Relator descarta anistia ampla enquanto debate avança no Congresso
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto que analisa penas ligadas aos atos de 8 de janeiro, afirmou que não pretende incluir uma anistia ampla a participantes do ataque ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal e ao Planalto, segundo reportagem da CartaCapital.
De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, que cruzou informações da CartaCapital e do G1, a versão em debate tem caráter técnico e busca ajustes na dosimetria e nos critérios processuais, e não o perdão político amplo que setores ligados ao ex-presidente costumam defender.
O que está em jogo
O debate em torno do projeto expõe duas frentes: de um lado, atores políticos que pedem medidas que possam favorecer investigados ou condenados pelos atos de 8 de janeiro; de outro, parlamentares e especialistas que defendem intervenções pontuais para reduzir eventuais excessos penais, sem caracterizar anistia.
Segundo fontes parlamentares ouvidas reservadamente e verificadas pela redação do Noticioso360, o relatório que será apresentado prioriza a proporcionalidade das penas, a revisão de critérios de fixação de regime e possíveis medidas de natureza processual — como regras de prescrição e alternativas penais — em vez de dispositivos de perdão generalizado.
Relator e justificativa técnica
Em conversas com veículos, Paulinho da Força declarou que pretende concentrar o parecer em mudanças técnicas, voltadas a corrigir distorções na aplicação das penas. “Não vou apresentar dispositivo de anistia ampla”, disse o deputado, conforme registro da CartaCapital.
O relatório, segundo interlocutores da comissão, tem foco em artigos específicos do Código Penal e do Código de Processo Penal, com propostas que, se aprovadas, exigiriam análise do Instituto Jurídico do Congresso e provavelmente afrontariam contestações no Supremo Tribunal Federal (STF) e junto ao Ministério Público.
Pressão política e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
A tensão política aumentou após menções à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que reacenderam debates sobre medidas que poderiam beneficiar aliados. Aliados do ex-senador e pré-candidato têm mostrado interesse em mudanças legislativas que atenuem efeitos de investigações e condenações.
Fontes ouvidas pelo Noticioso360 apontam que, embora haja ruído político, existe resistência em lideranças de diversas bancadas a aprovar um texto que seja interpretado como anistia irrestrita. Essa cautela deve influenciar negociações e eventuais recuos no texto final.
Riscos jurídicos e interpretações
Juristas consultados pela imprensa advertiram que termos aparentemente técnicos — como alteração na dosimetria, substituição de regime ou perdão judicial restrito — podem produzir efeitos práticos similares a anistias para determinados casos.
Especialistas destacam que a redação final do dispositivo fará enorme diferença: mudanças amplas na prescrição ou em critérios de execução penal têm impacto direto sobre processos em curso. Por isso, entidades de direitos civis e procuradores anunciam vigilância e eventuais ações no STF caso o texto avance.
Trajetória legislativa prevista
Relatores e membros da comissão esperam apresentar o parecer nas próximas semanas. A proposta deverá passar por sabatinas técnicas, debates e possíveis emendas. Qualquer versão que extrapole a correção técnica tende a enfrentar contestação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário.
Segundo parlamentares consultados pelo Noticioso360, a estratégia do relator é modular alterações pontuais para reduzir contestação política e jurídica — uma manobra que busca viabilizar aprovação de medidas consideradas razoáveis sem abrir caminho para interpretações de anistia ampla.
Reações e mensagens dos opositores
Oposição e organizações da sociedade civil alertaram para o risco de que flexibilizações terminológicas e técnicas acabem por beneficiar parte dos envolvidos nos atos. Em entrevistas ao G1, representantes de partidos contrários ao texto afirmaram que eventuais mudanças podem ter efeito prático de impunidade para alguns réus.
Por outro lado, defensores das alterações afirmam que o objetivo é corrigir excessos e garantir proporcionalidade, não impor perdões políticos.
Transparência da apuração
A apuração do Noticioso360 buscou confrontar as versões disponíveis: confirmou declarações públicas do relator e a existência de um projeto em tramitação, mas identificou divergência quanto à amplitude das mudanças pretendidas e à intensidade da pressão política vinculada à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Enquanto algumas reportagens enfatizaram o componente político e simbólico do debate, outras privilegiaram a leitura técnica do texto. A redação manteve atenção para separar menções a pressões partidárias de propostas estritamente legislativas.
Próximos passos
Espera-se que, além da apresentação do parecer, surjam articulações entre bancadas, manifestações de entidades de direitos humanos e eventuais ações judiciais para contestar dispositivos considerados vulneráveis ao controle de constitucionalidade.
O calendário legislativo e a correlação de forças no Congresso serão determinantes para saber se o texto seguirá estritamente por vias técnicas ou se sofrerá alterações com efeitos práticos mais amplos.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.



