Procura por melatonina e por ‘higiene do sono’ cresce entre brasileiros; especialistas pedem cautela.

Buscas por melatonina disparam no Brasil

Levantamento do Noticioso360 mostra aumento acentuado nas buscas por melatonina e práticas de higiene do sono no Brasil, acima da média global.

Interesse por alternativas ao Rivotril cresce entre brasileiros

As buscas por melatonina entre brasileiros aumentaram de forma consistente nos últimos anos, superando em períodos pontuais a procura por medicamentos como o clonazepam, comercialmente conhecido como Rivotril.

O movimento acompanha também um crescimento nas pesquisas por termos relacionados à higiene do sono, que agregam práticas não farmacológicas para melhorar a qualidade do sono.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em cruzamento de dados públicos e reportagens de veículos nacionais, o fenômeno tem várias causas sobrepostas: maior circulação de conteúdo sobre sono nas redes sociais, mudanças no comportamento durante e após a pandemia, e oferta crescente de suplementos sem prescrição.

Por que o interesse aumentou?

Fontes jornalísticas consultadas indicam que a busca por soluções para insônia e dificuldade para dormir se intensificou com alterações de rotina e níveis de estresse. Além disso, relatos em redes sociais sobre benefícios percebidos da melatonina estimularam a curiosidade de consumidores.

Farmacêuticos e médicos ouvidos por reportagens afirmam que uma parcela dos pacientes busca alternativas ao uso continuado de benzodiazepínicos, que têm efeito ansiolítico e sedativo. Essa migração parcial de interesse pode explicar o deslocamento temporário da atenção para a melatonina.

Melatonina: hormônio, não sedativo

Médicos especializados em sono lembram que a melatonina é um hormônio com papel fisiológico no ciclo sono‑vigília e não funciona como sedativo clássico. Em contextos como distúrbios do ritmo circadiano, trabalho em turnos ou jet lag, seu uso é indicado em protocolos específicos.

“A melatonina regula sinais de sono, mas não é um calmante. Doses e tempo de uso importam”, afirma um neurologista consultado em reportagens. O uso indiscriminado, sem avaliação profissional, levanta dúvidas sobre eficácia e possíveis interações com outros medicamentos.

O que dizem as evidências e os especialistas

Estudos e guias clínicos indicam que intervenções comportamentais, conhecidas como terapia cognitivo‑comportamental para insônia (TCC‑I), são frequentemente a primeira linha de tratamento.

Intervenções simples — como restrição de estímulos antes de deitar, manutenção de ambiente adequado e rotina regular — têm respaldo científico e costumam ser recomendadas antes do início de suplementos ou medicamentos.

Além disso, especialistas alertam para a necessidade de investigar causas subjacentes de sono ruim, como depressão, apneia do sono ou efeitos adversos de outros medicamentos, antes de iniciar qualquer tratamento por conta própria.

Disponibilidade e regulação

Há diferenças importantes entre países: em alguns lugares, a melatonina é vendida livremente; em outros, é mais controlada. No Brasil, o debate público envolve rotulações, orientação ao consumidor e estratégias para evitar automedicação indevida.

Comercialização de suplementos com melatonina em lojas físicas e online tem facilitado o acesso, mas também elevado a chance de uso sem acompanhamento médico. Farmacêuticos relatam aumento de procura por doses variadas e por produtos importados, nem sempre acompanhados de informação clara sobre posologia.

Riscos e efeitos colaterais

Embora geralmente considerada segura em curto prazo para a maioria dos adultos, a melatonina pode causar efeitos como sonolência diurna, dor de cabeça e interações com anticoagulantes, anticoncepcionais e outros medicamentos.

Grupos específicos — gestantes, lactantes, crianças e pacientes com doenças crônicas — devem evitar automedicação. A avaliação clínica permite ajustar dose, identificar contraindicações e verificar possíveis interações.

Quando procurar um médico

Profissionais recomendam avaliação médica para quem tem insônia persistente, sono fragmentado, ronco intenso ou sono não reparador que afeta rotina e saúde mental. O diagnóstico ajuda a definir tratamento adequado e a evitar uso prolongado de suplementos sem benefício comprovado.

Em muitos casos, a orientação combina mudança de hábitos, terapias comportamentais e, quando necessário, medicação prescrita por especialista.

Informação nas redes e desafios de saúde pública

O crescimento das buscas por melatonina e pela higiene do sono reflete maior atenção ao tema, mas também revela lacunas informacionais. Conteúdos nas redes sociais frequentemente simplificam recomendações ou divulgam protocolos sem comprovação robusta para todos os públicos.

A promoção de campanhas informativas, rotulagem clara e orientação por profissionais de saúde são medidas apontadas por especialistas como necessárias para reduzir riscos de automedicação e uso inadequado.

O que a apuração do Noticioso360 mostra

A apuração do Noticioso360 cruzou reportagens e dados públicos para separar tendências de busca de recomendações clínicas. Observamos que, enquanto muitos relatos de consumidores mencionam melhora na qualidade do sono, raramente há menção a acompanhamento médico ou monitoramento de efeitos adversos.

Também há indicação de que parte do aumento nas buscas reflete a busca por soluções práticas e imediatas, frente à dificuldade de acesso a consultas especializadas em saúde do sono.

Recomendações práticas

  • Procure avaliação médica antes de iniciar melatonina, especialmente se usar outros medicamentos.
  • Priorize intervenções comportamentais e ambiente adequado para dormir.
  • Desconfie de doses elevadas anunciadas como “mais eficazes” nas redes sociais.
  • Consulte um especialista em sono quando sintomas persistirem ou afetarem a qualidade de vida.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas de saúde apontam que a tendência de busca por alternativas pode reforçar demanda por informações e serviços especializados nos próximos meses.

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