Riscos e cuidados: por que a lâmina é desaconselhada
A depilação íntima com lâmina — prática comum por motivos estéticos ou de higiene — vem sendo reavaliada por profissionais de saúde no Brasil. Médicos apontam que o uso de lâminas descartáveis ou de barbear pode causar microcortes, foliculite, pelos encravados e facilitar infecções da pele.
Segundo relatos de especialistas ouvidos em reportagens, a região genital tem pele mais fina e sensível, o que eleva o risco de irritação e hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente em pessoas com fototipos mais altos. Além disso, ambientes úmidos e higiene inadequada após a depilação aumentam a chance de complicações.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, compilada a partir de reportagens e entrevistas com urologistas e dermatologistas, os principais problemas associados ao uso de lâminas na área íntima incluem lesões epidérmicas (microcortes), foliculite (inflamação dos folículos pilosos), pseudofoliculite (pelos encravados) e infecções bacterianas secundárias.
Por que ocorrem as complicações
Especialistas informam que os microcortes, muitas vezes imperceptíveis, rompem a barreira protetora da pele e facilitam a entrada de microrganismos. A fricção de roupas justas logo após o procedimento e a exposição a banhos compartilhados ou piscinas mal cloradas podem agravar o quadro.
“A região é muito sensível e exige técnica e cuidado”, afirma um dermatologista ouvido nas reportagens. Profissionais ressaltam que a pressa, a falta de lubrificação adequada e lâminas velhas ou sujas ampliam o risco de dano cutâneo.
Complicações mais frequentes
- Microcortes e pequenas lesões na epiderme;
- Foliculite e pseudofoliculite (pelos encravados);
- Irritação e hiperpigmentação pós-inflamatória;
- Infecções bacterianas secundárias que, em casos mais severos, podem requerer antibiótico.
Alternativas à lâmina: prós e contras
Profissionais apontam que alguns métodos tendem a preservar melhor a integridade da pele. A depilação a cera, realizada por técnico qualificado, reduz a chance de pelos encravados, mas traz riscos — como queimaduras — caso a técnica ou a temperatura da cera não sejam adequadas.
A depilação a laser aparece como alternativa de maior durabilidade e menor incidência de pelos encravados. Contudo, exige avaliação prévia e pode ser contraindicada em alguns tipos de pele ou por motivos médicos. Além disso, o custo e a necessidade de múltiplas sessões tornam o laser menos acessível para parte da população.
Cremes depilatórios e aparelhos elétricos de aparar também são opções. Cada método tem efeitos diferentes sobre a pele e deve ser considerado segundo sensibilidade individual, histórico de infecções e condições dermatológicas pré-existentes.
Orientações práticas para quem opta pela lâmina
Quando a lâmina for escolhida, médicos recomendam procedimentos para reduzir danos:
- Evitar barbear imediatamente após relações sexuais;
- Usar lubrificante ou creme de barbear específico para reduzir atrito;
- Empregar lâminas limpas e trocar com frequência;
- Não passar a lâmina sobre pele irritada ou cortada;
- Fazer higienização suave com sabonete neutro depois do processo;
- Evitar roupas muito justas nas horas seguintes para reduzir fricção.
Em caso de sinais de infecção — supuração, dor intensa, aumento da vermelhidão, febre ou adenomegalia regional — a recomendação é buscar avaliação médica. Tratamentos podem incluir antibióticos tópicos ou orais e cuidados locais para controlar inflamação.
Aspectos culturais e impacto no comportamento
Reportagens do G1 e da BBC Brasil citadas nas apurações apontam que a normalização cultural da depilação íntima aumentou a procura por métodos rápidos e caseiros, como a lâmina. Essa popularização faz com que muitas pessoas busquem soluções sem orientação técnica, elevando a ocorrência de lesões tratáveis em serviços de saúde básicos.
Por outro lado, há divergências nas recomendações entre profissionais: enquanto alguns desaconselham totalmente o uso da lâmina nas áreas mais internas da genitália, outros admitem seu uso com cautela em regiões externas, desde que se respeitem as medidas de técnica e higiene.
Quando consultar um especialista
Quem tem histórico de infecções recorrentes, doenças dermatológicas prévias ou reações exageradas deve procurar avaliação antes de adotar qualquer método. Urologistas e dermatologistas podem indicar opções adequadas ao tipo de pele, ao histórico clínico e à rotina do paciente.
Para procedimentos estéticos como cera e laser, a orientação profissional prévia reduz o risco de complicações e ajuda a escolher a técnica mais segura.
Educação e prevenção
A apuração do Noticioso360 destaca que campanhas informativas sobre técnica correta e sinais de complicação podem diminuir a procura desnecessária por serviços de saúde e prevenir eventos adversos. Informação acessível e orientações práticas podem reduzir complicações evitáveis e orientar escolhas mais seguras.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Especialistas consultados reforçam que, embora existam opções seguras para a depilação íntima, a escolha deve sempre considerar fatores individuais. A tendência é que, com maior acesso à informação, prevaleçam práticas que priorizem a integridade da pele e reduzam complicações.
Analistas de saúde apontam que a mudança de hábitos de depilação pode reduzir a demanda por atendimentos dermatológicos rotineiros e orientar políticas de prevenção em unidades básicas.
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