Dois grandes estudos com acompanhamento de até 30 anos indicam que não basta apenas praticar uma modalidade de exercício: mesclar atividades aeróbicas e de resistência parece trazer benefício extra para a longevidade e a saúde funcional.
Os trabalhos, que acompanharam mais de 11 mil participantes, mostram associações consistentes entre diversidade de exercício e menor mortalidade. Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em informações da Reuters e da BBC Brasil, os resultados reforçam a recomendação de combinar diferentes tipos de treino para obter ganhos complementares.
O que os estudos encontraram
O primeiro estudo avaliou padrões de atividade — frequência, duração e tipos — e correlacionou esses padrões com desfechos de mortalidade ao longo de décadas. O segundo comparou diretamente os efeitos de atividades aeróbicas isoladas, exercícios de resistência (força) e a combinação entre ambos.
Em linhas gerais, participantes que combinavam exercícios aeróbicos (como caminhar rápido, correr ou pedalar) com treinamento de força apresentaram risco menor de morte em comparação com quem fazia apenas um tipo de atividade. Os benefícios apareceram mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, tabagismo e comorbidades.
Por que a combinação faz diferença
Especialistas ouvidos pelas reportagens explicam mecanismos plausíveis. A atividade aeróbica melhora a capacidade cardiovascular, a resistência e o metabolismo energético. Já o treinamento de força ajuda a preservar massa muscular, força, equilíbrio e a função física ao longo do envelhecimento.
Juntos, esses efeitos reduzem fatores de risco como obesidade, hipertensão, resistência à insulina e fragilidade. Ou seja, os benefícios não são redundantes: eles atuam de forma complementar, ampliando a proteção contra doenças crônicas e declínio funcional.
Limitações e grau de evidência
Por outro lado, as matérias destacam limites importantes. Grande parte dos dados é observacional e depende de autorrelato da prática de exercício, o que pode introduzir vieses de memória e superestimação da atividade.
Embora o seguimento prolongado e o tamanho das coortes aumentem a robustez das associações, os estudos observacionais não comprovam causalidade definitiva. Testes clínicos randomizados e intervenções de longo prazo seriam necessários para estabelecer com segurança que a combinação de exercícios causa maior longevidade.
Interpretação prudente
Na prática, isso significa que os resultados fortalecem recomendações já existentes, mas não substituem pesquisa experimental. Especialistas chamam atenção para ajuste de intensidade e volume conforme condições individuais e para a importância do acompanhamento profissional quando há doenças crônicas.
O que fazer na rotina
As reportagens compiladas sugerem orientações práticas: incluir sessões semanais de atividade aeróbica moderada a vigorosa (150–300 minutos por semana de intensidade moderada ou 75–150 minutos vigorosa, conforme diretrizes internacionais) e complementar com exercícios de força para os grandes grupos musculares pelo menos duas vezes por semana.
Para quem está começando, a recomendação é progredir gradualmente: iniciar com caminhadas e exercícios de resistência com o peso corporal, e aumentar intensidade e volume conforme tolerância. Manter variedade — alternando corrida, ciclismo, natação e treinos de força — ajuda a trabalhar diferentes capacidades físicas e reduzir risco de lesão.
Implicações para saúde pública
Do ponto de vista de políticas públicas, a mensagem é clara: programas que estimulam apenas um tipo de atividade podem perder oportunidade de benefícios mais amplos. Incentivos à prática combinada, espaços adequados para treinos de força e campanhas que expliquem a complementaridade entre modalidades podem ampliar ganhos populacionais.
Além disso, estratégias que facilitem a adesão — como treinos curtos, supervisionados e integrados ao cotidiano — tendem a ser mais eficazes em reduzir o sedentarismo, especialmente entre idosos e pessoas com limitações.
Recomendações práticas e segurança
Profissionais consultados destacam a necessidade de adaptar programas a condições clínicas. Quem tem doenças cardiovasculares, osteoarticulares ou outras limitações deve buscar avaliação e orientação antes de aumentar intensidade.
Medidas simples podem aumentar segurança: aquecimento adequado, progressão gradual de carga, dias de recuperação e atenção a sinais de dor ou cansaço exagerado. A combinação de exercícios não precisa ser complexa: sessões curtas de força intercaladas com aeróbicos já trazem benefício.
Conclusão e projeção
Os estudos analisados indicam que variar o tipo de exercício — unindo aeróbicos e treino de força — está associado a menor risco de morte e melhora de indicadores de saúde ao longo do tempo. Embora a evidência seja em grande parte observacional, o padrão é consistente e alinhado a conhecimento fisiológico.
No futuro, pesquisadores devem priorizar ensaios de intervenção de longo prazo e medidas objetivas de atividade física (como acelerômetros) para confirmar os achados e quantificar o impacto real da combinação de modalidades.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas de saúde apontam que, com campanhas públicas e maior acesso a acompanhamento, a promoção de rotinas combinadas pode ampliar a expectativa de vida saudável da população.
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