Deputado afirma negociação para derrubar veto da Dosimetria em troca de arquivamento da CPI do Banco Master.

Lindbergh diz a um 'acordão' para salvar bolsonaristas

Lindbergh afirma existência de acordo para derrubar veto ao PL da Dosimetria em troca de obstruir investigações sobre o Banco Master.

Lindbergh denuncia ‘acordão imoral’ envolvendo veto e CPI

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou, em pronunciamento público na segunda-feira (23), que há uma articulação no Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como PL da Dosimetria.

Segundo o parlamentar, a tentativa de reverter o veto estaria sendo negociada em paralelo a um compromisso de evitar investigações que atingiriam integrantes do bolsonarismo, em especial relacionadas à CPI do Banco Master. Lindbergh descreveu a negociação como um “acordão imoral”.

De acordo com a apuração da redação do Noticioso360, que cruzou material fornecido ao portal e checagens em veículos como G1 e Agência Brasil, não foram encontrados documentos públicos que comprovem um acordo formal entre líderes do Congresso que correlacione a derrubada do veto e o arquivamento da CPI.

O que diz a apuração

A reportagem do Noticioso360 teve acesso ao relato do deputado sobre o suposto ajuste e checou, até o fechamento desta matéria, as bases de dados de grandes veículos e comunicados oficiais. As evidências públicas consultadas não mostram um texto, ofício ou ata que documente esse tipo de transação.

Por outro lado, fontes do próprio Congresso ouvidas extraoficialmente e práticas históricas de costura política indicam que negociações por pautas sensíveis — como a votação de vetos presidenciais — costumam envolver troca de apoio entre bancadas. Derrubar um veto presidencial exige maioria qualificada, e a operação costuma demandar ampla articulação política.

Como funciona a reversão de vetos

No sistema legislativo brasileiro, a derrubada de um veto presidencial depende do voto da maioria absoluta da Câmara e do Senado, em votação em dois turnos. Isso transforma vetos polêmicos em alvos estratégicos para negociadores.

Especialistas consultados pelo Noticioso360 lembram que acordos informais entre lideranças partidárias são um mecanismo recorrente para viabilizar votações complexas — seja por meio de alianças programáticas, cúpulas de líderes ou negociações casa a casa.

A relação com a CPI do Banco Master

Lindbergh vinculou a tentativa de reverter o veto ao destino da CPI do Banco Master, sugerindo que a suposta negociação poderia incluir a desistência de atos investigativos ou o enfraquecimento de apurações que atingiriam setores do bolsonarismo.

No entanto, a nossa checagem não encontrou, em fontes públicas e reportagens consultadas até o fechamento, qualquer documento que prove a existência de um mecanismo formal para arquivar automaticamente a CPI em contrapartida à derrubada do veto.

Fontes parlamentares ouvidas off the record admitem que tramitações de CPIs e pautas legislativas podem ser influenciadas por prioridades definidas nas lideranças, mas ressaltam que o arquivamento de uma CPI passa por procedimentos formais, requerendo posicionamentos em colegiados e votações específicas.

Posicionamentos e pedidos de esclarecimento

Ao final da apuração, a equipe do Noticioso360 contatou os gabinetes de Lindbergh Farias e de lideranças da Câmara para solicitar esclarecimentos sobre as alegações. Os pedidos buscavam confirmar se houve oferta, proposta ou combinação entre parlamentares para trocar o veto por proteção a investigados.

Até o fechamento da matéria, não houve resposta formal de todas as lideranças consultadas. Se houver confirmações ou negativas oficiais, a reportagem se compromete a atualizar a peça com os documentos ou declarações recebidas.

Interpretações possíveis

Há pelo menos três explicações razoáveis para a divergência entre a denúncia do deputado e a ausência de provas documentais: 1) as conversas internas entre líderes podem ter tom e abrangência interpretáveis; 2) tratativas extraoficiais podem ocorrer sem deixar rastro; ou 3) diferentes fontes jornalísticas podem priorizar ângulos distintos da mesma narrativa.

Especialistas em processo legislativo alertam que a informalidade em negociações é um risco para a transparência e pode prejudicar mecanismos de responsabilização, quando acordos de bastidores interferem em investigações e em votações de interesse público.

Impactos políticos e jurídicos

Se confirmada, a existência de um “acordão” que troca proteção política por decisões de pauta representaria risco à fiscalização parlamentar e à independência de comissões de investigação. A prática poderia gerar questionamentos éticos e eventualmente motivar representações internas ou pedidos de acesso a documentos.

Por outro lado, a ausência de provas documentais limita, por ora, a possibilidade de medidas formais baseadas apenas na declaração do deputado. A dimensão política do episódio, no entanto, pode repercutir em pedidos de explicação e em mobilizações públicas.

O que observar daqui para frente

A recomendação do Noticioso360 é que a sociedade acompanhe com atenção os próximos passos: publicações de pautas de votação relativas ao veto do PL da Dosimetria; requerimentos e agendas das comissões que tratam da CPI do Banco Master; e comunicações oficiais das lideranças partidárias.

Documentos internos, atas de reuniões de líderes e gravações oficiais, caso venham a ser divulgados, serão elementos-chaves para comprovar qualquer ajuste entre votações e decisões sobre investigações.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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