O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria homologado acordos de não-persecução penal (ANPP) firmados entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e dois militares apontados como integrantes do chamado “núcleo 3” de uma trama para mobilizar tropas contra a posse presidencial.
Segundo análise da redação do Noticioso360, o material examinado indica que as medidas alternativas à prisão incluiriam multa, participação em curso sobre democracia e trabalho comunitário. No entanto, a redação ressalta que a confirmação depende da obtenção das peças processuais e da decisão assinada por Moraes.
O que está em apuração
A investigação preliminar, conforme o conteúdo recebido pela reportagem, versa sobre atuação logística de um grupo que teria tentado articular a mobilização de militares para impedir a posse do presidente. As fontes descrevem dois militares de alta patente como destinatários dos acordos.
Entre os pontos que a apuração identifica como essenciais para confirmação estão:
- Cópias dos acordos de não-persecução penal;
- Decisão de homologação assinada por Alexandre de Moraes;
- Petição da PGR que fundamentou os termos negociados;
- Identificação completa (nomes e patentes) dos militares citados;
- Datas de prisão, locais dos fatos e fases do procedimento investigativo.
Termos do acordo e suas implicações jurídicas
O uso de ANPP em crimes com conotação política suscita debate jurídico. Normalmente, a não-persecução penal é aplicada a infrações de menor potencial ofensivo quando há confissão e reparação do dano.
No caso em análise, detalhes como o valor da multa, a duração e o conteúdo do curso sobre democracia e as metas do trabalho comunitário são determinantes para avaliar se a solução tem caráter pedagógico ou simbólico.
Advogados ouvidos em caráter geral explicam que acordos com medidas alternativas podem ser aceitos quando o Ministério Público entende que não há risco à ordem pública irreversível ou quando a pena imposta é proporcional aos atos imputados. Ainda assim, crimes com tensão institucional costumam exigir justificativas mais robustas.
Limites e precedentes
Por outro lado, cabe verificar se existem precedentes em que ANPP foi aplicado a episódios com motivação política. Esse contexto influencia a percepção pública e a análise da proporcionalidade das medidas.
O papel do chamado “núcleo 3”
O termo “núcleo 3” apareceu nas peças e relatos recebidos pela reportagem, mas demanda referência direta a documentos oficiais. É imprescindível diferenciar uma expressão jornalística ou de investigação preliminar de classificações que constem em denúncias ou em manifestações formais da PGR.
Sem acesso às peças processuais, não é possível afirmar com precisão quais atos cada integrante teria praticado, nem se a designação “núcleo 3” corresponde a uma divisão interna das investigações ou a uma nomenclatura empregada por órgãos de investigação.
Reações institucionais e político-institucionais
A apuração solicita a manifestação de instituições-chave. A PGR deve esclarecer as razões para propor ANPP, a fundamentação jurídica adotada e a eventual existência de elementos atenuantes.
Também é importante registrar se o Ministério da Defesa ou associações militares fizeram pronunciamentos sobre a questão. Reações de partidos e líderes políticos provavelmente surgirão e terão impacto na percepção pública sobre a proporcionalidade das medidas acordadas.
O que falta confirmar
O material recebido oferece uma narrativa consistente, mas lacunar. As principais confirmações pendentes são:
- Confirmação documental: cópias dos acordos e da decisão de homologação;
- Identificação precisa dos investigados e de suas patentes;
- Datas e locais dos fatos; e
- Explicitação das condições impostas — valor da multa, carga horária e conteúdo do curso, e metas do trabalho comunitário.
Sem esses elementos, qualquer avaliação final sobre a adequação da medida e sua proporcionalidade é prematura.
Método e cautela jornalística
A redação do Noticioso360 adota cuidado metodológico: distingue o que provém de documentos oficiais daquilo que é interpretação jornalística ou político-partidária.
Também enfatiza a necessidade de ouvir as partes: PGR, STF, advogados dos investigados e órgãos de controle. A reportagem busca as peças integras do processo e as manifestações formais para atualizar a matéria tão logo as informações sejam obtidas.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Próximos passos na apuração
Para consolidar a narrativa, a prioridade é obter documentos oficiais. A cópia da decisão de homologação e das petições da PGR permitirá verificar a fundamentação jurídica adotada pelo Ministério Público e a eventual intervenção do ministro Moraes.
Além disso, é necessário confirmar os nomes e patentes dos militares e validar cronologias. Caso as partes o autorizem, divulgar-se-ão trechos dos acordos que expliquem a lógica das medidas alternativas aplicadas.
Perspectivas e impacto
Se comprovada a homologação de ANPP para militares de alta patente em investigação sobre tentativa de mobilização de tropas, a pauta terá reflexos imediatos no debate público sobre responsabilidade institucional e limites do uso de medidas alternativas em crimes de natureza política.
Analistas apontam que a discussão pode reavivar demandas por transparência nas negociações entre a PGR e investigados e provocar nova rodada de pressão política e institucional nos próximos meses.
Fontes
- Noticioso360 — 2026-02-03
- Procuradoria-Geral da República — 2026-02-03
- Supremo Tribunal Federal — 2026-02-03



