Verificação sobre a renúncia de Fátima Bezerra
Circulam, em redes sociais e em manchetes curtas, alegações de que a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), teria confirmado a intenção de renunciar ao cargo para disputar uma pré-candidatura. A circulação do rumor intensificou-se em postagens que citam trechos de discursos e transcrições parciais.
A apuração do Noticioso360, com base em levantamento entre agências e consultas a páginas institucionais, não encontrou nota oficial de renúncia, ofício dirigido à Assembleia Legislativa nem publicação em boletins do Governo do Estado até 11/02/2026.
Como checamos
Começamos identificando as origens das publicações: versões em redes sociais, trechos de entrevistas e transmissões ao vivo que circulam sem link para documento formal. Em seguida, cruzamos informações com coberturas de grandes veículos (Agência Brasil, G1), conferimos os perfis oficiais da governadora e o site do Governo do Rio Grande do Norte.
Também verificamos a existência de documentos administrativos que costumam acompanhar renúncias: ofícios endereçados à Assembleia Legislativa, decretos de exoneração ou publicações no Diário Oficial do Estado. Não localizamos nenhum desses registros públicos relacionados à governadora até a data indicada.
O que apuramos
1. Não há registro público formal de renúncia: não foi encontrada nota oficial assinada pela governadora ou comunicado da assessoria que confirme a perda do mandato.
2. Cobertura jornalística: as principais agências e portais consultados não publicaram reportagem confirmando um ato formal de renúncia até 11/02/2026. Reportagens locais mencionaram rumores e movimentações políticas internas, mas sem apresentar documento público.
3. Fontes indiretas: muitas das postagens que afirmam a renúncia replicam trechos de discursos sobre a gestão do estado ou interpretações de falas públicas, sem apontar qualquer ofício ou ofício-de-renúncia.
Contexto institucional
Quando um governador renuncia para disputar outro cargo, o procedimento normalmente inclui o envio de um documento formal à Assembleia Legislativa e sua publicação no Diário Oficial, ato que formaliza a vacância do cargo. A ausência desses sinais institucionais foi determinante para a conclusão parcial da checagem.
Por que a informação se espalhou
Há ao menos três fatores que ajudam a explicar a circulação do boato:
- Trechos de discursos retirados de contexto e republicados sem fonte direta;
- Rumores sobre movimentações internas do partido que foram transformados em afirmações públicas;
- Velocidade das redes sociais, que favorece manchetes curtas e assertivas sem a necessária comprovação documental.
Situação atual e limites da checagem
Até 11/02/2026, não foi encontrada confirmação pública — por nota oficial, ofício ou ato administrativo — de que Fátima Bezerra tenha renunciado. Isso não necessariamente significa que não exista movimentação política nos bastidores; indica, porém, ausência de formalização exigida por lei para a perda do mandato.
É importante ressaltar que a governadora é filiada ao PT e exerce o cargo desde 2019. Sua exposição pública e o acompanhamento da imprensa tornam improvável que uma renúncia formal passe despercebida, o que reforça a necessidade de documentação oficial como prova.
O que falta confirmar
Para afirmar categoricamente que houve renúncia, seriam necessários, no mínimo:
- Ofício de renúncia endereçado à Assembleia Legislativa do RN;
- Publicação do ato no Diário Oficial do Estado;
- Nota oficial da assessoria da governadora ou comunicado do Governo do RN.
Próximos passos recomendados
Recomendamos as seguintes medidas para confirmar ou refutar a alegação de forma definitiva:
- Solicitar posicionamento por escrito à assessoria da governadora;
- Pedimos cópias de eventuais ofícios à Secretaria de Comunicação e à Assembleia Legislativa do RN;
- Acompanhar publicações do Diário Oficial do Estado e boletins oficiais do Governo do RN;
- Monitorar contas verificadas da governadora em redes sociais para qualquer nota pública.
Transparência editorial
Esta matéria foi elaborada a partir do trecho enviado ao portal e de buscas em fontes públicas. Priorizamos, como critério editorial, a verificação de documentos oficiais e a checagem em veículos de grande circulação.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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