O serviço de acompanhantes de saúde — profissionais ou informais que acompanham pacientes a consultas, buscam remédios ou agendam exames — tem se expandido em cidades grandes e médias do Brasil. Trata‑se, na maior parte dos relatos apurados, de jornadas curtas e sob medida: uma hora para acompanhar uma consulta, deslocamentos para retirada de medicamentos ou suporte em procedimentos ambulatoriais.
Segundo a apuração do Noticioso360, que consultou profissionais, familiares e especialistas, a oferta tem se multiplicado por meio de aplicativos, grupos de mensagem e plataformas de serviços, modalidade que facilita combinar horário, preço e tarefa, mas não resolve questões legais nem garante proteção social aos trabalhadores.
Quem são e o que fazem
O universo dos acompanhantes de saúde reúne desde auxiliares de enfermagem com registro profissional até cuidadores autônomos e pessoas que passaram a oferecer o serviço por demanda. Em entrevistas, profissionais com formação relataram atividades que incluem checagem de sinais básicos, orientação na administração de medicamentos prescritos e suporte logístico. Cuidadores informais tendem a enfatizar a presença física, suporte emocional e auxílio no deslocamento.
“Sou chamada para levar pacientes à consulta e ficar até finalizada. Às vezes preciso pegar a medicação no posto de saúde”, diz uma acompanhante que atua em uma capital do Sudeste. O pagamento costuma ser por hora ou por tarefa, com variação regional: capitais e regiões metropolitanas apresentam valores médios mais altos que municípios menores.
Mediação por tecnologia
Aplicativos e redes sociais funcionam como mercados rápidos para esse serviço. Plataformas permitem filtrar por disponibilidade, preço e avaliações, e muitos trabalhadores usam esses canais para captar clientes. Por outro lado, a tecnologia não resolve lacunas legais: a maioria das contratações permanece sem carteira assinada, sem registro de vínculo e com contratos informais.
Gestores públicos consultados pela reportagem afirmam que ainda falta mapeamento preciso da demanda. A oferta mediada por tecnologia tem caráter fragmentado — bom para famílias que precisam de ajuda esporádica, mas problemático quando envolve tarefas que exigem formação técnica.
Riscos e limites profissionais
Especialistas em saúde ouvidos destacam limites claros para o trabalho de acompanhantes. Procedimentos invasivos, administração de medicamentos e cuidados clínicos complexos devem ser realizados por profissionais habilitados e sob supervisão. A presença do acompanhante em consultas é, em muitos casos, compatível com práticas seguras, porém a proliferação de trabalhadores sem qualificação técnica configura risco quando há necessidades clínicas específicas.
“A presença do acompanhante é importante para adesão ao tratamento, mas precisamos diferenciar suporte logístico de assistência técnica”, afirma uma enfermeira entrevistada. A remuneração informal reduz o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, criando vulnerabilidades para quem depende dessa renda.
Proteção social e mercado de trabalho
Muitos acompanhantes relatam complementar renda por meio de atividades avulsas, sem carteira assinada. Isso implica ausência de FGTS, contribuições regulares para aposentadoria proporcional e seguro-desemprego. Para trabalhadores registrados, as tarefas são limitadas ao escopo da função e da regulamentação profissional; para autônomos, as responsabilidades ficam difusas.
Por outro lado, familiares de pessoas idosas ou com mobilidade reduzida relatam que a contratação informal pode ser a única alternativa em localidades com oferta pública insuficiente ou quando a demanda é pontual. “Precisávamos apenas de alguém para levar minha mãe ao médico uma vez por semana”, diz um familiar de Brasília.
Regulamentação e propostas
A convergência entre diferentes fontes indica que há demanda real e crescente, mas não consenso sobre a solução. Entre as propostas apontadas por especialistas e segmentos do mercado estão:
- mapear a demanda em nível municipal e estadual para dimensionar serviços públicos;
- criar critérios claros de qualificação e certificação para acompanhantes que executem tarefas com risco clínico;
- incentivar modelos de contratação que permitam proteção social sem engessar formas flexíveis de trabalho.
Alguns especialistas defendem que cursos de curta duração e certificação por órgãos reconhecidos podem reduzir riscos, enquanto propostas mais ambiciosas apontam para políticas públicas que ampliem vagas em serviços de apoio domiciliar financiados pelo SUS.
Aspecto sanitário
No plano sanitário, profissionais titulados enfatizam que a comunicação entre família, acompanhante e equipe de saúde é essencial. A existência de protocolos claros para o que o acompanhante pode ou não fazer ajuda a proteger pacientes e trabalhadores.
Em casos onde há necessidade de medicação injetável, curativos complexos ou monitorização contínua, a presença de um acompanhante sem formação pode agravar o risco de eventos adversos. Por isso, hospitais e clínicas recomendam checar referências e preferir profissionais com registro para tarefas clínicas.
Economia do serviço
As fontes indicam que os valores cobrados variam conforme região, qualificação e tipo de tarefa. Diárias em capitais tendem a ser substancialmente maiores do que em cidades menores. A ausência de uma tabela de preços consensual e a fragmentação dos canais de oferta dificultam estimativas precisas sobre o tamanho do mercado.
Para os profissionais, a atividade pode representar complemento de renda relevante. Para as famílias, é uma solução prática, especialmente quando há escassez de alternativas públicas ou quando o cuidado solicitado é pontual e de curta duração.
Recomendações práticas
A reportagem do Noticioso360 recomenda que famílias verifiquem referências, peçam comprovação de formação quando necessário e deixem acordos por escrito sobre tarefas e remuneração. Para gestores públicos, a sugestão é mapear demanda, avaliar modelos de regulamentação e qualificação e ampliar políticas de apoio domiciliar.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
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