos, isoladamente ou combinados, oferecem uma base biológica para investigação clínica. No entanto, observar atividade em células ou animais não garante eficácia quando a substância é administrada a pessoas.
Limitações das evidências clínicas
Os ensaios em humanos ainda são escassos e, quando existem, apresentam limitações metodológicas significativas. Amostras pequenas, curto período de acompanhamento e falta de padronização das preparações de He Shou Wu comprometem a confiabilidade dos resultados.
Em muitos estudos clínicos preliminares, o controle com placebo é ausente ou insuficiente, e a variabilidade entre lotes de extrato dificulta comparações entre trabalhos. Em síntese, faltam ensaios randomizados, controlados e em número suficiente para recomendar o uso rotineiro.
Segurança e relatos de toxicidade
Um aspecto crítico da discussão é a segurança. Relatos médicos associaram preparações de Polygonum multiflorum a casos de toxicidade hepática, especialmente quando consumidas em doses elevadas ou por períodos prolongados.
Revisões de farmacovigilância e alertas de agências regulatórias sublinham risco potencial ao fígado, o que exige cautela. Profissionais ressaltam a necessidade de estudos toxicológicos bem delineados e de monitoramento da função hepática em ensaios clínicos.
Opiniões de especialistas
Ao conversar com dermatologistas e farmacologistas fitoterápicos, a avaliação foi convergente: He Shou Wu é um candidato promissor para pesquisa, mas não uma solução comprovada. “Os resultados pré-clínicos justificam ensaios clínicos bem desenhados, com controle, randomização e seguimento adequado”, afirma um pesquisador com experiência em terapias capilares.
A mesma fonte enfatiza que qualquer produto à base de plantas precisa de padronização dos extratos, controle de qualidade e estudos de segurança pré-clínicos antes de avançar para testes em larga escala.
O papel da indústria e da regulação
Para que qualquer alegação terapêutica seja confiável, a indústria de fitoterápicos deve investir em padronização, ensaios clínicos e em sistemas de controle de qualidade. Isso inclui identificação e quantificação dos princípios ativos, controle de contaminantes e estabilidade do produto.
Agências regulatórias e órgãos de saúde pública também têm papel central: emitem orientações sobre segurança, exigem relatórios de eventos adversos e podem determinar restrições até que evidências robustas estejam disponíveis.
Implicações para pacientes e médicos
Para pacientes interessados em abordagens tradicionais, o aconselhamento médico é imprescindível. Profissionais devem avaliar histórico individual, uso concomitante de medicamentos e função hepática antes de considerar qualquer produto derivado de Polygonum.
Enquanto não houver comprovação clínica consistente, tratamentos com evidência consolidada, como minoxidil e finasterida, permanecem como opções recomendadas quando indicadas.
Como avançar com segurança na pesquisa
Os próximos passos necessários para avaliar o real potencial de He Shou Wu incluem:
- Ensaios clínicos randomizados e controlados, com amostras adequadas;
- Avaliações de dose-resposta e duração do tratamento;
- Monitoramento rigoroso de funções hepáticas e outros desfechos de segurança;
- Comparações diretas com tratamentos estabelecidos;
- Padronização dos extratos e estudos farmacocinéticos.
Somente com esse conjunto de evidências será possível determinar se os efeitos observados em laboratório se traduzem em benefício líquido para pacientes com calvície androgenética.
Tom de mídia e risco de interpretação errônea
A cobertura na mídia tem variado entre destacar a tradição milenar e enfatizar as lacunas científicas. Essa diferença de tom pode confundir leitores e, em alguns casos, estimular experimentações sem supervisão médica.
A redação do Noticioso360 recomenda cautela e consulta a profissionais de saúde antes do uso de produtos à base de Polygonum.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que avanços na pesquisa podem redefinir tratamentos capilares nos próximos anos.
Fontes
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