Resumo
Uma nova consolidação de evidências produzida por especialistas britânicos aponta intervenções com maior suporte científico para aliviar a constipação: fibras solúveis (em especial o psyllium), suplementos de magnésio e certas frutas, como ameixas secas e kiwi.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou reportagens da Reuters e da BBC Brasil, a recomendação prática é começar por medidas dietéticas e de estilo de vida antes de avançar para tratamentos farmacológicos.
O que a revisão diz
O documento revisou ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas para separar intervenções com efeito consistente daquelas com resultados heterogêneos. Entre os achados mais robustos estão os agentes formadores de volume solúveis, sobretudo o psyllium (ispaghula).
Psyllium e fibras solúveis
Estudos controlados indicam que o psyllium melhora a frequência e a consistência das evacuações quando usado em doses adequadas. Comparado a fibras insolúveis, o psyllium frequentemente mostrou efeito superior na redução da dificuldade de evacuar.
Magnésio
Suplementos de magnésio surgem como alternativa útil para quem precisa de efeito osmótico — isto é, aumentam o conteúdo de água no intestino e facilitam a passagem das fezes. A revisão ressalta benefício em estudos clínicos, especialmente quando outras medidas não foram suficientes.
Frutas com efeito clínico
Entre os alimentos, as ameixas secas (ameixas pretas) e o kiwi receberam menção por terem evidência de melhora na frequência de evacuações. As ameixas contêm sorbitol e fibras solúveis que aceleram o trânsito. O kiwi combina fibras e compostos que parecem estimular a motilidade intestinal em estudos controlados.
O papel dos probióticos e suas limitações
A avaliação sobre probióticos é mais cautelosa. Alguns ensaios pequenos mostraram benefício para cepas específicas, mas a literatura é heterogênea: resultados variam conforme cepa, dose e população estudada.
Por isso, a síntese não recomenda o uso universal de probióticos para constipação crônica. A orientação é escolher produtos com cepas e dosagens respaldadas por ensaios clínicos quando houver indicação.
Medidas complementares e recomendações práticas
Além de fibras e suplementos, os especialistas lembram medidas básicas: ingestão adequada de líquidos, atividade física regular e revisão de medicamentos que possam causar constipação (analgésicos opioides, alguns antidepressivos e antiácidos com alumínio ou cálcio).
Para o leitor que busca orientação prática no Brasil, a sugestão é iniciar por intervenções simples e seguras: aumentar fontes de fibra solúvel na dieta (aveia, psyllium), incluir ameixa seca e kiwi, manter hidratação e exercícios, e considerar magnésio sob orientação profissional.
Quando procurar ajuda médica
Se os sintomas persistirem ou surgirem sinais de alarme — sangue nas fezes, perda de peso involuntária, dor abdominal intensa ou obstrução — é imprescindível investigação médica. Casos refratários podem exigir exames para descartar causas secundárias (obstrução, alterações metabólicas ou neurológicas) e tratamentos farmacológicos prescritos.
Qualidade das evidências e cautelas
Os especialistas destacam limitações: muitos estudos têm amostras pequenas, curto tempo de acompanhamento ou populações específicas (idosos, pacientes com constipação funcional). A qualidade dos suplementos e probióticos comercializados também varia, o que pode afetar os resultados na prática.
Diferenças nas coberturas jornalísticas
Ao confrontar reportagens, percebe-se diferença de ênfase. A cobertura da Reuters destaca o consenso sobre psyllium e magnésio como intervenções com evidência relativamente robusta. A BBC Brasil dá mais espaço à utilidade prática de frutas como ameixa e kiwi e aos limites dos probióticos.
A curadoria da redação do Noticioso360 integrou essas vertentes, checando tipos de estudos citados (randomizados, tamanho amostral, duração) e sublinhando a necessidade de individualizar o tratamento.
Como aplicar na rotina
Práticas simples podem ser testadas de maneira segura: iniciar com aumento gradual de fibras solúveis, hidratação adequada e atividade física. Para o psyllium, seguir doses recomendadas no rótulo ou por profissional de saúde é importante para evitar desconforto abdominal.
O magnésio pode ser eficaz, mas requer atenção a contraindicações (insuficiência renal, interações medicamentosas) e orientação de um médico ou farmacêutico.
Projeção
Especialistas apontam que a adoção crescente de intervenções dietéticas e de suplementos com respaldo científico pode reduzir a dependência de laxantes de ação direta e reorientar protocolos de tratamento nos próximos anos.



