Manter o celular ao alcance da cama é uma prática comum, mas pesquisas científicas e reportagens recentes ligadas ao tema indicam riscos reais à qualidade do sono.
Estudos experimentais mostram que a luz emitida por telas e os estímulos eletrônicos noturnos atrasam o relógio biológico, reduzem a produção de melatonina e fragmentam o sono profundo. Além disso, notificações sonoras e a simples disponibilidade do aparelho estimulam verificações constantes, prolongando o tempo de tela e retardando o momento de deitar.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou reportagens da Reuters e da BBC Brasil com estudos revisados por pares, a combinação entre exposição à luz visível — especialmente o espectro azul — e comportamentos de checagem noturna aparece como responsável por boa parte do impacto observado em laboratório e em levantamentos populacionais.
Como a luz altera o sono
Pesquisas controladas demonstram que luzes com maior componente azul, como as telas de smartphones, suprimem a liberação de melatonina — o hormônio que sinaliza ao corpo que é hora de dormir.
Um estudo clássico, publicado em 2015 no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostrou que o uso de dispositivos de tela à noite pode atrasar o início do sono e prejudicar o desempenho no dia seguinte. Experimentos semelhantes confirmaram menor intensidade de sono profundo e maior latência para adormecer após exposição noturna a telas.
Impacto mensurável e variações individuais
Embora a evidência experimental seja consistente, a magnitude do efeito varia entre indivíduos. Idade, sensibilidade à luz, rotina de sono e consumo de cafeína influenciam o impacto. Estudos populacionais apontam correlações com maior sonolência diurna e pior desempenho cognitivo, mas alertam que outros fatores comportamentais também pesam.
Notificações e microdespertares
Além da luz, há efeitos diretos do próprio aparelho: sons, vibrações e alertas promovem microdespertares que fragmentam os ciclos de sono, reduzindo especialmente o tempo de sono profundo.
Relatos e estudos identificam que mesmo quando o usuário não responde, o estímulo sensorial pode alterar a continuidade do sono, com efecto acumulativo sobre a sensação de descanso ao longo de dias e semanas.
Comportamento: a disponibilidade estimula o uso
A presença física do celular no quarto facilita hábitos de verificação que prolongam a exposição às telas. Redes sociais, mensagens e notificações impulsionam checagens repetidas e aumento da excitação mental antes de dormir.
Especialistas citados em matérias da BBC Brasil e da Reuters recomendam reservar a cama para descanso e criar uma rotina digital que limite o uso de dispositivos nas horas que antecedem o sono.
O que a redação recomenda
Com base nas evidências revisadas, a orientação prática é simples e efetiva: manter o celular fora do quarto quando possível. Quando isso não for viável, colocar o aparelho no modo silencioso, virar a tela para baixo e ativar filtros noturnos pode reduzir parte do impacto.
Outras medidas incluem programar períodos sem notificações (modo “não perturbe”), reduzir o brilho manualmente antes de dormir e estabelecer uma janela livre de telas de pelo menos 60 minutos.
Limites da evidência e sinais menos conclusivos
Nem todos os efeitos atribuídos ao celular têm igual suporte científico. A ligação entre sinais sem fio (radiofrequência) e sono é menos robusta: revisões sistemáticas apontam que as evidências ainda são inconclusivas e demandam estudos longitudinais com maior acompanhamento.
Além disso, estudos observacionais frequentemente identificam múltiplas causas associadas a distúrbios do sono, como estresse, irregularidade de horários e consumo de substâncias estimulantes. Ou seja, o uso do celular é um componente entre vários determinantes.
Recomendações práticas
- Deixe o celular em outro cômodo durante a noite, quando possível.
- Ative modo silencioso e “não perturbe” para evitar vibrações e sons.
- Use filtros noturnos ou ajuste o brilho para reduzir luz azul.
- Estabeleça uma rotina sem telas por pelo menos uma hora antes de dormir.
- Reserve a cama só para dormir e sexo — evite trabalhar ou ver vídeos na cama.
O que esperar no futuro
Com o aumento da atenção pública sobre sono e saúde mental, empresas e pesquisadores têm buscado soluções práticas: modos noturnos automáticos, limites de tempo de uso e atualizações em design de interfaces para reduzir estímulos noturnos.
Especialistas consultados pela imprensa sugerem que pesquisas futuras, especialmente estudos longitudinais e com amostras maiores, serão essenciais para quantificar efeitos de longo prazo e orientar políticas de saúde pública.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que a crescente conscientização sobre sono e tecnologia pode incentivar mudanças em produtos, rotinas e políticas públicas nos próximos anos.
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