Apuração e o episódio no STF
Durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutia a forma de escolha de um mandato-tampão no Rio de Janeiro, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter ouvido do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que “32 ou 34” deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) recebem uma espécie de mesada vinculada ao jogo do bicho.
A declaração, feita em ambiente público e de grande repercussão política, não vem acompanhada de documentação anexada à sessão que permita, por si só, confirmar os números citados pelo ministro.
O que foi verificado até agora
Segundo levantamento inicial e critérios básicos de checagem, é imprescindível localizar a transcrição e a gravação da sessão do STF para confirmar a formulação exata da fala, o contexto em que foi proferida e se houve menção direta ao nome do diretor da PF.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, a apuração formal precisará ainda de posicionamentos oficiais da Polícia Federal, da Alerj e do gabinete do ministro, além da busca por eventuais relatórios ou peças de investigação que sustentem os números citados.
Por que a documentação é decisiva
Há uma diferença jurídica e jornalística significativa entre afirmações orais e relatórios de investigação. Relatos em sessões públicas podem resumir informações preliminares, interpretações ou referências verbais que ainda não foram consolidadas em documentos com cadeia de custódia e assinaturas técnicas.
Em investigações envolvendo repasses financeiros, confirmações robustas costumam exigir quebra de sigilos bancários, análise de extratos, cooperação internacional (quando aplicável) e decisões judiciais que autorizem medidas invasivas. Sem esses elementos, números como “32” ou “34” permanecem alegações a serem comprovadas.
Posições institucionais necessárias
Para avançar na checagem, a redação identificou passos práticos: solicitar a gravação e a ata da sessão do STF; encaminhar pedido formal de esclarecimento à Polícia Federal sobre a existência de relatórios, inteligência ou indícios que amparem os números; e ouvir a Alerj e os deputados eventualmente mencionados.
Também é recomendável consultar o Ministério Público do Rio de Janeiro e delegacias especializadas em crimes financeiros para verificar se há inquéritos em curso que mencionem repasses do jogo do bicho a parlamentares.
Contexto histórico e político
O jogo do bicho, apesar de ser uma contravenção penal, tem histórico de articulação com redes de corrupção e financiamentos ilícitos no estado do Rio de Janeiro. Em ocasiões anteriores, investigações correlacionaram esquemas de jogos ilegais a compra de apoio político e repasses a agentes públicos.
Por outro lado, acusações públicas sem documentação probatória podem gerar danos reputacionais significativos e efeitos políticos imediatos, como pedidos de investigação, abertura de inquéritos e perda de confiança entre pares. Por isso a cautela jornalística é exigida antes de transformar alegações verbais em fato jornalístico consumado.
O que falta confirmar
- Transcrição integral e gravação da sessão do STF em que Gilmar Mendes fez a declaração;
- Posicionamento formal e, se existir, documento da Polícia Federal que detalhe as apurações ou relatórios citados;
- Identificação dos deputados eventualmente referidos e chance de ouvir suas defesas;
- Consulta a inquéritos e decisões judiciais que possam mencionar repasses ligados ao jogo do bicho.
Limites desta apuração
Neste ambiente de trabalho não foi possível acessar bases externas automaticamente para confirmar documentos ou obter notas oficiais. Por isso, esta matéria descreve os passos necessários para confirmar a alegação e os critérios adotados pela equipe.
Enquanto não houver acesso a gravações, atas e documentos oficiais, a circulação do número — “32 ou 34” — deve ser tratada como uma alegação não comprovada.
Consequências possíveis
Se confirmada por documentos e apurações oficiais, a informação pode desencadear investigações formais, que incluiriam quebras de sigilos e cooperação entre órgãos. Para os parlamentares citados, as implicações vão desde diligências preliminares do Ministério Público até eventuais ações judiciais e medidas administrativas internas na Alerj.
Se não for comprovada, a divulgação da alegação poderá motivar pedidos de retratação, ações por danos e um movimento político para questionar a seriedade das declarações em ambiente judicial.
Próximos passos recomendados pela redação
1) Requerer a gravação e a ata da sessão do STF onde a fala foi proferida; 2) Enviar pedido de esclarecimento formal à Polícia Federal; 3) Solicitar notas oficiais à Alerj e aos gabinetes dos deputados que possam ter sido aludidos; 4) Consultar o Ministério Público do RJ sobre inquéritos relacionados ao jogo do bicho.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- Supremo Tribunal Federal — 2026-04-09
- Polícia Federal — 2026-04-09
- Noticioso360 — 2026-04-09
- Reuters — 2026-04-09
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