A Polícia Federal apreendeu R$469.700,00 no interior de um flat em área nobre do Rio de Janeiro durante uma operação vinculada a uma investigação em andamento. O montante foi encontrado em espécie e permanece sob custódia das autoridades enquanto as diligências prosseguem.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) divulgou cópias de uma escritura pública e de declaração de Imposto de Renda para justificar a origem do dinheiro. Segundo a versão oficial divulgada pelo parlamentar, o valor corresponde ao pagamento em espécie pela venda de um imóvel localizado em Minas Gerais.
De acordo com levantamento da redação do Noticioso360, a documentação apresentada pelo deputado inclui a escritura e uma referência ao registro na declaração de imposto, mas não inclui, até o momento, comprovação inequívoca de transferência bancária ou recibos que vinculem o comprador ao numerário apreendido.
O que diz a defesa e o que a polícia apura
A assessoria do deputado informou que houve comunicação prévia sobre a origem dos recursos ao gabinete e que a venda foi formalizada com escritura pública. Integrantes da liderança do PL também acompanharam a divulgação do material nas redes sociais, afirmando que a transação foi lícita e que o comprador optou por pagar em espécie.
Por outro lado, a Polícia Federal limitou-se a confirmar a apreensão do valor no contexto da operação e afirmou que os recursos seguem retidos para perícia e investigação. Não foram divulgados detalhes sobre eventuais indícios de crime ou apreensão cautelar em caráter definitivo.
Documentos publicados não encerram investigação
A existência de escritura pública e da declaração de Imposto de Renda, por si só, não impede a continuidade das diligências. Autoridades consultadas pelo Noticioso360 ressaltam que a apuração costuma verificar a compatibilidade entre a renda declarada, a situação fiscal do vendedor e a origem efetiva do numerário em espécie.
Peritos e investigadores costumam requisitar extratos bancários, testemunhos e outros comprovantes de pagamento para estabelecer ligação direta entre a negociação imobiliária e o valor apreendido. Quando há circulação de quantias significativas em espécie, cresce a necessidade de cruzamento de dados e checagem documental.
Procedimentos legais
Procedimentalmente, a autoridade policial deve registrar a apreensão em autos, identificar e justificar a medida e preservar o dinheiro até decisão judicial ou conclusão das investigações. Se necessário, valores apreendidos podem ser objeto de encaminhamento ao juízo competente e de perícia contábil.
Especialistas em direito penal consultados pela redação afirmam que a apresentação de documentos públicos é uma tentativa legítima de demonstrar transparência, mas não substitui a análise técnica dos autos e das provas complementares.
Divergências e pontos em aberto
Reportagens e fontes próximas à investigação mostraram divergências sobre alguns pontos: enquanto a defesa aponta prova documental da venda, veículos consultados noticiaram que a apreensão ocorreu em um flat ligado ao parlamentar sem confirmar, de forma independente, o vínculo financeiro direto entre a casa vendida em Minas e o numerário encontrado.
Fontes ligadas ao PL afirmaram que os comprovantes da transação serão apresentados às autoridades, se solicitados. Já investigadores ouvidos em caráter reservado ressaltaram a necessidade de examinar se o valor declarado ao fisco corresponde ao efetivamente recebido e se tributos e registros exigidos foram observados.
Impacto político
O episódio já provocou reações de adversários políticos que cobraram esclarecimentos. Especialistas em ciência política avaliam que episódios envolvendo grandes quantias em espécie em negociações imobiliárias tendem a aumentar a atenção do eleitorado e dos órgãos de controle sobre práticas de transparência fiscal.
Além disso, a divulgação dos documentos pelo deputado ampliou o debate público, mas também suscitou pedidos de verificação técnica por parte de membros do Ministério Público e de órgãos de controle.
O que ainda falta esclarecer
- Comprovação documental do pagamento em espécie vinculando o comprador ao valor apreendido;
- Extratos bancários ou recibos que demonstrem a cadeia de transferência do recurso;
- Posicionamento formal da Polícia Federal com detalhes das diligências e das razões que motivaram a apreensão;
- Possível movimentação judicial ou pedido de medidas cautelares relacionadas ao valor.
A redação do Noticioso360 seguirá acompanhando a evolução dos fatos e solicitará acesso a autos públicos quando possível para confirmar, em documentos oficiais, a origem e o destino do montante apreendido.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
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