Estudo liga sessões contínuas de 20–30 minutos a benefícios cardiovasculares além da contagem diária de passos.

Duração da caminhada importa mais que número de passos

Pesquisadores apontam que caminhar de forma contínua por 20–30 minutos traz vantagens cardiovasculares além do total de passos.

Pesquisa aponta vantagem do tempo contínuo de caminhada

Um novo estudo liderado por pesquisadores espanhóis sugere que a duração contínua das caminhadas pode ter impacto maior na saúde cardiovascular do que a simples contagem diária de passos.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e da BBC Brasil, as sessões de caminhada mais longas — mesmo quando o total diário de passos é moderado — associaram-se a melhora na circulação e redução de rigidez arterial.

Como foi o estudo

Os autores analisaram padrões de atividade física medidos por acelerômetros em milhares de adultos. Em vez de focar apenas no volume de movimento (número total de passos), a pesquisa comparou métricas de duração de episódios de caminhada com indicadores clínicos do sistema cardiovascular.

Foram avaliados parâmetros como rigidez arterial, fluxo sanguíneo e marcadores inflamatórios. Os pesquisadores também controlaram fatores demográficos e clínicos — incluindo idade, sexo, índice de massa corporal e comorbidades — para isolar o efeito da duração das sessões de caminhada.

Resultados principais

O estudo encontrou associação consistente entre sessões contínuas de caminhada de maior duração e melhora em medidas de saúde vascular. Participantes que realizavam caminhadas de ao menos 20–30 minutos por vez apresentaram sinais de melhor função endotelial e menor rigidez arterial.

Os ganhos foram observados mesmo entre indivíduos com contagens moderadas de passos diários, o que sugere que a qualidade e o tempo de cada sessão podem complementar as metas tradicionais baseadas em passos.

O que a cobertura internacional ressaltou

A reportagem da Reuters destacou a robustez estatística e o potencial impacto para recomendações públicas, enquanto a BBC Brasil chamou atenção para limitações metodológicas: amostras com perfis demográficos específicos e a dificuldade de inferir causalidade em estudos observacionais.

Por outro lado, especialistas citados nas matérias explicaram que caminhadas contínuas favorecem o fluxo sanguíneo sustentado, promovendo relaxamento endotelial e redução da rigidez arterial, mecanismos fisiológicos plausíveis para os achados.

Limitações e cuidados metodológicos

Conforme alertado pela apuração do Noticioso360, a pesquisa depende de dispositivos que medem movimento, como acelerômetros, que podem confundir tipos de atividade (por exemplo, movimento doméstico versus caminhada ao ar livre).

Além disso, fatores socioeconômicos e ambientais — como acesso a espaços seguros para caminhar — influenciam tanto a duração quanto a regularidade das caminhadas e podem confundir associações observadas.

Risco de interpretação equivocada

Especialistas lembram que associação não é prova de causalidade. Para afirmar que aumentar a duração das caminhadas causará melhora cardiovascular, são necessários ensaios clínicos randomizados ou estudos longitudinais com controle rigoroso de vieses.

Implicações práticas para leitores

Para adultos saudáveis, a orientação prática que emerge da combinação das matérias e do estudo é priorizar sessões de caminhada contínuas de 20–30 minutos, realizadas com regularidade semanal.

Além disso, recomenda-se combinar essas caminhadas com atividades de fortalecimento e, quando possível, variar intensidade gradualmente. Pessoas com condições médicas devem buscar avaliação profissional antes de alterar rotinas de exercícios.

Contexto das recomendações brasileiras

As diretrizes brasileiras de atividade física já recomendam combinações de atividade aeróbica e de fortalecimento. As novas interpretações sugerem que, ao orientar pacientes e a população, profissionais de saúde podem enfatizar tanto metas em passos quanto a duração das sessões.

Campanhas de promoção da saúde e guias públicos podem incorporar mensagens sobre a importância de sessões contínuas de caminhada, especialmente em comunidades com acesso adequado a espaços de caminhada.

O que vem a seguir na pesquisa

Pesquisadores e autoridades de saúde devem buscar ensaios clínicos que testem intervenções para aumentar a duração das sessões de caminhada e avaliar efeitos diretos sobre marcadores cardiovasculares e eventos clínicos.

No curto prazo, é provável que orientações e campanhas passem a mencionar a duração dos episódios de caminhada como complemento às metas de passos. No longo prazo, estudos com desenho robusto são necessários para definir valores ótimos por faixa etária.

Recomendações práticas

  • Priorize caminhadas contínuas de pelo menos 20–30 minutos por sessão.
  • Busque regularidade semanal e aumento gradual do tempo e da intensidade.
  • Combine caminhada com exercícios de fortalecimento muscular.
  • Consulte um profissional de saúde se houver doenças pré-existentes.

Fontes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima