Prefeito Ricardo Nunes diz que aguardará decisão do STF antes de sancionar projeto sobre mototáxi.

Nunes aguarda STF sobre mototáxis em São Paulo

Nunes condiciona sanção de projeto sobre mototáxis à decisão do STF, citando segurança jurídica e proteção a trabalhadores.

Prefeito decide aguardar avaliação judicial

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que vai esperar a decisão de um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade do serviço de mototáxi na capital antes de sancionar o projeto aprovado pela Câmara Municipal.

Segundo a própria declaração do prefeito, a intenção é evitar insegurança jurídica que possa levar a ações diretas de inconstitucionalidade ou recurso que questione competência legislativa municipal. A medida, disse Nunes, visa também preservar a segurança regulatória para operadoras e para os trabalhadores.

Apuração e contexto jurídico

A apuração do Noticioso360 confirma, com base em documentos públicos e entrevistas, que a prefeitura condiciona a sanção à definição do STF sobre se a regulamentação municipal está em conformidade com a jurisprudência constitucional em vigor.

Na prática, isso coloca a administração municipal em posição de prudência administrativa. “Não queremos sancionar uma norma que imediatamente se torne alvo de litígios que deixem trabalhadores e usuários em insegurança”, afirmou um interlocutor da gestão, sob reserva.

Os dois eixos do receio

Fontes ouvidas pela reportagem apontam duas preocupações centrais: a jurídica — evitar que a norma seja anulada por contrariar regras federais ou estaduais — e a administrativa — diminuir o risco de decisões contraditórias que possam paralisar o serviço.

Há, segundo especialistas consultados, duas teses em confronto. Uma defende a competência municipal para regular serviços locais de transporte individual ligados à mobilidade urbana; a outra sustenta a prevalência de normas federais ou estaduais e a necessidade de uniformização nacional em determinados aspectos.

Impacto sobre trabalhadores e usuários

Defensores da regulamentação na Câmara argumentam que o projeto busca formalizar uma atividade já existente e impor requisitos de segurança, capacitação e fiscalização. Por outro lado, entidades que representam motociclistas e motoboys alertam para a ausência de garantias trabalhistas e para a necessidade de distinção clara entre mototáxi e serviços de entrega por aplicativo.

Se sancionada, a regra pode exigir habilitação específica, equipamentos de segurança e critérios de fiscalização, segundo fontes ligadas ao processo de redação do texto. Trabalhadores informais, profissionais que hoje atuam sem vínculo, seriam os mais impactados na transição para um regime regulamentado.

Repercussões administrativas

Do ponto de vista operacional, a prefeitura diz que prefere aguardar o entendimento do STF para definir com clareza os limites de competência entre União, Estados e Municípios. A intenção é evitar que agentes públicos municipais implementem normas que possam ser posteriormente suspensas ou revistas por instâncias superiores.

Interlocutores da prefeitura também mencionaram a preocupação com as plataformas digitais que operam no transporte e na entrega, cuja atuação pode se confundir com a prestação local de serviços de mototáxi.

Debate político local

Na Câmara Municipal, o projeto aprovado contou com apoio transversal, segundo vereadores consultados. Para muitos parlamentares, a proposta tem caráter de formalização e proteção ao usuário, mas a possibilidade de judicialização levou a Casa a encaminhar o texto com cautela ao Executivo.

Do ponto de vista político, sancionar rapidamente poderia atender pressões de categorias e grupos que defendem a formalização imediata. Já aguardar o STF reduz o risco de contencioso futuro, ainda que adie medidas de proteção e fiscalização.

Posicionamentos e precedentes

O STF tem firmado jurisprudência sobre limites de competência em casos relacionados a transporte individual remunerado, mas cada demanda depende de especificidades técnicas e fáticas. Por isso, decisões anteriores não garantem desfecho idêntico para o caso paulistano.

Especialistas consultados pela reportagem destacaram que a Corte tem adotado critérios que consideram a natureza do serviço, a influência de normas federais e a dimensão local da prestação. Esse mosaico tem levado administrações a buscarem decisões judiciais antes de ações regulatórias profundas.

Consequências práticas e cenários

Entre os cenários em análise, gestores avaliavam ontem a adoção de atos administrativos provisórios que não gerem efeitos permanentes, como regras temporárias de operação ou programas-piloto, caso o STF demore a se manifestar. Outra alternativa é a manutenção do status quo até que haja definição judicial.

Para operadores e usuários, a indefinição causa incerteza. Associações de táxi e de motociclistas têm sinalizado propostas distintas sobre coexistência de modalidades e critérios de fiscalização. A expectativa é que uma eventual regulamentação contemple requisitos mínimos de segurança, seguro e capacitação.

Transparência e próximos passos

A prefeitura informou que está concluindo o exame técnico-jurídico do texto aprovado e que a publicação de eventual sanção ou veto será precedida de comunicação oficial. O prazo exato para a decisão do Executivo não foi confirmado. O Noticioso360 seguirá acompanhando o andamento de eventuais recursos e decisões judiciais.

Enquanto isso, a Câmara deve manter interlocução com o governo municipal para ajustar pontos técnicos que possam reduzir o risco de questionamentos judiciais, segundo vereadores ouvidos pela reportagem.

Fechamento e projeção

Analistas ouvidos pelo Noticioso360 apontam que a decisão do STF, além de resolver a controvérsia ponto a ponto, pode servir de precedente com efeitos em outras capitais e municípios que enfrentam demandas semelhantes.

Se o tribunal consolidar entendimento favorável à competência municipal, espera-se uma onda de iniciativas locais para formalizar serviços de transporte; se a Corte restringir essa competência, pode haver um movimento por leis estaduais ou federais que uniformizem as regras.

Fontes

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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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