Estudos sugerem que cerejas podem reduzir crises de gota; evidência é promissora, mas não substitui tratamento médico.

Cerejas e a gota: o que dizem as evidências

Pesquisas associam consumo de cerejas à redução de crises de gota e marcadores inflamatórios; doses e segurança variam entre estudos.

Cerejas e gota: promessa em meio a limites dos estudos

A ingestão de cerejas — inteiras ou em forma de extrato — tem sido associada, em estudos, à redução da frequência de ataques de gota e à queda de biomarcadores inflamatórios. A hipótese é que compostos como as antocianinas exercem efeito anti-inflamatório e podem influenciar a concentração de ácido úrico no sangue.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a evidência disponível até o momento combina estudos observacionais e ensaios clínicos de pequeno porte, que apontam para um benefício potencial, mas não estabelecem um padrão terapêutico definitivo.

O que dizem as pesquisas

O estudo mais citado sobre o tema acompanhou pacientes com histórico de crises recorrentes e encontrou associação entre o consumo de cerejas nos dias pré-ataque e menor risco de recorrência. Outros trabalhos menores, incluindo alguns ensaios controlados, avaliaram extratos padronizados ou suplementos e relataram redução da dor e de marcadores inflamatórios.

No entanto, muitos estudos são observacionais ou com número limitado de participantes. Há também grande heterogeneidade nas formas de apresentação analisadas: fruta fresca, suco, concentrado e suplemento. Essas diferenças afetam a quantidade de compostos bioativos ingeridos e dificultam comparações diretas entre resultados.

Quantas cerejas por dia?

A literatura não definiu uma dose padrão. Reportagens científicas e estudos citados indicam que o consumo de uma porção moderada diária — aproximadamente 10 a 20 cerejas (ou 30 a 90 gramas) — foi associado a efeitos benéficos em alguns levantamentos observacionais.

Em ensaios que testaram extratos, a dose efetiva variou conforme o produto e a concentração de antocianinas. Por isso, não é possível recomendar uma quantidade única que sirva como tratamento. Profissionais de saúde consultados em reportagens orientam que a fruta ou suplementos devem ser considerados medidas complementares e não substitutas da terapia medicamentosa quando esta for indicada.

Formas de consumo e segurança

Fruta fresca sem adição de açúcar é a forma mais indicada para a maioria das pessoas. Sucos ou concentrados adoçados aumentam a ingestão de açúcar e podem ser problemáticos para diabéticos ou pessoas sensíveis à frutose.

Em termos de segurança, não há relatos generalizados de efeitos adversos graves relacionados ao consumo moderado de cerejas. Ainda assim, quem tem condições crônicas (como diabetes) deve observar o impacto glicêmico e procurar orientação profissional antes de usar suplementos concentrados.

Limitações e cautelas clínico-nutricionais

Especialistas ouvidos em reportagens internacionais ressaltam limitações metodológicas: pequenas amostras, curto período de seguimento e falta de padronização nas preparações. Essas fragilidades impedem afirmar, com firmeza, que o consumo de cereja reduz o ácido úrico de forma clínica e sustentada em todos os pacientes.

Além disso, a gota é multifatorial. Fatores dietéticos e de estilo de vida — redução de álcool, especialmente cerveja; moderação do consumo de carnes vermelhas e vísceras ricas em purinas; perda de peso quando indicada; e hidratação adequada — têm impacto comprovado na gestão da hiperuricemia.

Recomendações práticas para pacientes

Com base nas evidências e nas orientações compiladas pelo Noticioso360, as recomendações práticas que emergem são:

  • Considerar a cereja fresca como parte de uma alimentação variada, não como tratamento isolado.
  • Evitar sucos e concentrados adoçados; preferir a fruta inteira sem adição de açúcar.
  • Não suspender medicamentos prescritos para gota com base apenas no consumo de cereja.
  • Consultar um médico ou nutricionista antes de iniciar suplementos padronizados de extrato de cereja.
  • Manter medidas comprovadas de prevenção: redução de álcool, controle de peso, hidratação e moderação de alimentos ricos em purinas.

O que a pesquisa precisa provar

Para transformar a associação observada em recomendação terapêutica formal, são necessários estudos randomizados de maior escala, com duração mais longa e padronização das doses e formulações. A padronização permitiria comparar resultados entre diferentes ensaios e estimar um efeito clínico robusto.

Pesquisas futuras também devem explorar quais grupos de pacientes poderiam se beneficiar mais (por exemplo, frequência de crises, perfil metabólico ou uso concomitante de drogas uricosúricas) e avaliar possíveis interações com medicamentos utilizados no tratamento da gota.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que, com mais pesquisas, a integração de alimentos funcionais como a cereja às orientações clínicas pode ganhar espaço na prevenção da gota nos próximos anos.

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