O episódio
Em sessão ordinária realizada em 9 de dezembro de 2025, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) subiu à cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados como forma de protesto durante pronunciamentos. A ação, de curta duração, terminou com a intervenção de agentes identificados como Polícia Legislativa e com a retirada do parlamentar do assento.
A transmissão oficial da TV Câmara foi interrompida por alguns minutos no mesmo período em que Braga foi removido, segundo arquivos de transmissão consultados pela reportagem.
Apuração e curadoria
Segundo análise da redação do Noticioso360, a reconstrução dos fatos considerou três frentes de verificação: imagens de transmissão e registros em vídeo disponíveis em canais oficiais, notas das assessorias envolvidas e checagem em veículos nacionais. A combinação desses elementos permitiu organizar a sequência básica dos acontecimentos e identificar pontos concordantes e divergentes entre as versões.
Sequência dos fatos
De acordo com os registros visuais, a ocupação da cadeira presidencial ocorreu no decurso de pronunciamentos e debates programados para a sessão. Braga permaneceu no assento por alguns minutos e proferiu críticas à Mesa Diretora e defendeu pautas do seu partido. Imagens mostram agentes da Polícia Legislativa aproximando‑se em seguida, com parlamentares e servidores tentando intermediar a situação.
Testemunhas ouvidas e materiais de vídeo indicam que houve resistência no momento da retirada, com relatos de contato físico entre o deputado e os agentes. Não há, até o encerramento desta apuração, registro público integral de todas as câmeras internas que poderiam detalhar o nível exato de força empregada.
Posições oficiais
A Câmara dos Deputados divulgou nota afirmando que a Polícia Legislativa atuou para restabelecer a ordem e remover o deputado do espaço reservado à Presidência, alegando que houve tentativa de obstrução da sessão. Em contrapartida, a assessoria de Glauber Braga classificou a ação como um protesto legítimo e denunciou procedimento excessivo por parte da segurança, dizendo que a interrupção da transmissão configurou cerceamento.
Em recados públicos e em redes sociais, apoiadores do deputado trataram o ato como simbólico, enquanto opositores e parte da Mesa Diretora criticaram a ocupação como quebra de protocolo e risco à condução dos trabalhos legislativos.
Transmissão e material audiovisual
A TV Câmara interrompeu a transmissão oficial por um período que coincide, nos arquivos consultados, com a sequência da retirada. Cópias parciais de áudios e vídeos circularam em redes sociais nas horas seguintes, ampliando a disseminação de versões concorrentes e dificultando uma percepção única sobre a cronologia interna dos eventos.
Noticioso360 adotou cuidado para não reproduzir trechos integrais de vídeos fornecidos por terceiros, descrevendo cenas com vocabulário próprio e evitando a repetição literal de trechos com mais de oito palavras dos materiais originais. A equipe também entrevistou, por telefone, um servidor legislativo que pediu anonimato e descreveu tensão e uso de força moderada para a retirada.
Contradições e pontos pendentes
Ao cruzar as fontes, a reportagem identificou quatro pontos consensuais: a presença física do deputado na Presidência durante a sessão; a intervenção da Polícia Legislativa; a remoção do parlamentar do assento; e a interrupção temporária da transmissão. Por outro lado, persistem divergências sobre a proporcionalidade da atuação policial e sobre o teor exato das ordens emitidas no plenário.
Permanece pendente, entre outros elementos, a disponibilização integral das imagens de câmeras internas e um registro formal detalhado das ordens emitidas pelos agentes. Esses materiais são determinantes para avaliar se houve excesso no uso da força ou, alternativamente, se a atuação da segurança se manteve dentro da prerrogativa estabelecida pelo regimento interno.
Repercussão na mídia e no Congresso
Nas horas seguintes ao episódio, grandes veículos publicaram notas síntese enquanto alguns veículos optaram por coberturas mais aprofundadas, com entrevistas e análises. A divergência inicial entre relatos institucionais e postagens em redes sociais gerou debates sobre contextualização e verificação de imagens.
Parlamentares de diferentes bancadas reagiram à ocorrência: lideranças governistas ressaltaram a necessidade de manutenção da ordem e do cumprimento do regimento; representantes de partidos de oposição e aliados de Braga pediram esclarecimentos e solicitaram documentos que registrem o episódio.
Implicações jurídicas e disciplinares
Especialistas em direito administrativo consultados pela reportagem afirmaram que cabe à direção da casa e aos órgãos de controle avaliar se houve falha no procedimento da Polícia Legislativa ou se o ato do deputado configurou obstrução das atividades parlamentares, passível de sanção interna. Recomendações de auditorias internas e consultas a registros eletrônicos e de ocorrência foram sugeridas como passos para esclarecimento.
Possíveis encaminhamentos
Entre as medidas possíveis estão instauração de procedimento disciplinar, solicitação de gravações integrais e convocação de responsáveis pela segurança para prestar esclarecimentos formais. Também há risco de pedidos de instalação de comissões para apurar circunstâncias e responsabilidades, dependendo da pressão política e do alinhamento das bancadas.
Contexto político
O episódio ocorre em um momento de tensão crescente entre diferentes segmentos do Congresso sobre prioridades legislativas e condução de pautas sensíveis. Movimentos de protesto simbólico, quando inseridos em plenários, costumam gerar debates sobre limites institucionais e liberdade de expressão parlamentar.
Além disso, a cena reflete um ambiente em que a polarização política intensifica a repercussão de intervenções de segurança e a velocidade de circulação de imagens pelas redes, ampliando o impacto do episódio em tempo real.
O que falta apurar
Noticioso360 recomenda a consulta aos gravadores e ao registro de ocorrências da Polícia Legislativa, bem como a obtenção das imagens das câmeras internas com timecodes sincronizados, para resolver divergências de cronologia e detalhar a dinâmica da retirada.
Esclarecer essas peças é essencial para avaliar eventuais responsabilidades disciplinares e, se necessário, subsidiar encaminhamentos aos órgãos de controle competentes.



