Ministro Alexandre de Moraes vetou apresentação de slides durante sustentação oral no processo do chamado ‘núcleo 2’.

Moraes rejeita slides da defesa de Filipe Martins

Alexandre de Moraes barrou slides preparados pela defesa de Filipe Martins; tribunal afirmou manter formato tradicional das sustentações orais.

Decisão de Moraes mantém formato tradicional das sustentações

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu não admitir a apresentação de slides pela defesa de Filipe Martins durante a sustentação oral no julgamento relacionado ao chamado “núcleo 2”. A determinação consta nos autos do processo e foi confirmada por interlocutores que participaram da tramitação.

A defesa de Martins, ex-assessor do presidente Jair Bolsonaro, havia informado que preparou material visual para organizar a exposição e que o enviou à presidência do tribunal, sob a afirmação de que o ministro teria solicitado visualização prévia. Em contrapartida, fontes oficiais do STF disseram que o entendimento da corte foi pela manutenção do formato tradicional das sustentações orais, sem apresentação de arquivos que possam alterar a dinâmica do julgamento.

Curadoria e cruzamento de informações

Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou relatos da defesa e notas do tribunal, a decisão visa preservar igualdade entre as partes e evitar a entrada de materiais não previstos nos autos. A apuração compilou dados públicos e declarações de fontes jornalísticas para registrar versões divergentes sobre o episódio.

O que diz a defesa

Advogados de Filipe Martins afirmaram que os slides teriam caráter meramente organizacional e reuniriam cronologias e tabelas já presentes em petições e anexos processuais. Para a defesa, a proibição configurou limitação à capacidade de comunicação do réu durante a sustentação oral, embora tenha sido possível expor os mesmos pontos verbalmente.

“Os slides não trariam elementos novos aos autos, serviriam apenas de roteiro e referência visual para a sustentação”, disse, em nota, um representante da defesa, segundo relatos obtidos pela reportagem.

Posição do STF

Em nota e em comunicações internas consultadas pela apuração, a secretaria do relator avaliou aspectos formais como tempo de fala, adequação do conteúdo e eventual incidência de peças que não constavam nos autos. A corte tem precedentes que restringem o uso de equipamentos eletrônicos e arquivos externos em sessões plenárias, com o objetivo de preservar ordem e paridade de tratamento entre as partes.

Fontes oficiais observaram que a aceitação de material visual exige avaliação prévia e cautela para evitar a introdução de documentos novos sem a devida publicidade às partes e ao Ministério Público.

Aspectos processuais e técnicos

Especialistas em direito processual consultados destacaram que, além da regra regimental, há preocupação prática: slides podem apresentar argumentos ou dados com formatação que dificulte a conferência por outras partes ou pelo relator. “A igualdade processual e a integridade do contraditório são pilares básicos; introduzir meios visuais exige critérios claros”, disse um professor de processo penal ouvido pela reportagem.

Documentos internos mencionados na apuração apontam que a secretaria do relator verificou questões como duração da fala e se os anexos continham ou não elementos já juntados aos autos. Em decisões anteriores, o STF tem optado por restringir apresentações que impliquem em vantagem persuasiva não prevista regimentalmente.

Versões em conflito

Há divergência factual entre as partes sobre a existência do pedido prévio do ministro para visualizar o material. Enquanto a defesa sustenta que Moraes solicitou o envio para análise, relatos colhidos por veículos jornalísticos consultados pela redação indicam que a solicitação não consta de forma inequívoca na tramitação pública dos autos.

A curadoria do Noticioso360 buscou cruzar as versões com documentos acessíveis e declarações de fontes jornalísticas para evitar conclusões precipitadas. A matéria apresenta, portanto, as duas perspectivas: a da defesa, que trata a medida como cerceamento; e a do tribunal, que invoca regras regimentais e preocupações procedimentais.

Consequências e próximos passos processuais

Com a recusa dos slides, a defesa pode optar por peticionar ao relator pedindo reconsideração ou solicitar que o material seja juntado formalmente aos autos, o que permitiria sua avaliação com ampla ciência das partes. Já o STF pode manter a negativa ou emitir orientações mais detalhadas sobre o uso de arquivos visuais em sustentações futuras.

Especialistas ouvidos consideram provável que o episódio gere pedidos de transparência processual e que a corte, se entender necessário, delimite critérios sobre admissibilidade de meios eletrônicos em sessões públicas.

Contexto mais amplo

Nos últimos anos, o STF tem enfrentado desafios sobre como modernizar procedimentos sem comprometer a igualdade entre as partes. A discussão inclui, por exemplo, a adoção de telas, transmissões e o uso de redes digitais durante audiências. A resistência a inovações costuma vir acompanhada de recomendações para padronização e regras claras.

Além disso, a controvérsia reacende debate sobre a percepção pública do tribunal e a necessidade de regras que sejam compreensíveis por advogados, magistrados e cidadãos.

O que está confirmado

Confirmamos, com base em cruzamento de informações jornalísticas e documentos públicos: a decisão de Moraes de não admitir os slides foi registrada nos autos e a defesa informou ter preparado o material, alegando que o ministro havia solicitado sua prévia visualização. Não há notícia pública, até o momento, de que o conteúdo recusado tenha sido posteriormente juntado ao processo ou de que tenha havido nova ordem do relator revertendo a negativa.

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário sobre protocolos de sustentação oral e influenciar regras processuais nos próximos meses.

Fontes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima