José Pedro Taques, ex-governador de Mato Grosso, afirmou em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado que o estado teria transferido, desde 2023, pelo menos R$ 755 milhões a “estruturas” associadas ao Banco Master. Segundo ele, os repasses ocorreram por meio de operações de crédito consignado e de contratos com empresas prestadoras de serviços que teriam vínculo com a instituição financeira.
O depoimento foi prestado no plenário da comissão, onde parlamentares reagiram e pediram aprofundamento das investigações. Há, contudo, divergências entre diferentes reportagens e documentos públicos sobre a dimensão e a natureza desses pagamentos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, a investigação cruzou trechos do depoimento com registros oficiais de contratos, empenhos e operações de consignado disponíveis em portais de transparência do estado. Esse cruzamento mostrou indícios que merecem investigação, mas não substitui a necessidade de checagem contábil detalhada.
O que disse Taques à CPI
No depoimento, Taques apresentou uma cronologia e listou destinatários de pagamentos que, em sua versão, teriam relação com o Banco Master. Ele afirmou que parte dos valores decorreu de convênios e de pagamentos por serviços de natureza regular; outra parte, afirmou, exigiria investigação por possível direcionamento e irregularidade na contratação.
O ex-governador detalhou que os recursos teriam sido movimentados por meio de operações de consignado na folha de pagamento e por contratos administrativos com empresas interpostas. Não apresentou, no depoimento público, documentação completa que permita traçar a cadeia de beneficiários finais de cada centavo.
O que a apuração pública revela
O levantamento do Noticioso360 cruzou informações publicadas por veículos nacionais e registros oficiais. Foram identificados contratos e empenhos compatíveis com pagamentos a prestadores de serviços e registros de operações consignadas no período indicado por Taques.
No entanto, o cruzamento não estabeleceu ligação direta, para todos os valores, entre o montante de R$ 755 milhões e repasses diretos ao Banco Master. Parte desses valores pode corresponder a pagamentos a empresas interpostas, terceirizadas ou fornecedores cujo vínculo final com a instituição financeira exige auditoria de documentos contábeis e extratos bancários.
Pontos de convergência e divergência entre reportagens
Reportagens do G1 e da Reuters confirmam o conteúdo central do depoimento, mas divergem em ênfase e em detalhes. A cobertura da Reuters destacou a cifra de R$ 755 milhões e as implicações em âmbito nacional, enfatizando pedidos de investigação por parlamentares. O G1 contextualizou trechos do depoimento com contratos locais e buscou posições de autoridades regionais.
Representantes do Banco Master, conforme reportado, negaram irregularidades e afirmaram que as operações seguem normas legais. Fontes institucionais consultadas também ressaltaram que pagamentos registrados nos portais de transparência podem corresponder a serviços efetivamente prestados, sem, de imediato, configurar ilicitude.
O que falta para comprovar as alegações
Para vincular contabilmente cada pagamento ao banco ou a estruturas por ele controladas são necessárias checagens que incluam: notas fiscais, contratos integrais, recibos, extratos bancários e cruzamento de transferências entre contas. Parte desses documentos costuma estar sob sigilo comercial ou não ser integralmente disponibilizada em portais públicos.
Até a data das reportagens consultadas e da apuração do Noticioso360, não havia documentação pública que confirmasse, de forma incontestável, a totalidade dos R$ 755 milhões como repasses diretos ao Banco Master. Isso não invalida a existência de indícios que justifiquem investigação administrativa e criminal, mas exige prudência editorial.
Natureza jurídica e responsabilidades
Há três pontos-chave no confronto entre versão e documentos: a quantificação do montante, a natureza jurídica dos contratos e a responsabilidade administrativa. Taques consolidou uma cifra e relacionou fluxos a operadores privados com suposto vínculo ao banco. Instituições e representantes negaram irregularidade e solicitaram apuração formal.
Especialistas consultados em reportagens dizem que, em casos desse tipo, os elementos que definem ilicitude incluem prova de direcionamento de contratações, pagamentos superfaturados, fraudes em processos licitatórios ou utilização de empresas de fachada.
Próximos passos da investigação
A CPI sinalizou intenção de solicitar documentos formais, como contratos completos, notas fiscais e extratos bancários, e pode pedir cooperação de controladorias estaduais e órgãos de auditoria. Também é provável que a comissão ouça representantes do Banco Master e de empresas mencionadas.
Na esfera administrativa e criminal, casos semelhantes costumam avançar mediante ações de órgãos de controle e, eventualmente, instauração de inquéritos quando há indícios suficientes. O ritmo das investigações dependerá do acesso a documentos e da colaboração de atores envolvidos.
O que os leitores devem observar
Recomendamos aos leitores atenção a documentos públicos oficiais e decisões judiciais. Alegações de grande monta, como a de R$ 755 milhões, merecem apuração detalhada e distinção clara entre depoimento e prova documental.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
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