Pesquisadores identificaram fragmentos do DNA de Treponema pallidum — bactéria associada a infecções treponêmicas, incluindo a sífilis — em ossos humanos escavados em sítios arqueológicos da atual Colômbia e datados em cerca de 5.500 anos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, os achados foram obtidos por meio de técnicas de paleogenética aplicadas a tecido ósseo preservado, com protocolos de extração, sequenciamento e controles para minimizar contaminação moderna.
Descoberta e métodos
O estudo relatado pelos autores recuperou pequenos fragmentos de DNA preservados na matriz óssea. As amostras passaram por extração em ambiente laboratorial controlado, biblioteca para sequenciamento de nova geração e filtros bioinformáticos para separar sinais autênticos de ruído ou contaminação.
Além disso, os pesquisadores compararam as sequências obtidas com bancos de referência de genomas modernos e antigos de Treponema para avaliar afinidades filogenéticas. A datação que sustenta a estimativa de aproximadamente 5.500 anos baseou‑se, segundo os autores, em contextos arqueológicos e em datação por radiocarbono associada às camadas onde os restos foram recuperados.
Curadoria e contexto editorial
De acordo com a apuração do Noticioso360, há consenso entre as fontes consultadas sobre a presença de vestígios treponêmicos antigos na América do Sul, embora persista debate sobre interpretação epidemiológica e rotas de dispersão da bactéria.
O noticiário que repercutiu o estudo variou na ênfase: alguns veículos destacaram a antiguidade surpreendente do material genético; outros, a partir de entrevistas com paleopatologistas, sublinharam cautela quanto a extrapolações sobre prevalência clínica e gravidade da doença naquele contexto.
O que a presença de DNA significa
A recuperação direta de material genético é uma evidência forte de que o microrganismo esteve presente nos corpos analisados. No entanto, especialistas consultados ressaltam que presença de DNA não equivale automaticamente à ocorrência generalizada de sífilis clínica tal como a definimos hoje, com lesões ósseas características ou surtos documentados.
Por outro lado, a identificação molecular amplia o registro paleopatológico, que tradicionalmente se apoia em alterações morfológicas ósseas de interpretação complexa. Fragments genômicos permitem inferências sobre parentesco filogenético com linhagens conhecidas e sinalizam a necessidade de reavaliar cronologias e modelos de dispersão.
Implicações para a história das treponematoses
Se replicada por outros estudos e confirmada por amostras adicionais, a presença antiga de Treponema pallidum na América do Sul reforçaria a hipótese de circulação local prolongada antes do contato europeu. Isso pode influenciar modelos que atribuem à era pós‑Colombiana a origem da sífilis como um fenômeno global.
No entanto, a história evolutiva e epidemiológica de treponematoses envolve múltiplas espécies e variantes, manifestações clínicas variadas e fatores ambientais e sociais que afetam transmissão. Por isso, interpretações robustas dependem de mais genomas antigos, amostragem geograficamente mais ampla e análises filogenômicas detalhadas.
Limitações e próximos passos
A equipe e especialistas ouvidos pelo Noticioso360 recomendam prudência. Entre as principais limitações estão a baixa quantidade de material genético recuperado, a dependência de bancos de referência existentes e a necessidade de datação direta das amostras por radiocarbono quando possível.
Os próximos passos sugeridos incluem replicação independente do sequenciamento em laboratórios distintos, aumento do número de indivíduos e sítios analisados na América do Sul e integração de dados arqueológicos, isotópicos e paleopatológicos para contextualizar mobilidade, dieta e padrões de saúde das populações afetadas.
Contexto arqueológico
Os restos estudados provêm de sítios atribuídos a grupos de caçadores‑colectores, com sepultamentos cuja estratigrafia e associação de materiais permitiram estimativas cronológicas por radiocarbono. Esses contextos reforçam a hipótese de que a bactéria circulava em populações de pequeno porte e redes de contato regionais.
Entretanto, a dinâmica de transmissão em populações pré‑agrícolas pode diferir substancialmente da observada em sociedades urbanas modernas, alterando expectativa de surtos e padrões de patologia óssea.
O que esperar agora
O achado representa um avanço importante para a paleopatologia e para o entendimento da história das treponematoses, mas não é definitivo. Pesquisas complementares e dados adicionais são essenciais para transformar a detecção de fragmentos genéticos em um quadro confiável sobre distribuição, diversidade e impacto clínico da bactéria no passado.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que a repercussão científica do achado pode redefinir modelos sobre circulação de doenças infecciosas na Pré‑história e estimular uma nova onda de pesquisa interdisciplinar.
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